Muay Thai é o esporte do momento entre as mulheres

Celebridades já aderiram e academias estão cada vez mais cheias de adeptas

Foto: Felipe Carneiro

Os calções não são azuis, nem pretos, e ficam bem acima do joelho. Ganham tonalidades coloridas: rosa, laranja e até um animal print. As mãos estão longe de serem grossas ou calejadas. Apresentam-se em unhas esmaltadas com vermelho aberto, pink e verde água. A feminilidade chegou ao tatame e, no mínimo, equilibrou os espaços entre homens e mulheres. O muay thai ou boxe tailandês virou paixão feminina.

Basta dar uma circulada nas academias que oferecem a modalidade para se surpreender com a quantidade de alunas nas aulas.

– É a luta da moda. As mulheres adoram – comenta Caio Beltrão, professor na Academia de Fernando Sherer, em Florianópolis.

Entre um time de alunas, que chega a oito meninas na aula de Caio, está a empresária Maria Eduarda Corsini, 29 anos.

Duda começou a praticar há dois meses, motivada pela chance de perder peso e modelar o corpo.

– Fiquei sabendo do Muay Thai lendo revistas que mostravam celebridades praticantes da luta. Eu estou adorando. Mexe o corpo todo. Mas cansa bastante – conta Duda, ao final da aula, enquanto mostra as mãos tremendo de cansaço, reflexo da alta intensidade da atividade

Celebridades, donas de corpos sarados, têm farta contribuição na popularização do Muay Thai. A mais recente “garota- propaganda” da luta foi Carolina Dieckmann, que chamou atenção com pernas bem torneadas, usando um shorts jeans no desfile da TNG, na última edição do Fashion Rio, em janeiro.

Carolina começou a praticar para interpretar a personagem Teodora, a periguete da última novela das nove, Fina Estampa. Sabrina Sato, Samara Felippo e Christine Fernandes são outras famosas que já provaram do boxe tailandês.

O Muay Thai ganhou as mulheres por combinar dois desejos femininos quase que universais: a perda rápida de calorias – é possível eliminar entre 600 e 800 calorias em uma aula -, e a tonificação de glúteos, pernas e abdômen.

Ao contrário da maioria das lutas, que focam a atividade nos membros superiores, o Muay Thai trabalha insistentemente chutes e golpes de defesa com as pernas. Assim, elas chegam na aula loucas para perder peso e definir o corpo e saem vidradas no Muay Thai. O boxe tailandês parece ter um efeito de paixão arrebatadora sobre as mulheres. O relato da maioria das praticantes é que foram para conhecer, mas não imaginavam que sairiam dali já pensando em não parar “nunca mais”.

O namoro da arquiteta Adriana Grazotto, 29 anos, com a luta já dura quatro anos e meio, e ela é a mulher mais graduada na equipe Muay Thai Floripa, umas das mais tradicionais da cidade. Drica, como é chamada, sempre praticou esporte, desde criança. Jogou vôlei, basquete, fez aulas de dança e, na adolescência, foi fisgada pelo surfe. Surfou durante 14 anos e, um dia, decidiu ir a uma aula de Muay Thai só para ver como é. Nunca tinha feito artes marciais.

– Me apaixonei. Larguei o surfe. Hoje faço Muay Thai três vezes por semana e nem imagino parar – conta.

Além do benefício estético, Drica conta que o muay thai lhe deu condicionamento físico, concentração, noção de espaço e equilíbrio.

RANKING DE DESEJOS

Elaboramos um ranking das motivações que levam as mulheres ao tatame de muay thai. A lista não tem relevância estatística. Foi construída a partir das entrevistas com alunas e professores, mas serve como termômetro para ajudar a explicar o fascínio.

1. Queima de calorias: todas as entrevistadas relataram perda de peso e mudança no corpo a partir de três meses de aula.

2. Pernas e glúteos torneados em uma atividade prazerosa – sem a monotonia dos exercícios de repetição da musculação.

3. Abdômen sarado sem abdominal.

4. Alívio do estresse porque a prática dos golpes funciona como um descarrego de tensão.

5. Mulheres sentem-se mais seguras, afinal, a luta é também uma forma de defesa pessoal.

O LADO B DA PRÁTICA

1. Hematomas em pernas e braços são inevitáveis.

2. Unhas muito grandes, nem pensar. Além do risco de quebrar, machucam a palma da mão, já que as mãos ficam sempre fechadas, em posição de soco.

3. Esmalte não costuma durar muito.

4. Cansaço. O esporte é de alta intensidade. Muitas meninas contam ter sentido mal-estar passageiro nas primeiras aulas. O segredo é não acompanhar o ritmo intenso no começo.

5. Suor, muito suor.

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