Dia do sexo: mais de metade das mulheres brasileiras não usa camisinha, afirma pesquisa

Foto: Lucio Sassi, Agência RBS
Foto: Lucio Sassi, Agência RBS

Um estudo brasileiro indica que 52% das mulheres não usam camisinha nas relações. Entre os motivos apontados pelas entrevistadas está o desconforto na hora da compra. O número preocupa a antropóloga Mirian Goldenberg, que atribui o fato à desigualdade entre gêneros.

O levantamento, feito pela marca de preservativos Olla, ouviu mil pessoas entre 18 e 35 anos. O ato de comprar camisinha é visto como uma tarefa muito desconfortável por 42% das mulheres e 37% delas dizem se sentir julgadas no momento da compra. Já entre os homens, 72% declaram achar “natural e tranquilo” adquirir a proteção. Mais: enquanto quase metade dos homens diz sempre levar preservativos onde forem, menos de um quarto delas os carregam na bolsa.

Para a especialista em comportamento feminino, o constrangimento ainda está relacionado ao medo que muitas mulheres sentem de ser julgadas como promíscuas.

– É a dupla moral sexual: os homens são mais livres sexualmente e até mesmo estimulados a ter uma vida sexual ativa e diversificada. Já as mulheres seriam representadas socialmente de forma muito negativa, sofrendo inúmeras acusações, tais como: promíscuas, fáceis, periguetes etc – explica.

Não apenas as mulheres deixam de usar preservativo: 47% dos homens entrevistados responderam o mesmo. Um dado que impressiona é que 63% das pesquisadas afirma já ter feito sexo sem camisinha porque nenhum dos dois tinha o preservativo no momento da relação. O resultado é um alerta para disseminação de diversas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), principalmente o vírus HIV.

O resultado do levantamento surpreende Mirian, pois os participantes fazem parte da “geração pós-aids”, por conta da faixa etária. Segundo a especialista, esse grupo cresceu com muito acesso a informações sobre a importância do uso da camisinha como o meio mais eficiente, simples e barato de proteção contra a aids.

Espaços de debate

A série Os Dias Eram Assim, que está no ar na TV Globo, mostra o caso de Nanda, personagem de Julia Dalavia, que descobre ser portadora do vírus. Com ambientação nos anos 1960, o enredo apresenta as dúvidas de Nanda e sua família em relação à doença, que na época era praticamente desconhecida em território nacional.

E, na semana passada, o programa Saia Justa, comandado por Astrid Fontenelle, debateu o início da venda dos testes domésticos de detecção do HIV. A chegada às farmácias deu-se pelo aumento de casos da doença entre alguns grupos. Entrevistado pela produção do programa, Esper Kallás, médico infectologista e especialista no assunto, alertou:

– Um dos maiores desafios da epidemia de HIV e aids, no Brasil, é saber quem tem o vírus. Durante muitos anos, se tentou implementar o uso da camisinha como forma de prevenção, mas existe uma parcela grande da população que não usa.

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