Detox funciona? E eliminar carboidratos? 12 verdades nuas e cruas sobre dietas

Não existe milagre, apesar de muita gente ainda correr atrás de algum: a dica para perder peso é aliar esforço, disciplina e saúde

Emagrecer e tonificar o corpo para o verão que se aproxima é um dos piores pesadelos para qualquer mulher. Melhor dizendo, é um pesadelo para qualquer ser humano minimamente preocupado com a própria aparência e saúde. É na carona do desejo de estar (e sentir-se) bem nos meses de calor que aparece a dieta do momento. Da lua, do tipo sanguíneo, da sopa, do abacaxi e uma infinidade de outras dietas já surgiram, sempre às vésperas do verão e com a promessa de resultados perfeitos. Mas, assim como surgiu, a maioria desapareceu sem entregar o que prometia.

Para ajudar os pobres mortais que ainda nutrem esperança de exibir um corpo com poucas gorduras pelas praias do mundo, Donna foi consultar uma especialista em emagrecimento para esclarecer todas as dúvidas a respeito do tema. Se você está esperando a indicação da dieta do momento ou do regime que dá resultado sem sofrimento, esqueça. O recado principal da médica Graciele Tombini, especialista em endocrinologia e metabologia, é que não há milagre. Esforço, disciplina e uma total reeducação alimentar são os segredos para perder peso com saúde e, principalmente, não recuperar os quilos na metade do tempo que se gastou para perdê-los.

1. Dieta da proteína

“A gente sabe que funciona. Quando o organismo não recebe carboidratos, entra em uma rota metabólica chamada gliconeogenese, que é a transformação de gorduras e proteínas em glicose. Quando a pessoa não ingere a glicose em sua forma original, que é o carboidrato, é isso o que acontece. Ao entrar nessa rota metabólica, o corpo queima muito mais gordura. Por isso, a dieta da proteína é, sim, uma das mais eficazes que existem. O problema dessa dieta é, em primeiro lugar, a dificuldade de execução. É difícil mantê-la no dia a dia. E, em segundo lugar, é preciso tomar alguns cuidados antes de sair fazendo esse regime. Por exemplo, quem faz atividade física não pode ingerir apenas proteínas, pois precisa da energia do carboidrato para ter desempenho. Quero deixar claro que eu não sou a favor dessa dieta, não aplico o método nos meus pacientes, com raras exceções. Só se um paciente precisa de uma dieta de choque, daí penso em fazer por uma semana, não muito mais do que isso. Mas usar isso como um estilo de vida, não. Não é uma reeducação alimentar. Fruta, por exemplo, tem carboidrato, mas também tem fibras e vitaminas necessárias ao funcionamento do corpo. Então, eu defendo uma dieta equilibrada e não uma restrita às proteínas. Mas tenho que dizer que a dieta das proteínas funciona, sim. E pode ser interessante, se bem orientada.”

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2. Redução na ingestão de carboidratos, sem eliminá-los da dieta

“Funciona, e muito. O carboidrato, além de tudo, tem o poder de reter líquidos. Por isso, quando se faz uma dieta de proteínas, as pessoas desincham. O emagrecimento rápido é, também, perda de líquidos, e não somente de gorduras.”

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3. Dieta da eliminação do glúten

“Não existe redução de peso por simplesmente cortar o glúten de pessoas que não apresentam intolerância ou doença celíaca. O glúten é a proteína presente em cereais como o trigo, centeio, cevada e aveia. Se a pessoa fizer escolhas inteligentes ao retirar o glúten da alimentação, ou seja, substituí-lo por carboidratos ricos em fibras e com baixo índice glicêmico, ok. E se isso for associado à ingestão de um número reduzido de calorias, ocorrerá o emagrecimento. Porém, simplesmente retirar o glúten não funciona. Caso as substituições sejam erradas, a pessoa pode até engordar.”

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4. Dieta ortomolecular

“Já foi banida há bastante tempo. Este assunto não faz parte do meu cotidiano, mas podemos dizer que, por definição, ortomolecular é analisar os elementos que estariam deficientes no organismo e, a partir daí, suplementá-los. Mas não existe essa especialidade médica. O Conselho de Medicina não reconhece.”

5. Análise do DNA para definir dieta e alimentação

“É o futuro, na minha opinião. Falar de nutrigenética e nutrigenômica é descobrir, por meio de exames, exatamente o que uma pessoa pode ou não pode comer. Isso é o futuro, será um grande avanço quando se puder descobrir tudo pela análise do DNA. Mas esses exames ainda não nos norteiam. Eles ainda apontam poucas coisas, e o que apontam é necessário comprovar por meio de exames laboratoriais convencionais. Já existem exames como estes aqui, que inclusive apontam predisposições a doenças associadas à alimentação.”

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6. Dieta ideal

“A que eu considero ideal é a dieta de baixo índice glicêmico, que consiste em escolher o carboidrato que tem absorção mais lenta e combiná-lo com uma quantidade maior de proteína do que em uma dieta padrão. É uma das técnicas com o maior índice de sucesso. Não retirar o carboidrato, mas substituir os alimentos com alto índice glicêmico pelos de baixo. O índice glicêmico é a velocidade de absorção de um alimento, neste caso, um carboidrato. Se este alimento é digerido rapidamente, vai virar açúcar no sangue com maior velocidade. Este pico de glicose gera um consequente pico de produção de insulina no pâncreas, para processar este açúcar. Toda a glicose que estiver no sangue e não for estocada nas células por esta insulina produzida, se transforma em gordura armazenada. Por isso, muitas vezes comer um cacetinho ou uma batata inglesa é tão ruim para o organismo como comer um doce. Mas aí as pessoas vão perguntar: como saber o índice glicêmico dos alimentos, já que essa informação não vem discriminada nos rótulos? A dica é ingerir alimentos com mais proteína, que automaticamente têm menor índice glicêmico. Ao se deparar com dois iogurtes, um com 10g e outro com 4g de proteína, escolha o de 10g. Ele tem o menor índice glicêmico, pois a digestão será mais lenta no estômago, com menores picos de produção de açúcar. Também podemos escolher alimentos com mais fibras, cuja digestão também é mais lenta. A conta é mais ou menos assim: digestão mais lenta, índice glicêmico menor. E vice-versa. Esse é um dos motivos pelos quais a dieta da proteína funciona, como uma dieta de ataque.”

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7. Detox radical

“Não tem nada que comprove que o detox promove, de fato, uma limpeza no organismo. Acho, sim, que isso pode provocar perda de massa muscular, pela falta de muitos nutrientes. O suco verde é um bom hábito alimentar, claro. Mas também não há comprovação científica de que a bebida, em si, tenha efeitos de emagrecimento ou de desintoxicação. Ele tem propriedades, tem a couve, a maçã. Mas comer a couve no almoço e a maçã no lanche dá no mesmo. Não recomendo fazer esses detox. Não funciona. O que funciona, sim, é pensar sobre o total calórico ingerido, por exemplo, em um final de semana. Nos próximos dias, a pessoa deve, sim, controlar a alimentação. Mas não embarcar nessas coisas radicais. Uma dieta com pouco carboidrato, um pouco mais restritiva para compensar os excessos, é suficiente.”

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8. Efeito sanfona

“Perder peso muito rapidamente pode ser bom, para o estímulo de continuar em um estilo de vida mais saudável. Por outro lado, em regimes drásticos, a pessoa não só perde gordura, mas perde massa muscular também. E a massa muscular é fundamental para o metabolismo, pois quanto mais músculos no corpo, mais ele gasta energia quando está parado. Se a pessoa perde músculo, seu metabolismo de repouso cai e ela engorda apenas por comer a mesma coisa que comia antes. A cada perda muscular, o metabolismo fica mais lento. Esse é uma das piores consequências do efeito sanfona, pois fica cada vez mais difícil emagrecer.”

9. Carboidrato à noite pode?

“Pode. É possível elaborar uma dieta de redução de peso com carboidrato à noite. É preciso haver déficit calórico, ou seja, a pessoa tem que ingerir menos calorias do que gasta diariamente para perder peso. Em geral, um déficit de 500 calorias proporciona uma perda de, mais ou menos, um quilo por semana. Respeitando este cálculo, ela pode, sim, comer carboidrato à noite. Temos que levar em conta, porém, que a noite é o período em que o corpo mais armazena, pois o gasto calórico é menor. Todo o excedente tende a se transformar em gordura. Mas isso não acontece em uma dieta calculada por médico ou nutricionista.”

10. Medicamentos

“Existem algumas classes de medicamentos relacionados às dietas: os anorexígenos, os sacietógenos e os que alteram a absorção de nutrientes, como aqueles que reduzem a absorção de gordura no intestino. Os anorexígenos foram proibidos no país, mas estão voltando, porque em alguns casos eles realmente funcionam. São remédios baratos, oferecidos até pelo SUS, que realmente ajudam algumas pessoas. Eles agem no sistema nervoso central e inibem o apetite. Eu, particularmente, não gosto, porque eles não reeducam. Quando as pessoas param de tomar, há grande incidência de efeito rebote e voltam a engordar. Mas há médicos que defendem que a obesidade é uma doença crônica, que precisa ser tratada como tal, de forma contínua. E, de fato, muitos pacientes se beneficiam desses remédios, pois baixam de peso e aumentam a expectativa de vida. Eu prefiro não usar, mas reconheço a importância. Depois, há os sacietógenos, que agem na serotonina e aumentam a saciedade.”

11. Álcool

“É uma questão complicada para quem quer perder peso. É só fazer a conta: 1g de açúcar tem quatro calorias; 1g de álcool tem sete calorias. Mesmo em uma dieta em que o índice glicêmico é mais importante do que as calorias, elas ainda importam na conta final. E o álcool é bem calórico. Mas não é necessário cortar tudo. É possível elaborar um programa com ingestão de álcool – ingestão menor, claro. Aí vem a pergunta: vale mais a pena comer um doce ou tomar uma cerveja? Como o açúcar tem absorção muito rápida, pode-se dizer que eles competem em igualdade. São duas escapadas na dieta que prejudicam o resultado final. Em termos gerais: uma mulher que quer emagrecer não pode ultrapassar as duas ou três doses de bebida alcoólica por semana (por dose, se entente 150ml de vinho, uma long neck de cerveja ou 50ml de destilado); já o homem não deve ultrapassar seis doses.”

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12. Reeducação alimentar

“O segredo é o equilíbrio. Acho que temos que colocar mais proteínas na dieta, reduzir um pouco o carboidrato e ingerir gordura na medida certa (a gordura também é importante para a saúde). Por que as pessoas estão cada vez mais obesas se tudo é low fat, light ou sem gordura? Por que diminuíram a gordura, mas aumentaram muito os carboidratos. Esse excesso é um problema. Mas eu não defendo as dietas riquíssimas em gordura e proteína, como Atkins. O segredo é o equilíbrio.”

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