Viviane Bevilacqua: A falta que nos faz

Novos papais precisam descobrir que compartilhar tarefas pode ser crucial para estreitar o vínculo com o recém-nascido
Novos papais precisam descobrir que compartilhar tarefas pode ser crucial para estreitar o vínculo com o recém-nascido Foto: Novo Conceito, Divulgação

Existem certas coisas das quais a gente só se dá conta do quanto são importantes quando nos faltam. Quer um exemplo? Um dia de sol. Se o tempo está firme a semana inteira, o mês inteiro, de sol radiante e céu azul, nem notamos, e muito menos paramos para admirar a beleza do dia. Mas basta chover quatro, cinco dias seguidos pra todo mundo suspirar: “Ai que falta que o sol me faz.

“Minha casa está úmida, verte água dos azulejos, as roupas não secam. Não dá nem vontade de sair da cama…”. Fico pensando nas pessoas que moram em países do Hemisfério Norte, onde o sol é uma raridade. Não à toa, os índices de depressão por lá são bem mais altos do que nos trópicos. O sol tem este poder de “iluminar” a gente por dentro também. Minha amiga Mariana tem razões bem concretas para adorar um dia de sol, especialmente se for num final de semana. Mãe de três meninos com idades entre dois e seis anos, ela não sabe mais o que fazer para manter as crianças entretidas e felizes dentro de casa, quando chove. Nestas férias de inverno, a situação foi bem complicada porque o sol pouquíssimas vezes deu o ar de sua graça.

E fazer o que com a gurizada dentro do apartamento? Mariana foi à livraria e fez um estoque de livrinhos de história e para colorir, massinha para modelar, tinta guache, papel de desenho e joguinhos de montar. Abasteceu a cozinha com tudo o que precisava para fazer brigadeiros, bolinhos, pizzas, pastéis… Foi ainda à locadora, levando para casa desenhos que os meninos até já decoraram, de tanto que viram, mas que os mantêm entretidos por algumas horas. Enfim, depois de tudo isso, Mariana sentiu-se preparada para enfrentar o frio e a chuva de julho em casa com sua trupe, mas me confessou que não via a hora de as aulas recomeçarem. Os meninos mal abriam os olhos de manhã e já perguntavam: – Manhêê! Tem sol lá fora? Domingo a encontrei no parque. Sentada no solzinho, feliz da vida cuidando do Bob, o dálmata da família, e dos meninos, que jogavam bola, perto dali, com dezenas de outras crianças. Nunca tinha visto o parque tão cheio.

– Graças a Deus as aulas já vão recomeçar. Nem as crianças aguentam mais ficar em casa. Ainda bem que hoje, depois de tantos dias de frio, vento e chuva, o tempo melhorou. Olha só a alegria da gurizada lá no campinho – ela comentou. Realmente, criança gosta mesmo é de brincar na rua. De bochechas vermelhas e cabelo suado colado na testa, João, Pedro e Rodrigo, os filhos de Mariana, divertiam-se correndo atrás da bola. Estavam, enfim, gastando toda a energia acumulada dentro de casa nos dias de chuva. Eles só saíram de lá quando já estava anoitecendo. O pequeno, Rodrigo, mal conseguia manter os olhos abertos. Ele me deu um beijinho de despedida e disse: – Tchau, tia. Amanhã a gente se encontra aqui no parque de novo. Xi, Rodrigo. Não vai dar. A tia, amanhã, volta pro trabalho.

E você, provavelmente, terá que se contentar em brincar dentro de casa. O céu já está novamente cheio de nuvens escuras e o vento já balança as árvores no parque. Nossa primavera, em pleno mês de julho, durou pouco. Apenas um dia de domingo.

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