Grande Florianópolis registra 40% dos casos novos de câncer de pele em Santa Catarina

Dia Nacional de Combate à doença é neste sábado; mutirão de médicos alertará para os riscos

Medidores de radição solar serão instalados no sábado em Florianópolis para inspirar cuidados com a pele
Medidores de radição solar serão instalados no sábado em Florianópolis para inspirar cuidados com a pele Foto: Charles Guerra

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Proteger o maior e mais pesado órgão do corpo humano. Essa deveria ser uma preocupação pontual da vida dos catarinenses. O motivo? Uma em cada mil pessoas no Estado têm câncer de pele. A Grande Florianópolis é responsável por aproximadamente 40% dos novos casos da doença.

Neste ano, pelo menos 113 mil novos casos de câncer de pele do tipo não- melanoma (o menos agressivo) ? que ocorre geralmente no nariz, orelhas, testa, busto ? são estimados no Brasil pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Esse tipo de câncer, causado pela radiação ultravioleta resultando do excesso de exposição ao sol, é responsável por quase 30% dos casos da doença no mundo. No Brasil, a região Sul apresenta o maior número de férias. Em Santa Catarina, quem lidera são os homens.

O câncer de pele tipo melanoma, considerado mais grave por causa do risco de metástase (tumores malignos), também ocorrem mais no homens (geralmente no tronco) do que nas mulheres (nas pernas).

Os números, comparados aos do tipo não melanoma, são bem menores.

Criança que já teve queimadura pode desenvolver a doença

De acordo com a oncologista do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon) de Florianópolis, Senen Hauff, o culto ao bronzeado como ideal de beleza precisa ser exterminado. Ela enfatiza ainda que a prevenção contra o câncer deve ser focada principalmente na infância. Segundo a especialista, crianças que já tiveram alguma queimadura provocada pelo sol têm grandes chances de desenvolver câncer na idade adulta.

Neide Schulte, 41 anos, lembra que na infância teve queimaduras na pele na primeira vez que foi à praia, em um dia nublado. Ela tinha aproximadamente oito anos e, nem ela, nem os irmãos usaram qualquer tipo de proteção. Aos 27 anos, Neide, que é professora de Moda da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), descobriu que tinha câncer de pele. Ela percebeu por causa de uma ferida no ombro que estava inflamada. Procurou um médico, que retirou a ferida e deu o diagnóstico: era câncer.

? Desde que recebi a notícia da doença, nunca mais tomei sol na praia. Antes eu tinha a cultura de pegar uma cor, pois sou muito clara, e existia um certo preconceito com pessoas não bronzeadas. Era moda ? explica.

Neide conta que usa protetor solar o tempo inteiro, além de roupas e acessórios que ajudam na proteção contra a radiação solar. Ela vai pouco à praia, e qualquer programação de lazer no verão é sempre feita no início do dia ou no fim da tarde. Sua filha, nove anos, também segue a rotina da mãe.

Alternativas para evitar riscos de ter a doença

_ Roupa com proteção ultravioleta

A professora Neide Schulte desenvolveu um projeto com os alunos do curso de Moda da Udesc focado em pessoas que trabalham expostas ao sol e crianças. Já foram fabricados uniformes com o fator de proteção ultravioleta (FPU) em uma malharia de Brusque, no Vale do Itajaí. O projeto foi uma parceria entre a Udesc e a Secretaria Municipal de Saúde, que em 2008 passou a adotar o uniforme com proteção solar aos cerca de 600 agentes comunitários. Os trabalhadores fazem parte do Programa Saúde da Família e usam além da camiseta, filtro solar, protetor labial e chapéu. Todos os acessórios são oferecidos pelo município.

_ Medidor de radiação solar será instalado para reduzir riscos

No sábado, no Dia Nacional de Combate ao Câncer de Pele, será inaugurado um novo medidor de raios ultravioleta perto do trapiche na Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis. Serão instalados 24 totens, também chamados de Ozon-in, na Capital. O projeto é uma parceria entre a empresa brasileira Spherical Networks, com matriz em Florianópolis, e a prefeitura. O equipamento informará ao turista ou morador da Capital a intensidade dos raios solares, que podem causar queimaduras, envelhecimento precoce da pele e até câncer. Por enquanto, foram definidos 10 pontos onde serão instalados os totens. O restante ainda será definido pela prefeitura. A pretensão, segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano de Florianópolis, José Carlos Ferreira Rauen, é que todos sejam instalados durante a temporada. Confira os pontos já definidos: quatro na Avenida Beira-Mar Norte, um na Avenida Paulo Fontes (próximo ao Ticen), um na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Rio Tavares (no Sul da Ilha), um na praia da Joaquina e dois na Lagoa da Conceição.

_ Mutirão para detectar câncer será no sábado

Pelo menos 20 médicos dermatologistas realizarão um mutirão para diagnosticar tipos de câncer de pele na Policlínica do Centro, em Florianópolis. Os pacientes que descobrirem a doença no exame serão encaminhados para cirurgia no Hospital Universitário (HU).

A ação, em sua 11º edição, também será realizada em outras cidades catarinenses: Blumenau, Brusque, Itajaí, Jaraguá do Sul, Criciúma, Chapecó, Concórdia, Joaçaba e Tubarão. O atendimento será das 9h às 15h. O mutirão é uma parceria da Secretaria Municipal de Saúde com a Sociedade Brasileira de Dermatologia em Santa Catarina.

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