Médicos alertam para o risco de compras coletivas de tratamentos de beleza

Consórcios de cirurgias plásticas e compras coletivas de procedimentos estéticos podem arriscar a saúde do paciente

Foto: STOCK XCHNG

O Brasil é o segundo país no mundo em número de cirurgias plásticas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Ao todo, são realizadas mais de um milhão por ano no país. Pesquisas indicam que os procedimentos estéticos estão entre os mais procurados em sites de compras coletivas e são o segundo lugar em procura nos consórcios. Esse quadro é alarmante, avisam especialistas.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica alerta para os riscos dessas práticas – que inclusive não são autorizadas pelo Conselho Federal de Medicina. A resolução N° 1.836/2008 proibe os médicos de divulgar preços dos procedimentos, parcelamento dos pagamentos ou eventuais descontos a fim de atrair pacientes, além de proibir qualquer tipo de consórcio para a realização de procedimentos. Segundo Dênis Calazans, secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, esse tipo de comportamento é considerado antiético, por deixar de lado a segurança do paciente. Muitos aspectos devem ser levados em consideração – e são mais importantes que o preço -, como a capacitação profissional do especialista, a higiene do local e a relação médico-paciente.

As clínicas de “cirurgia a varejo” podem arriscar a saúde do paciente.

– É sempre importante lembrar que qualquer cirurgia está dentro de uma margem de risco, por isso é imprescindível que se leve em conta o pós-operatório e suas possíveis complicações e custos – explica Calazans. Os casos frequentes em que médico e paciente se conhecem apenas na hora da cirurgia reforçam o descaso dos profissionais.

A escolha de um especialista com quem o paciente tenha uma boa relação é de extrema importância. Ele deve avaliar de forma séria as limitações e determinar o procedimento mais seguro e adequado para cada caso, buscando ao máximo um resultado final satisfatório. Cirurgia plástica é coisa séria, pois envolve anestesia e muitas vezes um pós-operatório doloroso e cicatrizes.

– Antes de fazer uma compra por esses meio, pergunte-se: que profissional é esse que precisa fazer promoção para ter seus pacientes? Eu pensaria duas vezes antes de procurar – afirma Carlos Komatsu, da diretoria da SBCP.

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