Da alteração da libido até o humor: 6 lições para entender melhor o ciclo menstrual

Por Patrícia Rocha

“Este livro vai ajudar você a assumir o controle do seu temperamento e da sua vida.” Com essa promessa nada singela, chegou às livrarias do Brasil Mulheres em Ebulição (Sextante, 240 páginas, R$ 29,90), lançamento de Julie Holland, psiquiatra americana especializada em psicofarmacologia. A autora passeia por temas como humor, sensibilidade, estresse, sobrecarga, depressão, relacionamento, sexo e uso de medicamentos tendo como eixo uma mesma premissa: quanto mais você conhecer o próprio corpo e as oscilações hormonais do ciclo menstrual que se repetem mês a mês, mais preparada estará para lidar com suas emoções e interagir com o mundo.

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– Quando você está mais ou menos interessada em sexo? Quando está mais ou menos irritável? Ou resiliente? Você vai notar que há padrões que coincidem com seu ciclo menstrual – destaca Julie em entrevista por e-mail, fazendo a ressalva de que quem usa contraceptivos via oral talvez não sinta tanto essas mudanças.

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Sextante, 240 páginas, R$ 29,90

1. Os hormônios explicam o que toda mulher deveria saber

Reações e comportamentos que os hormônios ajudam a entender:

• A mulher pode chorar mais facilmente e ficar mais sensível por causa da flutuação de hormônios como o estrogênio.

• Pode se sentir mais aventureira sexualmente devido a um pico no nível de testosterona no meio do ciclo menstrual.

• Uma garota está mais propensa a perder a virgindade no auge dos picos de testosterona típicos da adolescência.

• Quando você está no período fértil, fica mais propensa a se sentir sexualmente atraída por alguém ou a dar sinais de que está interessada em sexo. Você também estará com mais vontade de fazer sexo e terá maior lubrificação.

• É normal ter aumento e diminuição na libido (o quanto de tesão você sente) dependendo da fase do ciclo.

• Pode se achar mais insatisfeita ou crítica quando está na TPM. É também neste período que algumas mulheres ficam mais obsessivas e prestam atenção aos detalhes. Um bom momento para arrumar o closet ou lidar com papelada.

• Está mais propensa a trair seu parceiro quando seus níveis de testosterona sobem no meio do ciclo.

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2. TPM: lições do mau humor 

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Sabe aquela irritação típica da TPM? Pois preste atenção naquilo que a incomoda nesse período do ciclo e reflita: talvez nesse momento você se dê ao direito de assumir para si mesma e para os outros as coisas que lhe deixam insatisfeita e que se força a aguentar ao longo do mês.

– A TPM oferece um olhar crítico, quando você vê como tem feito concessões, desdobrando-se para satisfazer as demandas dos outros, acomodando-se. Durante a TPM, um momento naturalmente de menor acomodação, é bom rever tudo o que você faz para outras pessoas em vez do que pode ser melhor para você – diz Julie.

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3. E o desejo por chocolate? 

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No livro, relata Julie, alguns estudos apontam que o desejo por chocolate na TPM seria um fenômeno cultural. E ela aproveita para dizer que discorda, destacando que, na TPM, a serotonina cai, e o corpo tenta compensar com o consumo de carboidratos – incluindo o açúcar.

– Em minha experiência, não é mito! Há razões biológicas por ter vontade de comer chocolate durante a TPM – defende.

4. Dor e ansiedade

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No livro, Julie destaca que, quando abriu seu consultório, há 20 anos, muitas vezes precisava acalmar pacientes para quem recomendava antidepressivos. Elas temiam tomar algo que pudesse alterar sua química cerebral. Hoje, o cenário é outro: elas chegam diante da psiquiatra apenas com a dúvida de qual remédio devem tomar. Embora celebre a desmitificação do uso de antidepressivos e afins para quem precisa deles, a autora destaca o perigo de simplesmente mascarar dores que fazem parte da vida:

– Não é razoável esperar que a vida seja livre de dor, tristeza e ansiedade. Estas são emoções humanas normais e não necessitam ser sempre medicadas. As companhias farmacêuticas querem patologizar a experiência humana em sintomas de doenças. Dor e ansiedade ajudam a entender que há algo errado em sua vida e que necessita de sua atenção. Se você põe o alarme na opção “mudo” e não sente mais ansiedade ou dor, não terá como resolver o problema.

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5. Hormônios e depressão

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– As flutuações hormonais colaboram para que mulheres sejam mais sensíveis e emotivas e podem levar a quadros depressivos ou de ansiedade. Mulheres tomam medicamentos e vão a psiquiatras duas vezes mais do que os homens. Pode ser porque elas ficam depressivas ou ansiosas com mais frequência do que eles ou porque se sentem mais à vontade para assumir suas emoções e procurar ajuda – diz Julie.

Sexo é um antidepressivo natural? Julie Holland responde:

– Sim, mas tem que ser sexo com orgasmo para realmente atuar como um alívio ao estresse. Já se mostrou que sêmen tem efeitos antidepressivos, mas os níveis de dopamina e endorfina aumentam durante o orgasmo. A ocitocina, que inunda o cérebro depois do gozo, é outro hormônio relaxante que traz sensação de bem-estar.

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6. Entendendo de vez o ciclo menstrual

Fase folicular

Começa no primeiro dia da menstruação e dura, em média, 12 dias. É quando o ovário estimula a produção do óvulo, e os níveis de estrogênio aumentam, fazendo com que você se sinta mais atraente, maternal e tolerante, qualidades que ajudam a seduzir o parceiro enquanto você se prepara para ovular – como destaca a autora em Mulheres em Ebulição. Nessa fase, as pequenas dificuldades tendem a não incomodar tanto porque o estrogênio atua como o hormônio do estresse.

Fase lútea

Engloba as duas semanas entre o óvulo ser liberado do folículo e a menstruação começar – a ovulação ocorre normalmente na metade do ciclo (para um ciclo de 28 dias, por exemplo, seria no 14º).

Nos dias que acompanham o da ovulação, o desejo sexual aumenta, em sintonia com o período fértil, quando a testosterona atinge seu pico. Como a natureza impele para a procriação, é nesse momento, afirma Julia Holland, que tendemos a nos sentir mais sedutoras e que podemos cair na tentação de transar sem camisinha.

Após a ovulação, começa a etapa em que a mulher fica mais propensa a se sentir de mau humor – a progesterona supera os níveis de estrogênio, e você se percebe mais lenta e irritadiça.

Cerca de três a quatro dias antes de você ficar menstruada, os níveis de estrogênio caem rapidamente, e a progesterona segue em alta. É a chamada tensão pré-menstrual, a TPM, cujos efeitos e intensidade variam de mulher para mulher.

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