Sem inibição nem rotina: a sex coach Tatiana Presser ensina como ter uma vida sexual mais feliz

Foto: Pixabay
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“Vem transar comigo.” Com esse título e nenhuma cerimônia, o livro de Tatiana Presser convida a falar de sexo com naturalidade e bom humor. Da vergonha que limita o prazer, passando por preliminares, masturbação, fantasias e algo mais, a psicóloga e sex coach carioca apresenta um manual básico – às vezes bem prático – para ter uma vida sexual saudável.

Tatiana iniciou sua trajetória profissional no ambulatório de ginecologia da Santa Casa de Misericórdia, no Rio, e hoje atua como educadora sexual e mantém um consultório onde ajuda quem ser mais feliz na cama. Seu jeito descontraído, não hesitando em compartilhar suas próprias experiências, já conquistou o público: o canal no YouTube que leva seu nome já soma quase 6 milhões de acessos desde 2009. Não raro, ela convoca o marido, o ator Nizo Neto, para uma participação especial, assim como o usa de exemplo de quando em quando no livro. Como ele mesmo diz no livro, “ser cobaia de sexpert tem seu preço”.

Em entrevista por e-mail, Tatiana apontou os grandes desafios para ter mais prazer no sexo:

ELAS X ELES

As dúvidas
“Primeiro, a falta de conhecimento de anatomia. As pessoas realmente não têm a menor noção de onde é o clitóris, onde é o ponto G, quais são os pontos mais sensíveis do pênis. A segunda coisa seria essa ditadura do orgasmo. As pessoas estão sempre muito preocupadas em chegar ao orgasmo. O homem é sempre muito preocupado em como fazer a parceira chegar ao orgasmo via penetração. Tudo é voltado para o orgasmo, e as pessoas não curtem a viagem. É uma obsessão tão grande por conta disso que a transa não fica prazerosa e passa a ser uma frustração.”

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As preocupações

“O homem está sempre muito preocupado em levar a mulher ao clímax e com o tamanho do pênis. Preocupa-se muito também em retardar a ejaculação, o que não é uma coisa negativa, porque, assim, passa a aprender mais sobre o seu corpo e a ter mais controle sobre o próprio orgasmo. Ele quer aumentar e melhorar o prazer. Já as questões das mulheres são muito em relação a desejo: falta de vontade de transar, preguiça, não conseguir chegar ao orgasmo. Muitas sofrem com baixa libido e nunca chegaram ao orgasmo.”

Fantasias no feminino
– Não foi à toa que uma das últimas frases de Freud foi ‘O que quer uma mulher?’. As mulheres têm fantasias mais complexas, elas são mais complexas. A mulher quer que o outro saiba o que ela quer sem dizer nada, via transmissão de pensamento, e isto é exigir algo que, na verdade, é uma utopia. Mas, quando as mulheres se livrarem da vergonha, vão conseguir passar os seus desejos para o outro.”

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OS DESAFIOS

Vergonha por quê?
“A vergonha é um sentimento inútil nesse cenário porque atrapalha o casal. Você ter um desejo e não ter coragem de admitir pra si mesmo. A mulher depende muito da fantasia para se masturbar, por exemplo, e o homem é muito mais visual. Então, pra ele um filme ou uma revista podem funcionar. A mulher precisa mais da fantasia, mas ela tem medo da própria fantasia, então ela tem vergonha de si mesma. E masturbação com culpa e sem culpa são duas experiências completamente diferentes. Os casais que evoluem sexualmente hoje em dia riem dessas vergonhas tolas de antigamente e percebem que se não tivessem tido tanta dificuldade em ultrapassar essas questões teriam se divertido muito mais nos últimos cinco, 10 ou 15 anos de casamento.”

(Divulgação)

Superando a inibição
– Até ontem, tudo era pecado e agora sexo está na moda. Mas há vários sinais de que estamos conseguindo ultrapassar esta questão. A própria questão do sexo anal. Antigamente, em um grupo de 10 mulheres apenas quatro tinham curiosidade. Hoje, uma média de oito entre 10 alunas ficam loucas para que minha aula chegue na parte do sexo anal, para saberem como fazer sem dor. Cada vez mais as pessoas estão encarando o sexo sem maiores culpas ou vergonhas. Mas vergonha é algo muito difícil de ultrapassar, principalmente com o próprio parceiro. Costumo dizer para os meus alunos que a gente tem que desconstruir as fantasias: ir devagarinho entrando nelas para ir até onde acha que pode ir.”

A rotina
“A rotina é a pior dos inimigos. Depois de cinco anos de convivência, a frequência sexual baixa mais de 50% e a minha questão toda é essa. Em vez de você olhar para o lado e encontrar outra pessoa, se existe amor na relação é melhor você resolver a questão ali _ senão daqui a cinco anos você vai estar no mesmo lugar. O cérebro se vicia em tudo o que você faz. Então, em um determinado momento, não vai ter surpresa nenhuma. Por isso a tal da novidade é tão necessária. Você precisa enganar seu cérebro. Mas, de novo: essas novidades não precisam ser grandes produções, e, sim, nuances que vão trazer prazer e mais desejo.”

NOVOS HÁBITOS

Clima antes do sexo
“Entrar no clima antes do clima chegar é essencial, especialmente para a mulher. A gente não é máquina. Tudo é muito rápido: leva a criança para a escola, vai para o trabalho. Mas, para entrar no clima do sexo, não é tão rápido assim. Especialmente nas relações de muito tempo. Um dos grandes segredos para a gente aumentar a vontade e o desejo é se autosseduzir, pensar nas fantasias, se masturbar, vestir a lingerie para você mesma. É muito difícil, depois de um dia corrido e estressante, que você funcionou como uma máquina, de uma hora para outra estar pronta, sexy e a fim de transar. A mulher não funciona assim.”

Primeiro beijo é até mais lembrado do que a primeira relação sexual

Beijo X Selinho
“O selinho não tem o menor valor erótico. As pessoas perderam o hábito de dar um beijo de língua que realmente dá um friozinho na barriga e uma chacoalhada no casamento. Por isso, acho tão importante fazer um esforço consciente para tentar mantê-lo. Só isso já dá uma melhorada, assim como o toque, que libera oxitocina, o hormônio do amor. Dentro e fora da cama, quanto mais o casal se toca, mais cria essa sensação de intimidade e de vínculo.”

Esqueça a superprodução
“As pessoas acham que precisam de uma grande produção para inovar no sexo. Se você ficar sempre pensando nisso, vai encher o saco rapidamente. É muito mais eficaz investir em conhecimento do seu próprio corpo e no corpo do outro pensando em ângulos diferentes, em utilizar um brinquedo ou até uma lingerie. Algo que faça a mulher se sentir mais desejada, não necessariamente algo para o outro. Os clichês são infinitos. Basta abrir uma revista feminina para ver isso. Mas alguns clichês vão funcionar e outros vão cansar rapidamente. É difícil você usar algo descartável, como se vestir de um grande personagem e acha que isso vai ser a grande mudança na sua vida sexual.”

Foto reprodução
O livro Vem transar comigo é do selo Bicicleta Amarela, da Rocco e tem 272 páginas

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