Teste do crossfit: para quem tem fôlego e empolgação

Foto: Tadeu Vilani
Foto: Tadeu Vilani

O repórter Rafael Balsemão testou o crossfit, uma alternativa de malhação para quem deseja resultados rápidos e um ambiente menos monótono do que as academias tradicionais. Estas foram as suas impressões.

Não sou sedentário, bem longe disso. Jogo vôlei, ando de bike para cima e para baixo. Quando sobra um tempinho, até puxo ferro. Mas o semestre que passou foi bastante corrido. Quando parei para me pesar e avaliar minhas condições físicas, me dei conta de que havia ganhado seis quilos.
A balança – e a barriguinha que nunca tive – anunciavam: era hora de me mexer.

Foi então que decidi, após conselhos de amigos, fazer uma aula de crossfit, modalidade que surgiu em meados da década de 1990, na Califórnia, quando o ex-ginasta Greg Glassman começou a desenvolver um método de treinamento composto por exercícios funcionais, de alta intensidade e com foco em desenvolver o condicionamento físico de uma forma geral, sem focar apenas na especialização de uma determinada habilidade. “Resultados rápidos”, garantiram.

Não pense que sou mole. Mas a experiência foi um tanto impactante. Talvez pela aparente facilidade em executar os movimentos, muito parecidos com alguns que eu fazia na musculação. Como cheguei uns minutos atrasado, teria que pagar “burpees”, me alertou um conhecido crossfiteiro. É um movimento que se inicia em pé, seguido por agachamento com os braços esticados à frente, depois, joga-se os pés juntos para trás. Antes de ficar de pé novamente, executa-se uma flexão seguida de um pulo. Só de explicar, cansa.

Felizmente, o professor me poupou dessa parte.

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PRIMEIRAS IMPRESSÕES

A aula começa com um treino rápido de mobilidade, espécie de alongamento. Em seguida, passa-se para o aquecimento, com exercícios para se adaptar aos movimentos que virão na sequência. Até esta parte, tudo tranquilo, apesar de eu não conseguir acompanhar o resto da turma. O correto é fazer no próprio ritmo. O treino pesado fica para um terceiro momento.

No dia em que fui até o box da Superforce Crossfit Três Figueiras, local indicado por um amigo, haveria dois WODs, os workouts of the day (exercícios do dia) – normalmente rola apenas um. O pessoal estava treinando para uma competição. Azar o meu.

A primeira parte do trabalho consistia em séries alternadas de deadlifts (levantamento de uma barra com peso a partir de uma posição curvada) e flexões _ ou, na linguagem dos crossfiteiros, “hand release push ups”. Começa com cinco repetições, depois 10, 15 até 25. Tudo isso em 25 minutos. Para quem já pratica algum esporte, parece fácil. Não é. Não consegui completar todas as repetições indicadas.

O segundo WOD consistiu na “suicide run”, ou corrida suicida. São os famosos “tiros”, corridas rápidas em pequenas distâncias – e eu já sem fôlego. Mas os demais ainda fizeram um snatch, exercício bastante conhecido por quem acompanha, principalmente durante as Olímpiadas, a prova de levantamento de peso olímpico (elevação de uma barra do chão para cima da cabeça em um movimento contínuo).

Terminei a aula esgotado. Talvez tenha forçado um pouco, o que não é nada aconselhável, segundo Ricardo Pavani, o head coach do box. Mas é inegável que, se eu continuar com a prática, em pouco tempo conseguirei bons resultados.

COM A PALAVRA, OS PRATICANTES

Resultados rápidos: foi exatamente o que rolou com o servidor público federal João Paulo Coledan, 37 anos, que treinou ao meu lado. Em dezembro passado, ele andava num desânimo só. Estava sem treinar havia quatro meses e não queria mais saber de academia de musculação.

– Era sempre a mesma coisa, um ambiente muito frio.

Foi então que, no caminho até o trabalho, percebeu a existência de um box de crossfit. Fez uma aula experimental e não parou mais.

– Achei as pessoas simpáticas, cada dia tinha uma coisa diferente, não era a mesmice da musculação.

Passados sete meses, João Paulo virou “rato” do box – treina cinco vezes por semana.

– No espelho, percebi muita diferença. Aumentei meu peso e perdi gordura – atesta o servidor público.

Mas não foi só isso.

– Eu não tinha resistência nenhuma, melhorou um monte – conta ele, que, até conhecer o crossfit, subia ofegante os três andares que levam ao local de trabalho.

A vida do professor de educação física Marcelo Walter Faria da Silva, 26 anos, também mudou depois de conhecer a modalidade, em fevereiro. Marcelo, que há sete anos treina jiu-jitsu, abriu mão da rotina de levantar peso na musculação.

– Perdia muita mobilidade e resistência, o que o crossfit acabou me dando _ conta ele, que passou a se preocupar menos com a alimentação.

Marcelo garante que, com o crossfit, até dá para comer mais besteiras.

– Não cuido tanto da alimentação como antes e, ainda assim, tenho bons resultados.

Então, se você gosta de desafios – pré-requisito do crossfit segundo Pavani –, pode ser este o caminho para chegar em forma no verão.

O repórter Rafael Balsemão: impressionado com a carga de exercícios, mas empolgado com os relatos dos participantes (Foto: Tadeu Vilani)

O repórter Rafael Balsemão: impressionado com a carga de exercícios, mas empolgado com os relatos dos participantes (Foto: Tadeu Vilani)

E AGORA?

Fica a pergunta: vou encarar o desafio? Fiquei mais tentado depois de os dois entrevistados terem me garantido que, com o crossfit, não precisaram mais se preocupar com o que comem.

– E perdi barriga, com certeza – confirma João Coledan.

Pensando bem, o crossfit pode ser um bom aliado para eu tentar eliminar a barriguinha que tanto tem me incomodado nos últimos tempos. De repente, é o passo a ser dado rumo ao tão sonhado corpo do verão. E sem deixar de tomar aquela cervejinha.

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