Enxaqueca atinge três vezes mais mulheres. Saiba como enfrentar o problema

Camila Maccari, especial

A dor é forte e qualquer estímulo exterior parece ter o poder de aumentá-la ainda mais, seja um barulho de televisão ou a luz que, em qualquer outra situação, seria inofensiva. É a enxaqueca, um mal que atinge três vezes mais mulheres do que homens.

Fábio Porto, neurologista do Hospital de Clínicas de São Paulo, explica que quem tem enxaqueca é geneticamente predisposto a ter crises sem nenhuma causa específica. A tolerância a dor é menor, por isso  a luz ou o barulho incomodam. Mas e por que mais mulheres sofrem com isso? Uma explicação possível, aponta a neurologista e cefaliatra Eliana Meire Melhado, são os fatores hormonais:

– O anticoncepcional pode desencadear crises de enxaqueca, há mulheres que melhoram e há as que têm uma crise pela primeira vez depois de tomar a pílula. A entrada de um hormônio pode ser reconhecido de forma estranha pelo cérebro. O que pode ajudar a contornar é usar pílulas de menor dosagem porque, dessa forma, as variações de dosagem quando a mulher menstruar serão menores.

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Mas a médica afirma que a questão hormonal não é única razão. De acordo com os especialistas, falta ou excesso de sono, alimentação desregulada, álcool, estresse e ansiedade ajudam a desencadear crises. Mas você precisa prestar atenção porque cada organismo é diferente. Porto destaca que, muitas vezes, é possível passar a vida sem conseguir identificar um gatilho:

– Existem listas de alimentos que não são recomendados, mas são feitas a partir de experiências de pacientes, não há provas científicas, então sabemos que a alimentação pode desencadear, mas não é algo certo para todo mundo. Tem quem corte o álcool e as crises param completamente, tem quem corte o chocolate e também funciona. Mas tem pessoas que também fazem o corte e não tem diferença nenhuma. É muito específico.

ENTENDA OS SINTOMAS

Nem toda dor de cabeça é enxaqueca, que geralmente vem acompanhada por outros sintomas.

  • Náusea e vômitos são comuns, assim como a fotofobia, que é a intolerância à luz, e a fonofobia, que é a intolerância ao barulho não alto. Também pode fazer parte do quadro a dificuldade de realizar as tarefas rotineiras. Além disso, a dor é intensa, pulsada e prolongada e pode durar mais de seis horas, como explica o neurologista Fábio Porto.
  • Não é enxaqueca: aquela dor de cabeça tipo tensional, geralmente parece um peso ou um aperto, mas não vem acompanhada de náusea ou vômito nem impede os afazeres. A pessoa até pode ter fotofobia e fonofobia, mas os fenômenos dificilmente aparecem juntos, completa a cefaliatra Eliana Meire Melhado

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Enxaqueca com aura
Os neurologistas explicam que a enxaqueca não traz riscos maiores para a mulher, mas é preciso ficar atenta ao tipo de enxaqueca. As dores de cabeça que vêm acompanhadas por outros perturbações na visão, formigamentos ou alterações na fala antes ou durante a crise são conhecidas como enxaqueca com aura e podem desencadear outros problemas.
– Esse tipo de enxaqueca associado ao uso de pílulas contraceptivas à base de estradiol trazem um risco de acidente vascular isquêmico. Quanto maiores os fatores, como tabagismo, obesidade e diabetes, por exemplo, maior o risco de AVC _ explica Eliana.

COMO LIDAR

  • Descanse
    Durante as crises, busque um lugar calmo e escuro e tente descansar. Porto afirma que tentar realizar as atividades cotidianas nesse estado pode, ainda, piorar o quadro. Além disso, tente ficar calma. Apesar do desconforto e da dor, lembre-se que o estresse gerado pela ansiedade pode ser ainda pior.
  • Faça um diário
    A melhor maneira de saber como lidar com o quadro é se conhecer. Se você ainda não tem ideia da frequência das crises, por exemplo, vale a pena começar a anotar quando aparecem, como foi, qual o contexto do seu dia. Isso vale para a alimentação também – pode ser que nenhum alimento tenha influência, mas você também pode reparar que as crises acontecem justamente depois de uma taça de vinho.
  • Fique atenta à frequência
    Eliana explica que se as crises forem raras, tudo bem tomar um analgésico logo que sentir o início da dor. Mas se perceber que estão mais frequentes, busque um médico para adaptar um tratamento que seja mais efetivo.
  • Saiba quando e como medicar
    Há remédios que ajudam a lidar com a dor e, dependendo, até a evitá-la, mas Porto destaca que é importante avaliar a frequência das crises para ver qual a melhor maneira de medicar:– Se a pessoa tem mais de quatro crises por mês, por exemplo, o indicado é fazer um tratamento profilático: você toma o remédio todo o dia, não importa se tem ou não tem dor e isso reduz muito a frequência.Eliana destaca que saber o melhor tipo de medicação evita um erro muito comum entre pessoas com enxaqueca: o de se automedicar com analgésicos frequentemente.–Às vezes, a pessoa tem muitas crises seguidas e passa ingerir analgésicos indiscriminadamente, o que só piora a situação porque pode ficar ainda mais intolerante. Se você usa analgésico mais de 10 vezes ao mês, isso já é considerado excessivo.

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