Violência em casa é o drama de 29% das brasileiras

Polícias não estão preparadas para lidar com questões passionais

A jovem Eloá ficou em poder do ex-namorado por 101 horas e acabou morta por ele
A jovem Eloá ficou em poder do ex-namorado por 101 horas e acabou morta por ele Foto: Robson Fernandjes, AE

Desde a morte de Eloá Pimentel, de 15 anos, que passou 101 horas sob a mira do revólver do ex-namorado, vários casos de violência contra jovens mulheres apareceram no noticiário. Segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde, 29% das brasileiras sofrem ou já sofreram violência física ou sexual de parceiros ao longo da vida. Nas regiões rurais, o índice sobe para 37%. A última pesquisa realizada em hospitais de São Paulo e Pernambuco indica que, entre grávidas, as agressões físicas, sexuais e psicológicas ultrapassam 30%.

– A tropa de elite das polícias está apta para negociar com traficantes, seqüestradores, mas não para trabalhar uma questão emocional. Porque não é uma negociação de troca, é uma negociação de poder. No caso de Eloá, Lindemberg só queria uma coisa: que ela se submetesse a ele – diz Aparecida Gonçalves, subsecretária de Enfrentamento da Violência contra a Mulher da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, ligada à presidência.

Maridos, noivos e namorados são os agressores

De cada dez mulheres assassinadas em São Paulo por pessoas conhecidas, sete foram mortas por parceiros ou ex-parceiros, como maridos, noivos e namorados. Os dados tomam por base todos os boletins policiais de 1998, que registraram 285 homicídios de mulheres na cidade, e fazem parte da pesquisa de uma década de crimes contra mulheres feita pela socióloga Eva Blay. Depois de estudar boletins de ocorrência, casos de jornais e processos judiciais, a conclusão da socióloga é de que o que move esses atos é o ódio.

Já a delegada coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher do estado de São Paulo, Marcia Salgado, reforça o que dizem os estudos da OMS sobre a violência conjugal: depois dos primeiros tapas, ataques mais violentos virão.

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