No Brasil, próteses de silicone PIP foram usadas apenas em mamas

Anvisa ainda realizará testes nos implantes que serão descartados

Movimento é considerado "elitista"
Movimento é considerado "elitista" Foto: Daniel Marenco

O Brasil não importava próteses de silicone para glúteo, peito e testículos fabricados pela Poly Implant Prothèse (PIP). É o que informa a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Reportagem publicada pelo jornal francês “Le Parisien” na última quinta-feira revelou que a empresa também produziu estes tipos de implantes, apesar de não contar com aprovação da Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde (AFSAPS) para estes produtos.

Antigos funcionários da empresa disseram ao jornal, sob condição de anonimato, que a companhia desenvolveu, junto à sua produção de próteses mamárias, uma outra linha de materiais para implantes. Um dessas testemunhas, afirmou que “três pessoas foram formadas especialmente para trabalhar numa máquina que fabricava testículo de silicone”.

Outro funcionário, que se dedicava ao controle de qualidade, acrescentou que a fábrica tinha “uma máquina de injeção muito rápida. Foi comprada para a empresa se posicionar em novos mercados. Foi usada nos últimos anos da companhia e a maior parte da produção era destinada à exportação”. A AFSAPS garantiu que a companhia não havia declarado que produzia qualquer produto além dos implantes mamários e que não é capaz de supervisionar tudo o que é fabricado no país.

O silicone para glúteo era direcionado especialmente para o mercado da América do Sul, segundo o ex-funcionário, que acrescentou que o material era o mesmo das próteses mamárias que estão sendo investigadas.

A Anvisa se reuniu por audioconferência com representantes da agência francesa nesta quinta-feira, quando recebeu a confirmação de que havia cinco tipos diferentes de óleo na composição do material. As próteses eram preenchidas com silicone diferente do destinado a material de saúde. As autoridades de saúde no país mantém a decisão de oferecer cirurgias de retirada das próteses às mulheres que as utilizam, pois o vazamento do silicone adulterado pode provocar irritabilidade.

Na França, há 20 mulheres com câncer de mama que também têm implantes com PIP. A agência francesa, entretanto, não atribui às próteses PIP a incidência de câncer entre as usuárias e descartou a possibilidade de toxicidade do material. Não existe consenso entre os organismos de saúde europeus sobre as providências a serem tomadas. Autoridades do Reino Unido, por exemplo, não aconselharam a retirada do silicone. Na França, os documentos referentes ao processo relacionado às próteses mamárias PIP correm em segredo de justiça.

Ainda no Brasil, a Anvisa realizará testes laboratoriais no material importado. As análises serão feitas por laboratórios federais e privados. O órgão diz ter recebido 12 notificações sobre os implantes da PIP. Aqui, a recomendação é de que as pacientes procurem seus médicos para verificar se está tudo bem com seus implantes. A taxa de ruptura do silicone da PIP se mostrou 1% superior à média do mercado.

A maioria das clientes da EMI, importadora das próteses no Brasil, estão nas regiões Sul e Sudeste. Foram importadas cerca de 35 mil unidades de silicone PIP, das quais 25 mil foram vendidas. Serão queimadas as 10.097 unidades que estão em estoque desde que a Anvisa proibiu venda, importação e distribuição dos implantes, em maio de 2010, data em que a fábrica foi fechada na França devido ao início do escândalo.

No próximo dia 11, haverá uma reunião na Anvisa, em Brasília, com representantes das sociedades brasileiras de Mastologia e de Cirurgia Plástica para discussão dos problemas ocorridos com a prótese mamária PIP e conhecer procedimentos já adotados pelos médicos. Esta reunião possivelmente terá como resultado a criação de um protocolo de procedimentos para estes casos.

Na última quarta-feira, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) disse, por meio de nota oficial, que não há necessidade de pânico entre as clientes da marca PIP. A SBCP defende que as próteses PIP só apresentam riscos de reação inflamatória se estiverem rompidas, situação que pode ser diagnosticada por meio de exames e resolvida por cirurgia.Os médicos afirmam ainda que não existe qualquer comprovação de que haja relação entre os casos de câncer e os implantes mamários. Mesmo assim, ainda serão feitos novas análises laboratoriais sobre o material usado nas próteses da fábrica francesa.

Em comunicado divulgado pelo seu advogado, o fundador da empresa francesa fabricante de implantes mamários PIP, Jean-Claude Mas, de 72 anos, disse que não vai falar publicamente sobre o caso. Só vai fazer declarações em juízo, se necessário e se for convocado. No texto, ele diz que estão sendo divulgadas muitas mentiras sobre o assunto. Dependendo das investigações, ele poderá ser denunciado por “falsificação agravada” e “lesão corporal e homicídio culposos.

Leia mais
Comente

Hot no Donna