Como pôr as modelos na linha

Ex-boxeador faz sucesso ensinando exercícios específicos para moldar o corpo de modelos

Foto: Robert Caplin


Para as modelos, o ex-lutador Michael Olajide Jr. é o peso-pesado dos treinadores, o cara a quem recorrem quando têm pressa de entrar em forma para desfilar.

Para a semana de moda de Nova York, ele treinou 15 garotas que precisavam emagrecer para entrar nas roupas – o problema mais comum é sempre o quadril. Em preparação para os desfiles da temporada do ano passado, outras 12 aspirantes a modelo passaram a frequentar a Aerospace High Performance Center, a academia espaçosa em Manhattan que Olajide possui em parceria com a ex-bailarina Leila Fazel.

O treinamento pesado e intenso do ex-atleta inclui sequências rápidas coreografadas de socos (no ar, não nos rostos lucrativos umas das outras) combinadas com intervalos pulando corda num ritmo forte como não se vê em nenhum playground. O som das aulas muitas vezes se parece com o de uma tempestade de granizo, tamanho é o barulho das cordas batendo no piso. Cada uma pesa 340 gramas.

? Gosto de dizer que não existe essa coisa de “fusão a frio” – diz Olajide. – É preciso estar com o corpo quente se quiser queimar calorias e emagrecer.

Ele alega que pular corda faz o corpo se movimentar mais rápido que qualquer outro exercício, transformando o metabolismo “numa verdadeira grelha”.

Olajide, 49 anos, era um boxeador peso-médio bem qualificado, até que uma lesão o deixou praticamente cego do olho direito e encerrou sua carreira. Ele trabalha com a indústria da moda desde os anos 90. Nunca soube exatamente o que atraiu as primeiras beldades para sua aula, embora ajude o fato de estar sempre bem vestido e elegante.

A lista de treinadas por Olajide inclui tops como Iman e Linda Evangelista. A brasileira Adriana Lima, 31 anos, trabalha com ele há sete. Depois do nascimento da segunda filha, em setembro de 2012, ele chegou a treiná-la seis horas por dia e sete dias por semana durante um mês para prepará-la para um dos pontos altos de sua carreira, o desfile da Victoria’s Secret. O caso da baiana, porém, foi extremo. A maioria dos treinamentos envolve uma hora por dia, às vezes duas.

Olajide reconhece que o peso perdido pode voltar rapidinho se o treinamento e a dieta pré-desfile forem suspensos.

? É como os boxeadores, que têm um peso de apresentação e um peso no dia-a-dia – ele diz. – É uma questão de saber até que ponto elas estão mentalmente preparadas para o sacrifício, quanta fome estão dispostas a passar.

Os exercícios das modelos são diferentes dos que esculpem os meros mortais. As flexões são proibidas ? desenvolver o peito é péssima ideia ? assim como os agachamentos e repetições pesadas, que deixam o bumbum muito arredondado para caber nas roupas (esse tipo de exercício só é permitido às modelos de lingerie, que precisam ter mais curvas.) Os abdominais também são poucos.

– Quando eles queimam gordura para valer, a barriga vira tanquinho, o que não é o ideal para elas – explica. – Barriga de modelo tem que ficar chapada. Se ficar muito dura ou muito definida, é contraproducente.

Na Aerospace, nos dias que antecedem os desfiles, as modelos usam leggings para evitar marcas e hematomas se a corda escapar acidentalmente. Concentração é boa coisa, mas uma testa enrugada também é mau sinal.

– Tem que relaxar o rosto – Olajide diz a elas com a voz suave tão calma que, às vezes, dá até medo de ouvi-la.

Mais tarde, ele explicou:

– Se você franze a testa durante uma, duas horas por dia, ela vai ficar desse jeito. Não posso deixar que saiam daqui com rugas que não tinham quando entraram. Perderiam o emprego rapidinho, assim como eu.

 

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