Viviane Bevilacqua escreve sobre os motoristas que não respeitam as filas

Sexta-feira à noite. Na SC-401, no caminho que leva às praias do Norte da Ilha, em Florianópolis, um congestionamento enorme. Tudo certo, se fosse verão. Mas em pleno inverno? Passa um cara a pé pelo acostamento e pergunto:

– Moço, você sabe se aconteceu algum acidente lá na frente? O trânsito está todo parado.

– Não, senhora. Este povo todo está indo para Jurerê. Tem um show de um grupo de pagode lá. E é bom a senhora não ter pressa. Tá assim parado até depois do viaduto – responde e prossegue.

Isso ele nem precisava ter dito. Eu conseguia ver, para o meu desespero, que a fila não andava. Sem poder me mexer, fiquei lá, só esperando e observando a reação dos motoristas.

Em poucos minutos, o que era para ser fila única transformou-se em três. Eu no meio, na pista certa. Um carro que veio pelo acostamento me esmagava de um lado, e, na esquerda, um veículo vinha grudado em mim, retrovisor colado com retrovisor. Dentro dos dois automóveis, turmas de jovens que não deviam ter mais do que 20 anos de idade, bebendo cerveja e escutando um som que retumbava nos meus ouvidos, de tão alto. Uma festa, com direito a garrafas de cerveja voando pela janela.

O motorista da esquerda tentou entrar na minha frente, e eu grudei no carro da frente, não dei passagem. Acho isso um absurdo. Os caras vêm, cortam fila e ainda te olham com cara feia se você não dá passagem. Ah não, comigo não.

Então, o motorista tentou grudar no veículo da frente, um pequeno caminhão com placas de Concórdia, e se deu mal. O motorista do caminhão não arredou pé e ainda puxou um pouco o veículo para a esquerda. Resultado: o motorista que se achava o dono da pista saiu com um lado inteiro do carro riscado, além do retrovisor quebrado.

Ele ainda teve a coragem de tentar puxar briga com o motorista do caminhão, mas foi contido pela namorada. Ela sabia que ele estava errado e que todos da fila acompanhavam atentamente o desenrolar da história e poderiam servir de testemunha das imprudências.

Eu, que normalmente sou contra qualquer tipo de violência, me senti vingada, com vontade até de bater palmas, porque esses motoristas que não respeitam filas merecem, mesmo, um castigo. E todos sabemos que não existe castigo melhor do que aquele que dói no bolso. Do caminhão, que tinha carroceria de madeira, não saiu sequer a tinta. Meu herói da sexta-feira!

Cada vez que preciso atravessar as pontes para ir ou voltar do centro de Florianópolis, principalmente nos horários de maior pique, quase morro de raiva destes motoristas que não respeitam a fila e, depois, se metem na frente dos outros, deixando o trânsito, já complicado, cada vez mais caótico. E o que mais me irrita é que raramente acontece algo com estes infratores, por falta de policiamento. Aí, onde a impunidade impera, os espertinhos tomam conta. E azar da gente, que teima em acreditar que as leis – incluindo aí as de trânsito – foram feitas para serem cumpridas. Nós passamos por trouxas.

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