Ginecologista destaca mitos e verdades sobre o uso de anticoncepcional

Médico responde algumas das dúvidas que perturbam as mulheres quanto ao uso da pílula

Foto: Ricardo Chaves

Não adianta, o uso do anticoncepcional é uma preocupação feminina constante e pauta muitas das reuniões entre mulheres. As dúvidas sobre a melhor maneira de tomar a pílula aparecem frequentemente e os mitos se propagam cada vez mais.

Sendo assim, o médico  José Bento, ginecologista e obstetra dos hospitais Albert Einstein e São Luís, aproveitou para esclarecer algumas das principais dúvidas quando o assunto é anticoncepcional. Confira:

1. Qualquer pessoa pode tomar pílula anticoncepcional?
“Não. A mulher, antes de tomar pílula, precisa passar por uma consulta com o ginecologista a fim de saber se ela pode ou não tomar o medicamento”.

2. Há algum modo de prever a compatibilidade da pílula com a pessoa que não seja por tentativa e erro?
“Não. Não tem jeito, só mesmo tomando o contraceptivo para saber se haverá algum efeito colateral. O que existe são algumas contraindicações que o médico vai detectar para melhor orientar a paciente, como por exemplo: mulheres com doenças hepáticas, antecedentes de trombose, câncer de mama, câncer de útero e câncer de ovário não devem tomar pílula. Nestes casos, o médico indicará outros métodos contraceptivos.”

3. Como é feita a escolha do melhor contraceptivo para a mulher?
“A mulher sempre deve escolher o contraceptivo junto com seu médico. Somente um profissional pode indicar uma pílula que tenha menos efeitos colaterais, com menor taxa de hormônios e que seja mais adequada para aquela paciente específica. Por exemplo, para uma paciente que tenha a pele oleosa, o médico vai escolher uma pílula que vai ajudar a melhorar a pele; para aquela que tenha fluxo muito aumentado, ele vai indicar uma pílula que vá diminuir o fluxo; e assim por diante. Portanto, é o médico que vai escolher junto com a paciente, e após exames ginecológicos, qual o método contraceptivo mais indicado.”

4. Quais são os anticoncepcionais mais indicados?
“Aqueles com menor dosagem hormonal. É sempre preferível escolher a pílula com menor dosagem, porque, em tese, terá menor efeito colateral para o organismo da mulher. Porém não é regra, é preciso conversar com um médico para que ele possa identificar quais os métodos mais indicados para aquele organismo.”

5. Pessoas que sofrem com problemas de circulação podem utilizar a pílula?
“As pílulas anticoncepcionais não são recomendadas para pessoas com problemas de circulação. No entanto, é necessário que a mulher converse com um ginecologista para avaliar o caso. Normalmente, os médicos recomendam as pílulas de baixa dosagem, que contêm menos hormônios e têm menos efeitos sobre a circulação.”

6. Existe alguma pílula no mercado que ofereça maior risco para a saúde, como aumentar as chances de desenvolver trombose ou outras doenças?
“Não. Todas as pílulas, independente do fabricante, podem aumentar o risco de trombose, dependendo do perfil da mulher, ou seja, se ela é obesa, tem histórico familiar ou é fumante. Vale lembrar que também existe risco de trombose para quem engravida ou anda de avião por longos períodos. Portanto, somente um médico pode indicar qual a melhor pílula ou método anticoncepcional que cada mulher deve utilizar.”

7. Tomar anticoncepcional por muito tempo pode causar infertilidade?
“Não, pelo contrário. A pílula anticoncepcional preserva a fertilidade da mulher e diminui os riscos de desenvolver endometriose, cisto no ovário e o aparecimento de mioma e pólipo uterino.”

8. Há evidências de que o uso contínuo da pílula pode causar câncer?
“Não, não existe nenhuma evidência até hoje de que a pílula cause qualquer tipo de câncer. O que existe é uma evidência muito bem estabelecida de que a pílula protege a mulher contra o câncer do ovário e câncer de endométrio. Ao tomar a pílula, a mulher fica protegida também contra o aparecimento de miomas, endometriose, pólipos, cistos no ovário, alguns tipos de infecção e alterações benignas das mamas.”

9. A pílula pode interromper o crescimento de pelos pelo corpo e rosto?
“Pode. Algumas pílulas têm este efeito: diminuem a quantidade de pelos, principalmente aqueles anormais, que crescem em locais em que a mulher não está acostumada, como na face e abdômen.. Não são todas as pílulas que têm este efeito, mas algumas foram desenvolvidas para este fim. Inclusive, existem pílulas que melhoram também a acne e a oleosidade da pele.”

10. Existe algum horário ideal para tomar o anticoncepcional?
“Existe, à noite. É a melhor hora para tomar, é mais difícil de esquecer e, quando absorver aquele conteúdo hormonal pelo estômago, a mulher estará dormindo e, portanto, terá menos chances de efeito colateral.”

11. Por que é necessário tomar a pílula sempre no mesmo horário?
“Porque a quantidade de hormônio existente nas pílulas modernas é muito pequena. Então, se a usuária começar a variar o horário de tomada da pílula, além de ser mais fácil de esquecer, ela pode alterar também a quantidade de hormônio que vai inibir a formação de um folículo, interferindo, assim, na sua eficácia. Por isso é melhor tomar a pílula sempre no mesmo horário.”

12. Se a pessoa tomar por muito tempo a mesma pílula, ela perde o efeito? De tempo em tempo é preciso trocar de marca? Por quê?
“Não, pelo contrário. Não é porque saiu uma pílula nova no mercado ou sua amiga está se dando bem com outra pílula que você deve trocar de marca. O importante é: se você está se dando bem com a sua pílula, está fazendo o seu controle médico a cada seis meses e não tem nenhuma contraindicação, você deve continuar com a marca do seu anticoncepcional habitual. Não troque. Quanto mais tempo a mulher tomar a pílula, maior o efeito contraceptivo. E a indicação do uso da pílula depende de quanto tempo se quer evitar filhos.”

13. Pílulas anticoncepcionais podem causar dependência?
“Não, não causam dependência. Se a mulher se sente mal quando interrompe o uso da pílula é devido à queda hormonal. Quando ela faz a pausa de 4 ou 7 dias, há uma queda hormonal e esse mal estar é devido a essa queda. Isso não é dependência, mas ela pode conversar com o seu médico para saber quais os métodos contraceptivos mais indicados para o seu caso.”

14. Na troca de anticoncepcional há riscos de uma gestação?
“Não. Se o anticoncepcional for trocado sem interromper sua orientação de uso, não tem risco nenhum.”

15. Na hora de comprar a pílula receitada pelo médico, posso escolher uma versão genérica ou similar?
“A resposta é não. Embora alguns farmacêuticos digam que genéricos ou similares possuem a mesma função do remédio indicado na receita, é preciso prestar muita atenção, pois nem sempre a composição do remédio similar ou genérico é exatamente a mesma do medicamento indicado pelo médico e os resultados podem ficar prejudicados. Na dúvida, converse com o seu médico para saber qual a melhor opção. “

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