Animais podem ser grandes aliados na hora de um tratamento

Especialistas afirmam que os mascotes têm poder de equilibrar as emoções, e, em alguns casos, restabelecer as funções do organismo por meio da troca de experiências

Ming se transformou na fiel escudeira da empresária após a morte do marido
Ming se transformou na fiel escudeira da empresária após a morte do marido Foto: Mauro Vieira

Quem procura ajuda psicoterápica tem grandes chances de sair da sessão com a indicação de um tratamento inusitado: a compra, ou adoção, de um bichinho de estimação. Prova de que o homem está na natureza – e que a natureza está no homem – a interação de seres humanos com pets é cada vez mais valorizada quando ganhos em saúde física e mental são necessários.

E não pense que a interação é sugerida apenas para que uma pessoa não se sinta tão solitária: é mais do que isso. Especialistas, sobretudo em saúde mental, costumam dizer que os mascotes têm poder de equilibrar as nossas emoções, e, em alguns casos, restabelecer as funções do organismo por meio da troca de experiências. É a chamada zooterapia.

– Ter um animal em casa não vai fazer com que pessoa deixe de sentir a dor da perda, nem curar uma depressão. Mas poderá contribuir bastante para a diminuição dessa dor, tirando um pouco do foco nela. Ao se distrair, a pessoa equilibra melhor suas emoções, sofrendo menos e administrando melhor a situação – explica o psicólogo Fernando Elias José.

Como um antidepressivo natural, e com pouca contraindicação, cuidar de um cãozinho, coelho, papagaio, gato ou cavalo é válido para os mais diversos tipos de problemas, desde aqueles que estão passando por uma depressão sazonal, como um luto, a indivíduos portadores de necessidades especiais, crianças com problemas de relacionamento ou aprendizagem, entre outros. Segundo o artigo publicado na revista Journal of Personality and Social Psychology, o estudioso Allen McConnel, da Universidade de Miami, disse que, em termos gerais, essas pessoas têm mais qualidade de vida e conseguem resolver melhor diferenças individuais do que as que não têm animal de estimação.

Outro estudo, publicado na American Journal of Cardiology, mostra que pessoas que interagem com animais constantemente tendem a apresentar níveis controlados de estresse e de pressão arterial, além de estar menos propensos a desenvolver problemas cardíacos.

O mecanismo que transforma um cãozinho companheiro em um forte aliado na qualidade de vida do seu dono passa, é claro, pela troca de afeto entre eles. Segundo a veterinária e doutora em Psicologia Ceres Faraco, discute-se várias questões que tangem a aproximação de pessoas com bichos, sobretudo os considerados mais próximos dos seres humanos, como cães e gatos.

– Eles auxiliam no tratamento porque proporcionam estímulos multissensoriais, que passam por questões como afeto, comunicação não-verbal, como estímulos visuais, táteis, auditivos, e a confiança. É como se a pessoa se sentisse praticamente “obrigada” a sair de dentro de si, pois o animal demanda afeto e faz nos sentir necessitados a atendê-los. Sem contar que o animalzinho não reclama, não pede nada em troca, não dá bola para aparência e o quanto alguém está sofrendo. No mundo animal não existe esse tipo de conflito – resume a especialista, ressaltando que a resposta positiva a essa “obrigação” é quase mágica para quem precisa se livrar de um sofrimento.

De acordo com a responsável pela Terapia Assistida por Cães da Associação Brasileira de Hippoterapia e Pet Terapia (Abrahipe), Paula Bicchile Suelotto, no contato de crianças, jovens e adultos portadores de necessidades especiais – seja por comprometimento motor, mental ou em ambos os aspectos – a utilização dos cães facilita muito o trabalho do profissional, pois o indivíduo atendido não considera que está em processo terapêutico, mas sim, brincando com os cães.

– Isso é importante porque as atividades fogem da rotina terapêutica à qual estão acostumados, gerando motivação em realizar as atividades, o que contribui muito para o desenvolvimento neuropsicomotor de nossos pacientes – afirma Paula.

Quem sabe bem disso é a empresária do ramo de alimentação Rossana Vecchio, 40 anos, que colhe há anos os benefícios da amizade com a cadelinha Ming. Rossana já era casada quando, em 2002, ganhou a simpática vira-latas de uma empregada. Sem filhos, ela e o marido viviam uma vida tranquila em Nova Prata, na Serra. Até que um acidente, em 2007, deixou Rossana viúva prematuramente.

– Meu marido estava voltando de um jantar de trabalho em Nova Araçá, perdeu o controle da direção e bateu numa árvore. Morreu na hora. Foi um choque – lembra a empresária.

Os primeiros seis meses meses de luto foram muito difíceis, por isso ela resolveu passar uma temporada na casa dos pais. Ming, é claro, foi junto.

– Desde o início ela parecia sofrer junto comigo. Ela se comunicava da maneira dela, parecia chorar comigo, dizendo que também sentia falta. Ela me amparava, me fazia sair de casa para passear, ter vida social, mesmo quando eu não achava que seria impossível – conta ela, que vive atualmente em Porto Alegre, com sua fiel escudeira.

– Ela é parte da minha história – finaliza.

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