Endometriose é a doença da mulher moderna, diz especialista

De 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva são vítimas da endometriose

Mais menstruações e menos filhos aumentam riscos
Mais menstruações e menos filhos aumentam riscos Foto: Carlinhos Rodrigues

A endometriose é a doença da mulher moderna, diz o pesquisador Maurício Simões Abrão, professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecológica da Faculdade de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva.

De acordo com Abrão, a mulher moderna menstrua mais, tem menos filhos e demora para engravidar. Essas características, somadas ao estresse, fatores imunológicos e ambientais, fazem da patologia a doença da mulher moderna. Estima-se que 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva sejam vítimas da endometriose.

O especialista fará palestra direcionada a médicos em Porto Alegre neste sábado, ao lado do radiologista Manoel Gonçalves, abordando novidades no diagnóstico e no tratamento da doença. A palestra será no auditório do Centro de Pesquisa e Reprodução Humana Nilo Frantz (Av. Dr. Nilo Peçanha, 1221), das 8h às 12h.

Antigamente, a endometriose atingia mulheres entre 30 e 40 anos. Hoje, com a chegada precoce da puberdade, ela aparece em pessoas mais jovens. A endometriose ocorre quando o endométrio é implantado fora do útero, o que gera um quadro inflamatório nas partes atingidas pelo tecido. O fato de as mulheres menstruarem mais atualmente gera mais possibilidades do sangue voltar às cavidades uterinas e acentuar os riscos de endometriose, explica o especialista.

Prevenção

Consultas regulares ao ginecologista permitem à paciente uma melhor prevenção e controle da endometriose. O diagnostico é feito com avaliação clínica. A doença, quando diagnosticada cedo, pode ser controlada com pílulas anticoncepcionais ou com outros métodos que fazem uso do hormônio progesterona. Em casos mais avançados, os especialistas chegam a utilizar meios cirúrgicos.

Segundo Abrão, o procedimento cirúrgico mais indicado é a laparoscopia, pois ele permite visualizar os pontos afetados e neles fazer a intervenção necessária a partir de pequenas incisões abdominais. As pílulas combinadas ou o DIU (dispositivo intra-uterino) medicados com progesterona são alternativas terapêuticas para o tratamento.

Entre os sintomas da doença estão fortes cólicas menstruais, infertilidade, dores durante a relação sexual e alteração urinária durante a menstruação. Os indícios podem ser descobertos durante diagnóstico clínico ou a partir de exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética.

Nos casos de infertilidade, o tratamento é direcionado na tentativa de a mulher engravidar. Já na endometriose da cicatriz umbilical e da cicatriz cirúrgica, a simples retirada cirúrgica da lesão é suficiente.

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