Manual do contraceptivo: os benefícios, as desvantagens e a eficácia dos principais métodos anticoncepcionais

Foto: Pixabay, Divulgação
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Conheça os benefícios, as desvantagens e a eficácia de alguns dos principais métodos anticoncepcionais do mercado.

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Não-hormonais

DIU de cobre

O dispositivo intrauterino (DIU) é um aparelho pequeno e flexível, em formato de T, que é colocado dentro do útero em procedimento no consultório médico. Atua em diferentes etapas do processo reprodutivo: desde tornar difícil a passagem do espermatozoide até prevenir a implantação do óvulo na parede uterina.

Vantagens: utilizado por cerca de 100 milhões de mulheres no mundo, seus efeitos duram cerca de 10 anos. Não necessita de manutenção mensal, apenas visitas periódicas à ginecologista e ecografia após a inserção para avaliar se está adequadamente posicionado. Tem taxa de gravidez extremamente baixa: no primeiro ano de uso, é de 0,4 a 0,8%, mantendo-se em 0,8% nos anos seguintes.

Desvantagens: pode causar alterações no ciclo, principalmente nos primeiros três meses. São comuns relatos de fluxo aumentado, sangramento nos intervalos entre as menstruações e cólicas mais intensas, variando de mulher para mulher.

DIU

Camisinha

Utilizada por cerca de 45 milhões de casais no mundo, a camisinha tem ação dupla: além de atuar como método anticoncepcional, é o melhor jeito de evitar doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a aids. Além da masculina, mais popular e distribuída gratuitamente em postos de saúde, há também a camisinha feminina – esta, encontrada ainda em poucos lugares para venda.

Vantagens: é o único método que garante proteção das DSTs. A taxa de proteção pode chegar a 97% quando usada corretamente. Na prática oscila muito, pois depende do momento da inserção e da técnica adequada, com 60 a 70% de eficácia. Para se proteger da gravidez, deve ser utilizada em combinação com outros métodos contraceptivos.

Desvantagens: se a camisinha fura, perde a eficácia e pode resultar em gravidez ou na transmissão de DSTs. Em casos mais raros, algumas mulheres também podem apresentar alergia ao látex. Vale também frisar que a mulher depende do parceiro, que precisa estar comprometido na hora H.

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Tabelinha

Baseia-se na abstinência sexual durante seis dias a cada ciclo: cinco antes de ovular e no próprio dia da ovulação. Atualmente, existem aplicativos para celular que reproduzem o método.

Vantagens: se seguida à risca, ajuda a mulher a entender como funciona o ciclo, quando vai ovular – e, consequentemente, saber mais do seu corpo. Por não haver qualquer interferência hormonal, usuárias relatam o aumento da libido.

Desvantagens: para a ginecologista Jaqueline Lubianca, é preciso conhecer bem o próprio ciclo antes de adotar o método – e estar ciente da sua taxa de ineficiência:

– O ciclo precisa ser extremamente regular. Você precisa ter passado por pelo menos seis ciclos para saber o intervalo e o período fértil. A tabelinha também tem uma eficácia muito baixa, de 40 a 50%. É boa para quem quer engravidar e saber qual o seu período fértil – explica.

Diafragma

Assim como a camisinha, é considerado um método de barreira. Consiste em um anel flexível envolvido por uma borracha fina, que impede a chegada dos espermatozoides no útero. Vale o alerta: antes de adotar o método, é necessária uma visita à ginecologista para determinar qual o tamanho que se adapta a você.

Vantagens: reutilizável após limpeza, pode ter vida útil de dois a três anos. Além da gravidez, auxilia na prevenção de algumas DSTs como clamídia e gonorreia.

Desvantagens: uma das principais justificativas para a taxa de falha de 10% é o procedimento de uso. Precisa ser colocado dentro da vagina pelo menos 15 minutos antes da relação sexual e só pode ser retirado após 12 horas. Também há a indicação de usar espermicida para minimizar riscos de gravidez.

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Hormonais

Adesivo

Também conhecido como patch, deve ser colado na pele. Troca-se um adesivo por semana no total de três semanas, com pausa de sete dias para menstruar, e aí coloca-se um novo adesivo. Assim como a pílula combinada, soma progestogênio e estrogênio.

Vantagens: tem poucos efeitos colaterais como dores de cabeça e cólicas.

Desvantagens: precisa permanecer colado no corpo ao longo de três semanas, sempre em locais diferentes do corpo.

Sistema intrauterino ou Mirena

Também conhecido como DIU hormonal, libera hormônios no organismo, impedindo que o espermatozoide encontre o óvulo. Assim como o DIU de cobre, precisa ser colocado no consultório médico.

Vantagens: por ser hormonal, há diminuição de fluxo e duração das menstruações. A taxa de eficácia é alta, semelhante a de métodos contraceptivos, como a ligadura de trompas, o DIU de cobre e os implantes subdérmicos. Dura até cinco anos.

Desvantagens: assim como o DIU de cobre, há casos raros de perfuração da parede do útero ou de deslocamentos.

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Anel vaginal

Assim como a pílula e o adesivo, é composto dos hormônios estrogênio e progestagênio, que são absorvidos pela mucosa vaginal em doses baixas e constantes, impedindo a ovulação. É utilizado ao longo de três semanas, com uma de intervalo.

Vantagens: diferentemente da pílula, que você precisa lembrar de tomar diariamente, o anel exige apenas uma aplicação mensal – permanece por 21 dias e um novo deve ser colocado após a pausa de sete dias para menstruar. A eficácia é semelhante à das pílulas combinadas, com taxas de 99%.

Desvantagens: nos primeiros sete dias de uso, é recomendado o uso de preservativo, pois os efeitos anticoncepcionais ainda não estão completamente em ação. Pode causar, em casos mais raros, sangramento de escape, cefaleia, vaginite e expulsão do anel.

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Injeção anticoncepcional

Combinando progesterona ou a associação de estrogênios, é um método anticoncepcional de longa duração: pode ser mensal ou trimestral.

Vantagens: altamente eficaz, com 0,3 a 0,6% de falha na injeção mensal e de cerca de 0,1 a 0,3% na trimestral. Só pode ser aplicado na farmácia com receita médica.

Desvantagens: A injeção mensal pode ter efeitos parecidos com os da pílula, como dor de cabeça e alterações na libido. No caso da trimestral, quando interrompido o uso, a fertilidade pode demorar cerca de nove meses para voltar.

Pílula anticoncepcional

Um dos métodos mais utilizados no Brasil, tem eficácia de 99% quando utilizada corretamente. Pode ser encontrada em duas versões: combinada ou minipílula. A combinada é composta de dois hormônios, geralmente estrogênio e progesterona. Já a minipílula ou a pílula progestínica contém uma dose muito baixa de progestogênio, e não leva estrogênio.

Vantagens: Pode ajudar a regular o ciclo menstrual, diminui cólicas e também o fluxo menstrual. Algumas fórmulas específicas, com progesterona antiandrogênica, também auxiliam a reduzir características como excesso de pelos, oleosidade do cabelo e da pele.

Desvantagens: Exige comprometimento da mulher em lembrar de tomar a pílula todos os dias, com regularidade no horário, para alcançar eficácia máxima. No caso das pílulas combinadas, existe risco relativo de trombose e de AVC (saiba mais aqui). Também há relatos de diminuição da libido, mas não é consenso entre os profissionais consultados.

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Implante subcutâneo

Uma cápsula com hormônio é inserida sob a pele do braço. No Brasil, é permitido apenas
o Implanon.

Vantagens: é um dos chamados LARCs (Long Acting Reversible Contraception, ou contracepção reversível de longa duração) –, com funcionamento de até três anos. É composta somente de progestogênio (ou seja, não contém estrogênio), e por isso pode ser empregado quando a pílula está contraindicada. Após a remoção, há rápido retorno ao ciclo menstrual e às taxas de fertilidade. Risco de gravidez próximo a zero.

Desvantagens: pode haver sangramentos. A aplicação deve ser feita por um profissional capacitado.

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