Saiba o que fazer em caso de queimadura de água-viva

Lavar a queimadura com água do mar ajuda a desprender os cistos mais facilmente

As águas-vivas são muito encontradas nas praias do Litoral Gaúcho
As águas-vivas são muito encontradas nas praias do Litoral Gaúcho Foto: sxc.hu

No verão, com o calor intenso na cidade, a maioria das pessoas vai para a praia no intuito de se refrescar. Não existe nada melhor do que um energizante banho de mar para amenizar a sensação de abafamento e quentura. Mas o mar oferece vários riscos, como a queimadura por água-viva. A bióloga Silvana Pinto, vai te ajudar a entender um pouco mais deste animal. 

O que são águas-vivas?
Com corpo é gelatinoso e tentáculos bamboleantes, a água-viva é uma criatura marinha muito estranha e bem velha. Ela existe há mais de 650 milhões de anos, com espécies diferentes e espalhadas pelo mundo todo. Podem medir menos de 2,5cm e atingir até 30,5m de comprimento. O seu corpo é composto de aproximadamente 98% de água e estes animais fazem parte do filo dos Cnidários, que vem da palavra grega “urtiga que queima”. Não poderia ter nome melhor.

De acordo com Silvana, no litoral gaúcho as classes encontradas são a Hydrozoa e a Cubozoa, “os indivíduos da classe Hidrozoa, na fase medusa, apresentam o corpo em forma de bexiga, permitindo flutuação, possibilitando sua visualização na superfície. São também chamados de caravelas e apresentam tentáculos na parte inferior do corpo. Na Classe Cubozoa, estão presentes as também chamadas águas-vivas, que possuem corpo em forma de guarda-chuva”, diz.

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Ai, me queimei com água-viva. Mas por quê?
O corpo das águas-vivas é coberto por células chamadas cnidócitos, e são repletas de filamentos que injetam toxinas na pele das pessoas. O veneno deste animal é uma neurotoxina que tem por finalidade paralisar a vítima. Estas neurotoxinas matam presas pequenas e não chegam a ser fatal aos seres humanos. O que se sente após a fisgada são dores, irritações na pele, sensação de queimadura, febre e cãibra nos músculos. A bióloga explica que um dos motivos que tem trazido as água-vivas para o litoral gaúcho, pode ser a redução da população de peixes e das tartarugas em razão da pesca indiscriminada, diminuindo assim um dos fatores controladores de uma espécie que são seus predadores. “Outra opção, é que como são animais tropicais, que buscam águas quentes para reprodução, se agrupam e são levados pelas correntes marítimas frias até a praia”, explica.

E agora? O que fazer?
Primeiro passo: Sair da água imediatamente. As espécies encontradas no litoral brasileiro não costumam ser venenosas, mas algumas pessoas podem ter reações alérgicas tão fortes que correm o risco de se afogar.
Segundo passo: Não toque na queimadura e muito menos coce. Quando a água-viva atinge a pele, ela libera filamentos chamados nematocistos, que se rompem se a pessoa coça ou esfrega a pele.
Terceiro passo: Lavar a área atingida com água do mar ou soro fisiológico. A água quente e a doce ajudam este nematocistos a se romper mais facilmente. Já a água do mar, ajuda estes cistos a se soltarem.
Quarto passo:  Não urine sobre a queimadura. Apesar de a crendice ter um fundo de verdade, pois a urina liberaria mais facilmente os cistos, são poucas pessoas que tem o teor de acidez necessário para amenizar a dor.
Quinto passo: Faça compressas de gelo para aliviar a sensação de queimadura e de dor. Não use pomadas sem orientação médica e muito menos passe manteiga em cima da ferida.
Sexto passo: Procure um médico se ficar muito dolorido, com enjôo, vômitos ou febres altas. A sua pele vai estar muito sensível durante alguns dias, então evite o Sol para não ficar com manchas no local.

Curiosidades:
– O nome Medusa é inspirado em uma Górgona da mitologia grega, a Medusa que tinha a cabeça repleta de serpentes.
– Um restaurante japonês no Rio de Janeiro serve a água-viva japonesa como iguaria. Será que você topa comer?
– A água-viva mais mortal do mundo chama-se Box Jellyfish e encontra-se na Austrália. Ela provoca choques térmicos muito fortes e a vítima pode sofrer uma parada cardio-respiratória em menos de 3 minutos, dependendo da extensão da área afetada.

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