Resistência e impacto devem ser observados na hora de escolher exercício físico

Execução adequada dos movimentos devem ser supervisionada por instrutores

Exercícios aquáticos oferecem benefícios idênticos aos feitos em solo. Jogadores do Avaí são adeptos da hidroginástica
Exercícios aquáticos oferecem benefícios idênticos aos feitos em solo. Jogadores do Avaí são adeptos da hidroginástica Foto: Hermínio Nunes

Subir e descer escadas no trabalho. Abaixar-se para pegar uma caneta no chão e, claro, levantar-se depois. Pular sobre uma poça d’água. Correr para o abraço do filho na volta para casa. Todas essas ações quase automáticas do dia a dia demonstram uma relação de extrema importância no esporte: resistência X impacto. Apesar de as duas forças serem parte do cotidiano e todos os exercícios terem sua cota das duas coisas, os exageros devem ser evitados.

De acordo com o fisioterapeuta Danilo Monteiro Araújo, resistência é a capacidade do músculo de repetir movimentos idênticos durante um tempo prolongado, mantendo um grau de tensão durante esse período.

? O impacto é a capacidade que estruturas como articulações, tendões e ligamentos têm de se desgastar durante o exercício ? explica.

O especialista acrescenta que, não importa qual seja a modalidade, todas terão sua carga de resistência e impacto. O que vai definir a intensidade e o impacto é a forma com que o aluno pratica a atividade física.

Supervisão

A execução adequada do exercício deve ser supervisionada pelos instrutores das academias. Ao saber da situação do aluno, por meio de exame médico e avaliação física, são eles que traçarão um roteiro de exercícios que balanceie intensidade e impacto. O educador físico Doggi Imbriosi diz que os objetivos do aluno são levados em consideração no momento de decidir o que será praticado.

? Quando trabalhamos com mais intensidade, há prioridade da queima de gordura, com exercícios mais funcionais. Já com maior impacto, o trabalho é por vias metabólicas, que trarão resultados diferentes e precisam ser mais localizados.

Entre os resultados do maior impacto, está a hipertrofia muscular, tão desejada pelos praticantes de musculação. Doggi afirma que certos exercícios com impacto reduzido contribuem para a perda de peso, mas não garantem ganho significativo de massa muscular.

Baixo impacto

A hidroginástica, por exemplo, conhecida como uma das principais técnicas de trabalho muscular de baixo impacto, não garante o aumento das medidas.

? A partir de um tempo, o organismo vai se adaptar e, por mais que você coloque sobrecarga, não vai conseguir priorizar a hipertrofia. Para conseguir isso, é preciso maior impacto e, quanto mais isolado o músculo estiver, melhor. Entretanto, não é porque a água diminui o impacto que a intensidade será necessariamente menor.

Na piscina, várias outras modalidades tentam ajudar não só aqueles que têm alguma restrição, como instabilidade articular, mas qualquer um que goste de malhar dentro d’água. Fernando Rodrigues, instrutor de hidropower, garante que há um trabalho dentro da academia para mostrar aos alunos que exercícios aquáticos oferecem benefícios idênticos aos feitos em solo quando direcionados a isso.

? O mais difícil foi trazer os homens. Muitos deles achavam que a água era lugar de quem tinha alguma problema de saúde ou só para a terceira idade. Nós mostramos que isso é bem diferente do que eles pensam.

Esforço na água

No caso do hidropower, há, literalmente, malhação dentro da piscina. Com o uso de halteres especiais para a água, além de caneleiras e outros aparelhos, a aula se vale do empuxo, força contrária à da gravidade, para definir sua intensidade. Dessa forma, o esforço ocorre no momento em que o aluno empurra a água junto com os aparelhos.

? Ele é um exercício de alta intensidade pelo nível cardiorrespiratório que se consegue atingir, que é muito alto, e pelo nível de força na água, que é muito grande. E é de baixo impacto porque é na água.

Fernando garante que o nível de intensidade e o gasto energético de uma aula de hydropower são similares aos de uma aula de spinning – modalidade na qual os alunos simulam ciclismo na bicicleta ergométrica – só que com impacto bem reduzido.

? Na água, o corpo fica mais leve, bem como o impacto sobre as articulações. Você acaba podendo fazer exercícios de alta intensidade, sem grandes riscos de lesão.

Em terra firme

Existem modalidades em terra que também causam menor impacto. No jumping, a brincadeira infantil de pular vira exercício sério, mas um minitrampolim evita que os joelhos e a bacia sejam forçados em excesso.

? Pratico corrida de manhã e jumping à tarde e percebo facilmente a diferença entre os dois. Quando saio do jumpping, me sinto flutuando, porque a sensação de impacto é muito pequena ? afirma a comerciária Fabíola Bokos, 39 anos.

A instrutora Angelina de Oliveira explica que são os movimentos durante a aula que garantirão a intensidade do jumping.

? É legal que um equipamento desses permita a gente trabalhar aulas intensas e com uma sobrecarga articular menor.

Para quem gosta de números, ela assegura: em uma aula se vão, facilmente, de 700 a 800 calorias.

? Mas não há limites, porque o esporte depende do esforço que cada um vai colocar nos pulos ? frisa Angelina.

Cuidados

Nos exercícios físicos, diminuir o impacto é a melhor forma de expandir a vida útil do atleta. Cuidando mais das articulações, ele terá mais chances de manter sua performance. Entretanto, “zerar” o impacto não é aconselhável.

? Ele também é importante porque está presente no dia a dia e o corpo precisa se acostumar. O cuidado é com a dose que você terá durante o exercício ?  ensina Doggi Imbriosi.

Afinal, se a intenção é ficar com o corpo em forma, nada pior que uma lesão originada de um esforço desnecessário.

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