Instituição recolhe flores usadas em eventos e as leva para entidades de caridade

Flor Gentil reúne voluntários para presentear idosos e pessoas carentes

Foto: Marcelo Andrade

Antes jogada no lixo no fim da festa, a flor que decora casamentos, formaturas e aniversários em São Paulo ganha um novo e nobre destino. Quando o último convidado deixa o salão, uma turma de voluntários entra em cena. Eles retiram as flores de grandes arranjos, montam pequenos buquês e partem com eles para visitas a moradores de asilos da cidade.

Nascido como projeto, e agora com status de instituto, o Flor Gentil foi criado em 2010 por iniciativa de alguém que vive das flores. Helena Lunardelli, 40 anos de vida e vários de profissão decorando festas elegantíssimas, foi quem orquestrou todo o processo de prolongar a vida útil das flores, tirando-as de eventos e levando-as até quem precisa de um pouco de cor e beleza na vida. O trabalho é semanal e realizado por dezenas de voluntários.

? Temos uma turma regrada que participa toda semana, no mesmo dia e horário. E tem uma outra que varia bastante – conta a empresária.

A tal turma da qual Helena fala descobriu que o Flor Gentil faz mais do que distribuir buquês. Ser voluntário é uma via de mão dupla: quem ajuda acaba aprendendo a arte dos arranjos de flores e pode trabalhar no ramo. O instituto disponibiliza uma rede de contatos de floriculturas e decoradores. Após 20 horas trabalhadas, o voluntário recebe um certificado de aptidão e pode atuar como freelancer com os parceiros da iniciativa.

Quanto mais amigos o instituto ganha, maior é o alcance da ação. O Flor Gentil hoje tem um patrocinador que arca com custos de transporte, o que fez com que Helena não precisasse mais recusar doações de flores por não ter como buscá-las ou distribui-las. Só que mais patrocinadores são necessários. O galpão em Alto de Pinheiros, que hoje serve como central de transformação dos buquês, é mantido pela própria florista.

Toda semana, cerca de três festas recebem a visita do Flor Gentil. E tão importante quanto desmontar um arranjo e montar outro é escolher quem vai recebê-lo.

? Recebemos muitas solicitações e indicações de entidades. Fazemos uma visita prévia e depois começamos o trabalho. Temos que ver se a instituição entende bem o propósito da nossa ação – explica.

A rede florida do bem vai se estender para outras cidades. Em breve, o Flor Gentil se instala em Santos, Campinas e no Rio de Janeiro.

Como funciona

Doação: interessados em doar as flores de sua festa entram em contato com o Flor Gentil

Retirada: voluntários vão até o local da festa e buscam as flores

Montagem: numa central, as flores são transformadas em pequenos buquês

Entrega: os mesmos voluntários que montaram os buquês visitam asilos e entregam as flores como presente para os moradores

Saiba mais: www.florgentil.com.br

Experiência do repórter: Gentileza em Porto Alegre

? Oi. Eu vim aqui lhe visitar e lhe entregar um buquê de flores. O senhor gosta de flores?

? Gosto, é claro. Mas gostei mais da sua visita. Faz tempo que nem meus filhos aparecem por aqui.

Era clara a surpresa e a felicidade dos moradores do Asilo Padre Cacique ao ver dezenas de pessoas invadindo quartos e corredores com montes de flores nas mãos numa manhã de domingo. Inspirados pela bela iniciativa do Flor Gentil, um time de voluntários levantou cedo num fim de semana de maio e, com fitas e tesoura em mãos, montou mais de cem buquês com flores doadas por um casal de noivos.

Nossa ação começou às oito horas da manhã no salão do Clube Campestre Macabi, zona sul de Porto Alegre, onde, havia poucas horas, terminara a festa de casamento de Anderson e Michelle. Os voluntários chegavam em grupos: duas ou três amigas, noivo e noiva, casados. Na entrada do clube, encontramos os profissionais de fotografia, filmagem e organização daquele casamento.

Empolgados com o que iríamos fazer, ninguém foi para casa. Depois da festa, dormiram em cadeiras, no carro, onde deu. Esperaram os voluntários e foram nossos guias profissionais, ensinando a dar laços nos buquês e registrando cada momento em foto e vídeo.

Com os buquês prontos, partimos para o asilo. A visita foi combinada previamente com a direção. Fomos recebidos por um funcionário e guiados até os quartos de queridos vovós e vovôs. O buquê como presente era desculpa para puxar um papo, perguntar sobre a vida, ouvir histórias. Depois de cada encontro, choro de emoção – não dos visitados, mas dos voluntários.

Descobrimos que montar buquês de flores é uma terapia, e que o simples ato de visitar quem vive só faz um bem danado para a alma. No meio da visita, outra surpresa: ainda sem dormir, os noivos que doaram suas flores apareceram para ajudar a entregá-las. Passaram no hotel da noite de núpcias, tiraram vestido e terno e nos encontraram com o sorriso largo de quem sabia que estava começando uma vida nova abraçando uma causa nobre.

Depois do relato do nosso dia no Asilo Padre Cacique, recebi dezenas de e-mails de noivos querendo doar as flores de seus casamentos. Infelizmente, repetir a ação acabou se tornando mais complicado do que eu imaginava.

Além da doação pelo dono da festa, é preciso que o clube onde o evento foi realizado deixe que os voluntários entrem no começo da manhã (diferentemente de São Paulo, não temos como transportar as flores para uma central). A equação é dificílima, mas a vontade de repetir a dose segue firme e forte. Foi um dos dias mais gratificantes da minha vida, e acredito que da vida dos voluntários também.

Assista ao vídeo da ação:

Flores para fazer o bem from Guilherme Coelho on Vimeo.

(Veja o post completo em GabiChanas.com)

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