A vida depois da bulimia: jovem compartilha sua jornada superando os transtornos alimentares

Foto: Reprodução/Instagram
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Camila Maccari, especial

A estudante de Nutrição Fernanda De La Corte frequenta restaurantes com a família e malha na academia como qualquer garota. Mas isso é uma conquista: a gaúcha de 21 anos tem na bagagem anos de convivência e tratamento contra transtornos alimentares. E também o aprendizado de que compartilhar a experiência com outras pessoas pode ser terapêutico.

A primeira postagem no Instagram sobre como era estar se recuperando da bulimia surpreendeu muitos amigos e conhecidos. E serviu de incentivo para ela seguir em frente, motivando outras pessoas a refletir sobre o assunto e pedir ajuda no perfil @fernandadelacorte, que hoje já soma quase 30 mil seguidores.

Fernanda trata do assunto com extrema naturalidade, tanto nos posts quanto na entrevista por telefone. Não sente mais vergonha, não se sente julgada nem acha que deve esconder nada de ninguém. Até porque conviver com a bulimia e superá-la também faz parte de quem ela é hoje.

00ce1f95 – Não é como antes, quando estava em tratamento e jamais conseguiria imaginar a vida sem compulsão. Para mim, era como se fosse meu braço. Agora, sei que isso não era parte de mim, mas, sim, uma influência na minha maneira de ver o mundo, de ter prioridades, de olhar para as pessoas – conta.

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Em 2014, época em que queria cursar Medicina e começou o cursinho pré-vestibular, Fernanda passou a se desentender com a comida. Tinha acabado de eliminar os quilos que havia ganhado com o uso de corticoides e não soube lidar com a pressão dos estudos. Acabava comendo a mais e, com culpa e medo de engordar de novo, insistia na purgação. Junto, vieram os grandes períodos em jejum, a atividade física em excesso, o medo de comida, o pavor de ser vista comendo e a depressão. Não havia equilíbrio nenhum porque, como conta, é difícil encontrar um equilíbrio quando se está doente. A proximidade com os pais garantiu que Fernanda tivesse apoio ainda naquele mesmo ano. A recuperação contou com psicólogo, nutricionista, psiquiatra e medicação – e não foi uma constante.

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– A gente tende a achar que, se comete um deslize, todo o esforço realizado até o momento deixa de valer. Na hora, não se consegue pensar de outra forma, mas as coisas não são assim. Um dia ruim não estraga os dias bons e o processo de recuperação é feito de vários momentos – explica a jovem, que recebeu alta no final de 2017.

Pelo Instagram, seus seguidores acompanham suas reflexões sobre autoaceitação, culpa e crises compulsivas e tiram dúvidas. Por lá, Fernanda também admite ter deslizes, como escreveu em 13 de março: “Muitas vezes não sei lidar com as adversidades. Muitas vezes fico triste por comer, daí como mais, daí penso em vomitar e penso em ficar magra por mais que eu esteja um palito”. E também deixa claro que tudo bem ter um dia ruim porque ninguém consegue dar conta de tudo sempre. Para quem precisa de uma motivação extra, vale o post de Fernanda desta semana, em que ela pergunta: “Você já se perdoou hoje?”.

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