Viviane Bevilacqua: A essência do casamento nunca muda

Leia o texto da colunista publicado no caderno deste domingo

Novo livro do autor, Vivendo e Aprendendo, promete entrar para a lista dos mais vendidos
Novo livro do autor, Vivendo e Aprendendo, promete entrar para a lista dos mais vendidos Foto: Fabianio Accorsi, Divulgação

Coloque a palavra “casamento” no google para ver o que acontece. Aparecem pelo menos 2,3 milhões de páginas, sites, blogs e comentários. Ou seja: todo mundo fala do assunto. Bem ou mal, é um tema que nunca sai de moda. É uma indústria que rende muito dinheiro, e que faz os noivos esvaziarem os bolsos também.
Cada vez mais os casórios tornam-se superproduções. Espetáculos da Broadway perdem para as megafestas de ricos e famosos.
Tudo muito bom, tudo muito lindo. É vestido de princesa (para a noiva, daminhas e madrinhas, tudo combinando), bolo com mais andares do que o Empire States, decoração de fazer inveja aos palácios das histórias das mil e uma noites, lembrancinhas para os convidados que são verdadeiros presentes de luxo, DJs internacionais para a festa…
Os preparativos começam meses antes da grande festa. E eu fico pensando… Se a vontade de casar passar neste meio tempo, como
é que fica? Ah, sei lá. Não é que eu seja uma estraga-prazeres, mas essas coisas acontecem. Tem gente noivando hoje e reservando igreja pra casar em dezembro do ano que vem.
E se até lá ela descobrir que o cara não é assim tão maravilhoso quanto ela imaginava? Ou, então, se ele descobrir que ela não é a flor de formosura com que ele tanto sonhou? Ou, simplesmente, se numa bela manhã um olhar para a cara do outro e não sentir mais aquele friozinho na barriga, típico de casais apaixonados? Mesmo assim, será que eles devem se casar só porque já pagaram10 das 24 prestações da festa?
No meu tempo de noiva (nossa, falando assim pareço até uma “dinossaura”) a gente queria, mesmo, era um casamento romântico.
Claro que as superfestas sempre existiram, mas, naquela época, só gastava fortuna com o tal “enlace matrimonial” quem realmente tinha muita bala na agulha. Classe média, como era o meu caso (e continua sendo) se contentava com uma capelinha enfeitada com flores, talvez um violinista, um tapete vermelho e uma festa no clube para os mais chegados, poupando qualquer dinheirinho para gastar numa viagem de lua-de-mel.
E, por isso, o casamento valia menos? Tinha menos emoção? Claro que não. Se festa cara fosse garantia de felicidade conjugal, Ronaldo Fenômeno e Daniela Cicarelli não teriam se separado pouco depois da união oficial no Castelo Chantilly, na França. Ou a Sthefany Brito e o jogador Pato estariam juntos, felizes para sempre, e não brigando na Justiça por alguns milhares de dólares…

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