Mulheres criam grupos nas redes para compartilhar experiências e falar sobre sexo sem tabus

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Por Rossana Silva, especial

Em meio às centenas de posts compartilhados diariamente no Facebook, há conversas de alcova que mobilizam a timeline de mais 20 mil mulheres. De carona na recomendação do livro Profundamente Sua, de Sylvia Day, uma garota pede dicas de contos eróticos, incentivando outras dezenas compartilharem sugestões de livro com histórias apimentadas. Enquanto isso, uma discussão paralela sobre filmes pornô envolve outra centena de mulheres, desde as que não veem a menor graça em assistir a sexo filmado até as que diziam gostar mais desse tipo de vídeos do que os maridos ou namorados.

Eis o grupo Afrodites, ponto de encontro que reúne virtualmente mulheres para falar abertamente sobre o universo feminino – especialmente tudo o que for relacionado a sexo. Criado em abril de 2016, o espaço é um dos maiores fóruns sobre o tema no Facebook, mas não o único. Nos últimos meses, também no WhatsApp têm se multiplicado ambientes virtuais onde mulheres se sentem à vontade para compartilhar confidências e experiências. São grupos secretos nos quais é preciso ser amiga de uma das participantes para ingressar. E, de tanto as amigas se adicionarem umas às outras, muitos já passam dos mil membros.

– Por mais que eu puxe outros assuntos, o que elas mais querem falar é sobre sexo. Têm curiosidade sobre casas de suingue ou querem dividir experiências sobre a queda de libido, por exemplo. Elas se identificam e se ajudam umas às outras – explica a idealizadora do Afrodites, a empresária e coach sexual e de relacionamentos Luciana Vilela.

De tanto desabafarem online, as integrantes decidiram se conhecer pessoalmente em abril passado. Desde então, os encontros presenciais com palestras e dançarinos têm reunido centenas de participantes em São Paulo – a intenção de Luciana é realizar um evento também no Rio Grande do Sul.

Foto: Pexels

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Participante do Afrodites, a terapeuta sexual Thais Plaza afirma que espaços desse tipo proporcionam acolhimento e, não raro, mudar a vida de alguém.

– A mulher ainda tem pouco repertório sobre sexualidade. Nos grupos virtuais, ela pode tirar dúvidas e se permitir abordar assuntos sobre os quais não costuma conversar com pessoas próximas por vergonha. Ou confidenciar desejos, vontades e questões mais íntimas de que não fala por medo de julgamento – explica.

Para muitas das participantes, apenas ter à disposição um espaço no qual é possível buscar informações (alguns grupos contam com especialistas como Thais, além de ginecologistas e psicólogas) ou construir uma rede já provoca um impacto imediato. Basta ver o relato de uma auditora de 27 anos que se sentiu motivada a descobrir a masturbação a partir dos três grupos no WhatsApp e no Facebook de que participa.

– Me conhecer e saber o que me agrada mudou completamente a minha vida em âmbito geral. Saber que eu consigo me dar prazer é muito importante. E descobri isso falando com as amigas nos grupos e compartilhando experiências. “Fiz isso, foi bacana”, e outras se inspiram a tentar também – explica ela, que prefere manter o anonimato.

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Foi em um desses grupos que uma administradora de 34 anos encontrou abertura para falar sobre temas que não pareciam ter espaço em outros lugares. Criado há cerca de seis meses para discutir apenas a sexualidade após a maternidade, o Pitaya gerou identificação imediata entre as cerca de 1,5 mil integrantes.

– O começo foi aquele furor. É um assunto que rende muito, como fica a sexualidade de cada uma depois de nos tornarmos mães. E está rolando bacana até hoje, sempre nos ajudamos – conta a participante que prefere não se identificar.

– É diferente falar sobre sexualidade com quem não teve filhos. Tem questões que são difíceis de explicar até para outras mães. Você ganha um corpo diferente, há sensações novas e questões muito particulares de quem tem filho, pelo menos nos dois ou três primeiros anos.

Passando pelo um processo de separação do marido, ela contou com a ajuda do grupo ajudou para perceber sua bissexualidade. Composto por mães heterossexuais, bissexuais e lésbicas, o Pitaya deu origem a um grupo de WhatsApp na qual 18 mães lésbicas e bis aprofundam questões relativas à sexualidade.

– É um lugar para extravasar. Brincamos que rola, às vezes, de a gente ficar meio adolescente. Porque debatemos tudo, desde os assuntos mais complexos e polêmicos até os mais lights, só para dar umas risadas – conta ela.

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Veja alguns dos assuntos mais comentados no grupo Afrodites, que reúne cerca de 21 mil mulheres para falar de sexo no Facebook:

QUEDA DE LIBIDO

Em caso de problema hormonal, as mulheres são aconselhadas a procurar o ginecologista. Se o problema não for físico, são incentivadas a considerar questões de autoestima ou avaliar o momento que vivem no relacionamento. Mulheres compartilham o que fizeram para superar a falta de libido e dão dicas para apimentar a relação.

TRAIÇÃO

Muitas mulheres procuram no grupo aconselhamento sobre como encarar uma traição, dividindo-se entre as que têm a intenção de dar uma segunda chance e as que decidiram acabar a relação e buscam apoio para tocar a vida.

– Esse assunto sempre é polêmico. Tem mulheres que defendem completamente o perdão, e outras não cogitam esta possibilidade. Sentimos que ainda há muitas mulheres que julgam a outra, perdoam o parceiro e vão atrás da outra. Nós ponderamos e conversamos muito sobre cada situação – afirma Luciana Vilela.

PEDIDOS INUSITADOS

Não raro, participantes buscam aconselhamento no grupo depois de receber propostas como ménage à trois. As considerações giram em torno de que a experiência demanda que a mulher esteja bem resolvida e em um bom momento com seu par.

– Você tem de estar bem preparada e tem de ser uma fantasia sua também – diz Luciana.

Quem está decidida a fazer o mènage costuma ser aconselhada a procurar uma casa de suingue e nunca levar para o relacionamento uma pessoa que já é conhecida do casal.

Foto: Pexels

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