Vitória do time do coração ajuda a reduzir arritmia cardíaca e morte súbita

Estudos internacionais mostram, porém, que riscos aumentam quando a equipe perde

Vitória ou derrota do time causa problemas de saúde nos torcedores mais sensíveis
Vitória ou derrota do time causa problemas de saúde nos torcedores mais sensíveis Foto: sxc.hu

Apesar dos efeitos danosos do estresse, um estudo internacional, realizado durante a Copa na França, mostrou que vitórias dos times da casa reduziram os casos de eventos cardiovasculares naquele paí­s. Mas o contrário também pode acontecer.

As vitórias do Brasil e, sobretudo, a conquista do Hexacampeonato no Mundial da África do Sul podem remediar as arritmias cardí­acas e a morte súbita. A tese é baseada em um estudo realizado na França, durante a Copa do Mundo de 1998, que avaliou a hipótese da baixa mortalidade por infarto do miocárdio em homens franceses, em 1998, quando a Seleção Francesa conquistou a Copa do Mundo.

O médico gaúcho Leandro Zimerman – membro do conselho da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) – corrobora com a tese de que o bom desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010 pode reduzir os índices de morte súbita e arritmias cardí­acas em nosso paí­s. 
 
– Fica evidente neste estudo a relação com o chamado estresse emocional positivo, a alegria da vitória. Os dados mostram que estes não aumentam os riscos, talvez até o oposto. Esta relação benéfica chama-se Eustresse – diz Zimerman.

O levantamento feito pelos médicos franceses, no dia em que a França ganhou do Brasil na final de 1998, mostrou que o número de mortes por infarto do miocárdio na população masculina francesa sofreu uma redução significativa, quando comparado num período de cinco dias antes e após a partida final.

Além da França, Zimerman revela outros indicativos para a redução de casos de morte súbita relacionado ao esporte, com ênfase nos torneios da Copa do Mundo e seus espectadores. Em artigo intitulado O Estresse Emocional de assistir a uma partida de futebol pode desencadear Eventos Cardíacos?“, o médico traz dados interessantes, com foco no torcedor.

Riscos aumentam quando o time do coração perde
 
Mas e quando o time não ganha? Durante a Copa do Mundo de 1998, as admissões nos serviços de emergência por infarto do miocárdio na Inglaterra aumentaram por dois dias após a eliminação deste paí­s para a Argentina, nos pênaltis. Na Copa Européia, em 1996, a Holanda perdeu sua classificação também nos pênaltis, tendo se observado aumento importante de morte por infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral em homens; este aumento não foi observado em mulheres. E, independente da causa, a mortalidade súbita na Suíça cresceu durante o perí­odo da Copa do Mundo de 2002, quando comparada com o ano anterior.
 
Em pessoas com histórico de doenças card­íacas ou fatores prévios, o risco de eventos cardíacos é maior. No entanto, o estresse emocional não pode ser descartado, mesmo para a população em geral, sobretudo para o espectador/torcedor (com relevância para o sexo masculino). Em relação especí­fica à morte súbita, vários trabalhos têm demonstrado o aumento de suas taxas em momento de grande trauma emocional.
 
É o caso do importante estudo realizado por médicos da clí­nica Campus Grosshadern e da Universidade Ludwig-Maximilians, de Munique, Alemanha. Eles relacionaram a realização da Copa de 2006 e os eventos cardí­acos em torcedores/espectadores. Cerca de 3,2 milhões de espectadores nos estádios e bilhões de pessoas por todo o mundo assistiram às 64 partidas da última Copa do Mundo na Alemanha.
 
O objetivo deste estudo foi examinar a relação entre o estresse emocional e a incidência de eventos cardiovasculares. Nos resultados apresentados, a equipe médica avaliou 4.279 pacientes com eventos cardiovasculares agudos. Nos dias de jogos envolvendo a equipe alemã, a incidência de emergências cardíacas foi 2,66 vezes maior que durante o perí­odo da Copa. Para os homens, a incidência foi de 3,26 vezes maior em relação ao perí­odo de controle de 2003 e 2005, e para as mulheres, 1,82 maior. Nos dias observados, a maior média de incidência se deu nas primeiras duas horas depois do iní­cio de cada partida.
 
Detectou-se, então, aumento significativo na incidência de infarto agudo do miocárdio após a equipe alemã perder uma disputa de pênaltis, e aumento na incidência de eventos cardíacos após a equipe alemã vencer uma disputa, também nos pênaltis.

Assim, os médicos do Campus Grosshadern e da Universidade Ludwig-Maximilians concluíram duas importantes premissas aos chamados eventos cardiovasculares: o estresse não é o simples resultado de um jogo – uma vitória ou uma derrota -, mas sim a intensa tensão e excitação experimentada durante a visualização de um jogo dramático, sobretudo em uma disputa de pênaltis; e, em particular na população alemã, o aumento significativo dos traumas cardiovasculares, composto tanto da síndrome coronariana aguda quanto da sintomática arritmia cardíaca, causadas pelo estresse emocional em relação aos jogos da equipe daquele país.
 
– Momentos de ansiedade ou raiva podem aumentar o tônus adrenérgico e a estimulação simpática do coração, com aumento de frequência cardí­aca, resistência vascular e pressão arterial. Estas alterações, por sua vez, levam a um aumento de demanda de oxigênio e risco aumentado de lesão vascular, potencializando a ruptura de placas. Estas adaptações podem levar a arritmias tanto por efeito direto como pelo desencadeamento de síndromes isquêmicas agudas – diz o cardiologista da Sobrac. 
 
– A relação do risco cardiovascular, e até mesmo de morte súbita entre torcedores e espectadores, já foi estudada em outros eventos esportivos não associados ao futebol. Uma análise européia constatou 1 morte para cada 589 mil expectadores de grandes eventos esportivos. Em uma relação direta com o futebol brasileiro, seria mais ou menos o equivalente a uma morte a cada 14 jogos do Campeonato Brasileiro de futebol, considerando-se um público médio de 45 mil pessoas – explica Zimerman, que acompanhou o basquete colegial norte-americano durante sua especialização na Universidade de Duke, na Carolina do Norte. – Devido a este risco não desprezí­vel, os jogos de basquete na Duke sempre tinham duas diferentes equipes para atendimento da parada cardíaca, uma para os atletas e outra para o público – completa.
 
Como se vê, durante a realização de uma competição como a Copa do Mundo de Futebol, os casos relacionados a problemas cardiovasculares ganham proporções ainda maiores. Por isto, vencer dentro de campo pode significar poupar vidas fora dele, diminuindo os índices de arritmias cardíacas e morte súbita.
 
E para não ficar à mercê destes resultados, vale destacar algumas medidas de prevenção: 
 
::  Não ingerir comidas muito salgadas – cuidado com alimentos como churrasco e pipoca.
:: Evitar excessos com bebidas alcoólicas.
:: Evitar o cigarrotabagismo.
:: Tomar pouco café ou produtos que contém cafeína (Chimarrão, chás, refrigerantes).
:: Relaxar antes das partidas – exercícios respiratórios que controlam a ansiedade.
:: Alimentos saudáveis e sucos naturais, entre eles o maracujá, são aconselháveis.
:: Quem já usa remédios para o coração deve consultar seu médico para saber se é possível tomar os medicamentos antes dos jogos.
:: Ficar atento aos sintomas de Arritmia Cardíaca: desmaio ou tontura forte; palpitação (sensação do coração batendo descompassado) e dor no peito.

Fonte: Baruco Comunicação Estratégica

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna