Pesquisa mostra que brasileiros temem os efeitos da idade, mas não se preparam para a velhice

Foto: Pexels
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Caue Fonseca*

Brasileiros e brasileiras envelhecem em meio a um paradoxo. Desejam viver muito na maturidade, mas a maioria não adota um estilo de vida que contribua para alcançar esse objetivo. A boa notícia, para elas, é que as mulheres estão na frente tanto na conscientização quanto na adoção de hábitos saudáveis.

Essas são algumas das conclusões da terceira edição da pesquisa Como os Brasileiros Encaram o Envelhecimento, promovida pela Pfizer e realizada pelo Instituto Qualibest, cujos principais resultados foram apresentados à imprensa em 12 de dezembro.

A partir dos dados, a empresa também lançou em suas redes sociais a campanha Envelhecer sem Vergonha, adaptada da campanha global Get Old, lançada em 2012 nos Estados Unidos, em que especialistas e organizações compartilharam diferentes abordagens sobre envelhecimento, incluindo mudanças no estilo de vida, com o objetivo de ajudar as pessoas em seu processo de envelhecimento.

A principal conclusão é que o brasileiro é bastante contraditório entre o que teme e os hábitos que cultiva. Os três principais temores associados à maturidade, por exemplo, são os problemas de saúde (70% dos entrevistados), as limitações físicas (64%) e a memória ruim (55%). No entanto, menos da metade deles afirma ter alimentação saudável (47%), cuidar da saúde de forma preventiva (45%) ou praticar atividades físicas (43%). As mulheres estão na dianteira tanto nos gráficos de quem pratica esses bons hábitos quanto nos de quem afirma que eles são o mais importante para envelhecer bem. Os homens se destacam em aspectos práticos, como ter uma estrutura financeira segura para a velhice. É comum a todas as faixas etárias a convicção de que preocupações financeiras podem tornar a velhice pior, embora apenas 45% poupem dinheiro. De novo, o paradoxo.

– Atribuo boa parte disso a um problema do Brasil que é a prevalência do pensamento mágico. As pessoas querem uma pílula que resolva o problema delas. Quero envelhecer bem, mas não quero me preparar. Eu prescrevo atividade física a todos os meus pacientes, se 10% deles fazem já fico contente – diz Rita Ferreira, do programa da terceira idade do Instituto de Psiquiatria da USP.

Outra diferença entre homens e mulheres se dá na parte da pesquisa que avaliou celebridades em dois pontos: as que estão fazendo algo significativo para os jovens e as que estão envelhecendo bem. No quesito legado para as novas gerações, enquanto os homens mais votados estão relacionados ao universo da tecnologia – Bill Gates e Mark Zuckerberg lideram –, as mulheres mais lembradas se destacam em diferentes aspectos de engajamento social: as líderes são a ativista Maria da Penha e, nesta ordem, as atrizes Emma Watson, Tais Araújo e Fernanda Montenegro.

Fernanda Montenegro - 76%

Fernanda Montenegro – 76%

Gloria Maria - 74%

Gloria Maria – 74%

Glória Pires - 76%

Glória Pires – 76%

Outro aspecto interessante é como muitos dos medos em relação à velhice se esvaem com o tempo. Exemplo: 43% dos pesquisados entre 26 e 35 anos se dizem preocupados com a aparência física na maturidade – uma questão de apenas 13% de quem tem 51 anos ou mais. O mesmo se dá com a sensação de estar improdutivo ou ultrapassado, presente em 35% e 57% das pessoas entre 26 e 35 anos e apenas em 13% dos mais maduros.

Os jovens de 18 a 25 anos são os que mais reclamam que envelhecer tem sido pior do que eles esperavam (22%). Após os 50 anos, o gráfico se inverte: 33% dizem que é melhor do que esperavam. Ou seja, se você é jovem, convém se preocupar menos. Quando os cabelos brancos surgirem, é provável que você goste mais deles do que imagina.

Veja quais são as mulheres, segundo os entrevistados, que estão fazendo algo de significativo para os jovens.

*O repórter viajou a São Paulo a convite da Pfizer

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