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Depois de edição com casting padrão, SPFW tem desfile com modelos curvy: “Moda é para todos, não só para as magrinhas”

Depois de edição com casting padrão, SPFW tem desfile com modelos curvy: “Moda é para todos, não só para as magrinhas”

É fato: nunca se falou tanto em diversidade. E também nunca houve tantas cobranças do público por representatividade de corpos na moda. A passos lentos, este cenário vem mudando: na última temporada de moda internacional, por exemplo, grifes consagradas como Michael Kors e Prabal Gurung e a novata Fenty, de Rihanna, trouxeram modelos fora dos padrões que estamos acostumadas para seus shows. De acordo com um balanço do site Fashion Spot, 1,2% do casting das fashion weeks de Londres, Milão, Paris e Nova York vestiam mais do que o costumeiro 36, um total de cerca de 30 modelos curvy ou plus size. Muito pouco se compararmos com o total de mulheres que usam manequins maiores, mas, ainda assim, um começo.

Aqui no Brasil, o cenário já foi bem mais animador. Nos tempos em que a Laborário Fantasma, de Emicida e Fióti, desfilava na São Paulo Fashion Week, presenciamos modelos plus size femininos e masculinos na passarela – vale dizer que homens gordos são ainda mais raros. Detalhe: vimos modelos gordas negras também, ainda mais excluídas das passarelas. Mas esse tempo de esperança, infelizmente, passou. Com a saída da etiqueta do line-up, a diversidade de corpos também se foi. Houve outros destaques, como a presença da top Fluvia Lacerda (foto abaixo) em um fashion show de Ronaldo Fraga. E, na última temporada, não vimos absolutamente nenhuma curvy ou plus size entre os 33 desfiles do evento. Um retrocesso triste para quem já havia conquistado alguns degraus.

Relembre:
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Fluvia Lacerda, modelo plus mais famosa do país e uma das mais conhecidas do mundo, só estreou na passarela da SPFW no ano passado

Na 46ª edição, que terminou nesta sexta-feira, um alento: no desfile que encerrou o evento, finalmente, tivemos a presença de duas modelos curvy no fashion show da Água de Coco. No seu último desfile, no final do ano passado, a etiqueta de beachwear já havia trazido uma top curvy, mas agora resolveu investir um pouquinho mais na diversidade de corpos. Uma das garotas curvilíneas era Muriel Segovia, 27 anos, que atua como modelo há seis. Feliz que só, comemorava a oportunidade inédita de estar na maior semana de moda do país:

– É um sonho. Nunca imaginei que, em algum momento da minha carreira, isso iria acontecer. Foi um choque. Estou extasiada – confessa a modelo de São Paulo ao blog Um Plus a Mais.

Quem também fez seu début na passarela foi Fernanda Machado, 28 anos. Para ela, estar nesta posição de destaque na fashion week é motivo de orgulho – por ela e pela “conquista” do segmento.

– Estou orgulhosa por mostrar que a moda é para todas, nao só para as magrinhas. A moda foi cruel por muito tempo conosco, o que gerou problemas de autoestima e distorção de imagem em muitas mulheres. Estou muito feliz de estar representando (as mulheres curvy e plus size). Quero cooperar para mudar essa visão que a moda tem.


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Momento épico com a minha musa @muri_segovia 💃🍾#spfwn46 #spfw #plussize

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Para Muriel, iniciativas como a da marca Água de Coco são mais um degrau em busca da representatividade real – que ainda parece distante da nossa realidade.

– É um passo. E melhor um passo do que nada. As outras marcas vão ver e querer se espelhar nisso – acredita. – Querendo ou não, o mercado está crescendo e abrindo portas para o nosso universo plus size. Outras marcas podem pensar: “Vamos testar o retorno?”. E vão ver que dá. Um dia, a gente chega lá.

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Para Liana Thomaz, estilista da Água de Coco, os reflexos de apresentar desfile com diversidade de corpos vem das clientes – prova de que investir em modelos com corpos mais próximos aos da maioria das mulheres também dá retorno financeiro.

– As clientes estão adorando! Ficam com mais vontade de comprar, de ir na loja e ter vontade (de experimentar). Antes, ficavam um pouco retraídas, e agora não. Pessoas mais velhas, ou com mais peso não têm mais tanta vergonha – conta a criadora, direto do backstage da SPFW. – Acho que a pessoa tem que se gostar da maneira que é.

Se dá dinheiro, afinal, porque outras marcas não abrem as portas para modelos de manequins variados? As explicações são muitas. Para o blog Um Plus a Mais, no caso dos desfiles, tem a ver com a dificuldade que alguns estilistas ainda demonstram para vestir modelos maiores. Se todas as modelos vestem 36 e têm altura parecida, diminuem as provas de roupa antes e a produção das roupas segue o mesmo padrão. No caso das curvy ou plus size, há garotas com mais quadril ou mais peito, que tem mais ou menos barriga, o que demandaria mais trabalho. Mas, se avaliarmos o retorno financeiro e publicitário que um casting minimamente diverso traz, é um trabalho que tem tudo para compensar. Mas precisamos ser sinceros: há estilistas que, simplesmente, não querem fazer roupas de tamanhos maiores – seja pelo custo ou para manter a identidade de sua marca. Ou porque simplesmente não tem interesse nenhum em criar para manequins plus size – às vezes, por pressão da própria clientela, que não quer mulheres gordas usando a mesma roupa que elas. A modelo Fernanda Machado resume nossa análise:

– É preconceito! É dificil falar. Mas dou um conselho para os estilistas: invistam grandemente no segmento plus, porque damos muito dinheiro. O mercado é escasso e tem muita gente que precisa e gosta de moda de verdade. Que quer entrar em qualquer loja e ter sua numeração disponível para comprar.


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Representatividade na #spfw46 🙏 Foi mágico!

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Enquanto grandes grifes preferem não investir no segmento plus size, a nossa dica é: valorize e prefira as marcas independentes e autorais que se importam e se dedicam a fazer roupas com boas modelagens e informação de moda para nós. Por aqui, fazemos questão de sempre indicar criadores que estão atentos e preocupados com o mercado plus size. Se não querem nos vestir, também não vamos dar dinheiro para estas empresas, não é? Infelizmente, nem todas têm oportunidade e condições financeiras para comprar de marcas plus size, que, muitas vezes, têm preços mais elevados, e é justamente por isso que também cabe a nós cobrar do mercado, sempre que possível, oferecer opções para todos. É um trabalho de formiguinha, mas, aos poucos, a gente pode chegar lá.

Não custa lembrar: representividade não é caridade, é obrigação. E, quando se fala de diversidade de corpos, é o obstáculo mais difícil para a moda – e que encontra ainda muita resistência. Como jornalista e mulher gorda que acompanha o evento há anos, torço para que na próxima edição não tenhamos apenas modelos curvy, mas também modelos plus size (grade que começa no 46, mas que inclui também mulheres que vestem 52, 56, 60 ou mais). São conquistas graduais, sabemos, mas necessárias. Vamos, #modas! A gente acredita!

 

Moda (ainda) não é para todas, mas desfiles como o da Dolce & Gabbana e o da Fenty trazem esperança

Moda (ainda) não é para todas, mas desfiles como o da Dolce & Gabbana e o da Fenty trazem esperança

O Um Plus a Mais também está na versão impressa da Revista Donna,
sempre tratando de temas relacionados a diversidade.
A coluna abaixo será publicada na edição de 29 de setembro

Eu sempre fui gorda. Quando era pequena, fofinha, e depois a adolescente gordinha. Hoje, adulta, sou gorda mesmo, e aprendi a ver essa palavra como o que ela é: uma característica, e só. Contrariando a regra, também sempre fui uma garota GG que gosta de moda. Lá pelos meus 13, 14 anos, gostava mais era de roupa mesmo. Só que, como é comum a 99,9% das gordas brasileiras, tinha dificuldade de achar coisas bacanas. Foi aí que, com a minha melhor amiga de infância, a Mari, comecei a desenhar e mandar fazer tudo que vestia em uma costureira da cidade. Descobri a magia dos panos e das linhas. Também pesquisava na internet (discada!) referências para o que eu iria “mandar fazer”. Foi então que meu flerte com a moda, de fato, começou. Aos trancos e barrancos desde sempre, já que ela nunca foi muito gentil comigo: sempre fiquei meio à margem, mas, insistente que sou, continuei ali, firme e forte.

Conheci estilistas que estão entre os meus preferidos até hoje, como Alexander McQueen, Jeremy Scott, Olivier Rousteing, Marc Jacobs, Alexandre Herchcovitch, Alessandro Michele… E fui (auto)apresentada também a marcas que, de fato, criavam e vendiam roupas para o meu tamanho – a maioria idealizada por gurias também gordas, independentes, que estavam na mesma situação de “órfãs fashion” que eu. Esse mercado, ainda bem, só faz crescer, ainda que esteja longe de chegar para camadas mais populares de mulheres gordas. E aí começou o boom do body positive, com gordas na propaganda de maquiagem, nas capas de revistas, em editoriais… Uma revolução lenta, mas constante. Confesso para vocês, isso me dá esperanças de que as coisas estejam realmente mudando, ainda que a passos de formiguinha.

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Mas aí a gente depara com verdadeiros sacolejos da vida, como o que rolou na última edição da São Paulo Fashion Week, uma das muitas que cobri como repórter de moda da Revista Donna. Sim, pasmem: nenhuma modelo gorda cruzou a passarela da semana de moda paulistana. Foram 33 desfiles. Trinta e três oportunidades de ter pelo menos uma mulher ou um homem gordo na passarela. Nenhuma marca quis. Para ser justa, a única tentativa de sair do padrão foi da Água de Coco, que trouxe uma modelo curve – mas que vestia 42. Passa bem longe do 50 da minha etiqueta, que ainda é pequena se pensarmos que existem mulheres de tamanho 54, 60, 62, que também estão aí nas ruas consumindo, vivendo. E querendo ser representadas. Não custa lembrar: 53,8% dos brasileiros são, pelo menos, gordinhos, segundo o Ministério da Saúde.

Mas a temporada de moda internacional, que está rolando agora, começa a dar sinais de que podemos sonhar com dias melhores. Em Nova York, estilistas como Michael Kors, Chromat e Prabal Gurung incluíram modelos curvy e plus size em seus castings. Christian Siriano, o nome mais inclusivo do line-up nova-iorquino, fez bonito novamente com muita diversidade em seu desfile. Marco Marco, por sua vez, trouxe drag queens, pessoas trans e não binárias para a passarela. Lindo de se ver!

Desfile de Christian Siriano. Foto: AFP

Desfile de Christian Siriano. Foto: Instagram

 

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Mas meus olhos brilharam mesmo com dois desfiles em especial: o da Savage x Fenty, grife de Rihanna, e o da italiana Dolce & Gabbana. Na marca de Riri (foto abaixo), um show de diversidade: teve modelo grávida, de cabelo curtinho ou longo, e com vários estilos de corpos, das mais magrinhas às gordas & gordinhas. O mais legal? O desfile uniu tops consagradas, como Gigi e Bella Hadid, e meninas normais, como eu e você. Prova de que, dá, sim, para representar todo mundo na passarela.

Savage X Fenty Fall/Winter 2018 - Runway

 

Assim como fez a Dolce & Gabbana, que levou mulheres de todas as idades – como Carla Bruni (50 anos, na foto) e Maye Musk (70) – e modelos com vários tamanhos de corpos, incluindo a top curvy Ashley Graham. Todas lindas e exuberantes, como a moda italiana gosta de mostrar. Tenho lá minhas ressalvas às personas de Domenico Dolce e Stefano Gabbana, que já falaram muita porcaria por aí, mas preciso reconhecer: ver uma das maiores grifes do mundo dando espaço à diversidade é algo lindo, fundamental e encorajador. Que sirva de exemplo – e como prova de que não é tão difícil assim fazer moda para todas.

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Ashley Graham. Foto: AFP

 

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sempre tratando de temas relacionados a diversidade.
A coluna abaixo será publicada na edição de 15 de setembro.

Demais.

Você engordou, hein? Está comendo só besteira na frente do sofá, não é? Eu acho seu rosto tão bonito… Imagina se perdesse uns quilinhos? Só estou falando pela saúde, viu? Aliás, você vai comer este doce mesmo? Tenho uma dieta ótima para te passar, funcionou com a minha prima! Eu tenho certeza que, se você tentar, consegue emagrecer também! Porque não é só saúde, é para você se sentir bem. Já foi ao médico? Ele disse que tu não tem colesterol alto, sério? Será que não deu erro no laboratório? Olha, eu te digo também porque os rapazes não gostam de guria tão gordinha assim. E você vai engordar depois de casar, então não pode já ganhar peso agora. E tem a moda também, né? Porque é difícil roupa cair bem em quem é mais fortinha, né? Ah, braço gordinho até dá para esconder, é só não usar regata, guria! Mas não usa essa blusa listrada, amiga, ela te deixa ainda maior! E se você escolhesse esse vestido mais soltinho aqui, olha! Mas, na real, acho que roupa curta não combina tanto com você, por causa das coxas grossas, sabe?

De menos.

Mas olha, tão magrinha! Está te alimentando direito? Eu acho que tu não come nada para ficar com essa cinturinha, hein? Se bem que agora tu ficou com essas perninhas finas. Não te digo por mal, é porque me preocupo com a tua saúde! Já foi no médico? Não está com anemia? Mas tem certeza que esse médico está falando a verdade? Porque não é possível tu estar saudável mesmo tão magra. Mas antes magra demais do que gorda, né? Mas mesmo assim, acho que tu não deveria usar saia curta demais, fica ainda mais chamativo para essas varetinhas. E te falta peito, né? Não dá nem para usar um decote. Silicone é tudo, tu vai ficar linda, quem sabe não coloca? E tem mais, guria: homem gosta de ter o que pegar, né? Assim, fica mais difícil casar, viu?

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Demais. De menos. As pessoas sempre terão um “defeito” para apontar na aparência alheia. E se não for o corpo, pode ter certeza que será a roupa, o cabelo, a cor das unhas, ou até aquela gargalhada mais efusiva. E não vão pensar duas vezes antes de te dizer. Talvez a crítica venha disfarçada de conselho, sabe? Com um fundo de preocupação, muitas vezes. Mas está ali, incrustada e sorrateira, pronta para dar aquela arranhada na mais inabalável autoestima. Ou pode vir sem cerimônia mesmo, com um comentário cruel no Instagram ou naquela fofoquinha no banheiro. De um jeito ou de outro, pedindo ou não, ela vem.

E como lidar, afinal? As pessoas jamais estarão satisfeitas com a nossa aparência, é fato. O importante, no fim das contas, é que VOCÊ esteja satisfeita, feliz e plena com a imagem que vê no espelho. Não tem problema nenhum querer emagrecer ou ganhar uns quilinhos ou mudar radicalmente o cabelo se você gosta de verdade de quem é hoje. Mas é só quando estamos satisfeitas de verdade que conseguimos ter discernimento e vontade para mudar (se quisermos) por vontade própria, e não porque o outro acha que precisamos.

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Ser bem-resolvida contribui (muito!) para nos blindar de toda a pressão estética que a sociedade exerce todos os dias, a gente queira ou não. Tudo certo com o manequim que você veste? Menos ouvidos você dará para quem fala do seu peso – seja muito, seja pouco. Parece clichê, mas é a armadura do amor próprio que ajuda a gente a se proteger da metralhadora de ódio que as pessoas descarregam todos os dias. Nas redes sociais, no almoço de família, no refeitório da empresa. Por bem ou por mal. Como se fosse uma simples opinião, que a gente não pediu, mas é obrigada a ouvir. Mas, spoiler: não somos. Se as pessoas acham que têm o direito de falar o que querem, sem pensar em como quem está ouvindo se sente, temos o mesmo direito de ignorar. Ou de revidar, né?

Meu rosto é bonito sim, mas o corpo também. Não estou magrinha demais, é esse meu biotipo. Não preciso disfarçar minha barriga não, amor! Ela existe mesmo, é bem positiva. E, olha, se os caras me acham gorda demais, ou magra demais, é problema deles, e não meu. Sua opinião sobre meu corpo é um problema seu, aliás. Não meu.

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Que mulher com manequim acima do 46 nunca ouviu que não poderia usar peças listradas porque a estampa “engorda”? Ou que preto deveria ser a sua cor preferida, já que o tom escuro promete um “efeito emagrecedor”? Por anos a fio, regrinhas de moda como essas se espalharam por aí e limitaram as escolhas e o estilo de mulheres gordinhas e curvilíneas.

Mas foi-se o tempo de seguir cartilhas e mandamentos que dizem o que a gente pode (ou não) vestir: a regra, agora, é não ter medo de usar (e ousar!). Para inspirar você a provar todas as roupas que quiser – e deixar de lado aqueles tabus sobre o que as mulheres plus size devem ou não vestir –, fiz as vezes de modelo e testei os tipos de looks que fomos condicionadas a passar longe. Conversei também com as consultoras de moda e estilo Débora Fernandes e Juliana Moertl, que compartilharam dicas valiosas. A principal? Não ter medo de usar o que você tem vontade.

– Autoconhecimento e aceitação são os primeiros passos. Quando você conhece sua personalidade e aceita o seu corpo, facilita tudo – diz Juliana.

Quer experimentar? Veja nossas dicas e deixe de lado todos os tabus que nos acostumamos a ouvir quando se fala de moda plus size – e que ficaram no passado!

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Macacão, o queridinho

Por anos considerado uma peça difícil de usar, o macacão finalmente caiu nas graças de quem curte moda. E funciona bem em todos os tipos de corpo, além de transitar nos mais diversos ambientes. Ou seja, deixe de lado aquele mito de que gordinha não fica bem de macacão, que é sinônimo de elegância e praticidade.

– É uma peça em que toda mulher pode investir. Para o verão, as modelagens vão dos curtos aos longos, como a pantalona – avisa a consultora de moda plus size Débora Fernandes.

 

Sim às pantalonas

Esqueça aquela ideia de que calças mais largas deixam suas coxas maiores – e você, mais baixinha. Pelo contrário: com o caimento certo, a pantalona fica elegante e pode até fazer você parecer “mais alta”.

– Fica bem em todos os tipos de corpo – afirma a consultora de estilo Juliana Moertl.

– Mas lembre de fazer a barra com um sapato que você vai querer combinar com a pantalona, e pode ser salto ou tênis. Use com camisa, camiseta, jaquetinha jeans. O importante é experimentar!

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Braços de fora? Pode!

Passar calor nos dias de verão porque está com vergonha de mostrar os braços gordinhos? Deixe o medo para lá! Se você ainda não está acostumada, a dica de Débora é apostar nas mangas japonesas, que cobrem apenas o ombro. Para começar a usar blusa de alcinha, aposte em um acessório bacana (e em tamanho máxi) que chame a atenção, como um brinco ou um colar. Vale até um batom colorido, viu? O importante é não ter medo de exibir os braços por aí!

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Brilhe muito!

Por muito tempo, mulheres curvilíneas e gordinhas fugiram do brilho – porque o efeito “chama a atenção”. Mas, afinal, qual o problema de atrair olhares, não é? Débora Fernandes ensina a usar toda a luz dos paetês a seu favor: para começar, pense em detalhes na t-shirt ou na calça jeans (como na imagem). Quem quer ousar um pouco mais, pode investir em um casaquinho de paetês, por exemplo, que cai superbem com jeans sequinho e camiseta.

– O brilho ganhou o aval para ser usado, inclusive, no dia. E dá um estilo hi-low – afirma a consultora de moda.

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Pantacourt sem pudor

Quando a pantacourt ganhou as passarelas (e as vitrines), teve quem torcesse o nariz para o modelo de calça que vai até um palmo abaixo do joelho. Tudo porque a peça parece achatar a silhueta – o que, de fato, tem um fundo de verdade. Mas, com os complementos certos, a pantacourt funciona para todo mundo. Sem contar que é uma peça curinga, que conquistou o status de novo clássico no armário e dá um toque fashionista às produções. Fica bem com tênis, sapatilha ou salto – e vai do fíndi relax ao trabalho. Para alongar, a dica de Juliana Moertl é usar com botas e meia-calça da cor da peça, no inverno, ou sapatos que deixem o peito do pé livre ou tenham o bico afinado.

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Tudo míni sem medo

Quem tem pernas grossas, muitas vezes, acaba usando apenas calças ou saias mais longas – e, além de passar calor, deixa de mostrar uma parte bonita do corpo. Tudo porque há o temor de que o comprimento míni deixe você mais baixa. Para Juliana Moertl, consultora de estilo plus size, vale apostar em sapatos mais abertos para evitar que você “perca” alguns centímetros visualmente: aposte em uma sapatilha de bico afinado, ou uma rasteira. Mas, se você é fã de botinhas ou tênis, não tenha receio de combinar também. O que vale, mesmo, é estar se sentindo bem.

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Estampas mil para todas

Usar estampas, principalmente as maiores, é complicado para mulheres de qualquer manequim – não somente as plus size. Juliana Moertl ensina a provar primeiro os prints em cores mais neutras.

– Estampas em preto e branco não têm erro! É só adicionar um acessório colorido e pronto – sugere.

Se o look tiver duas (ou mais) peças, a sugestão é combinar com uma lisa que seja de uma das cores da estampa. Fica a dica: prints com pegada tropical, florais e poás (quanto maiores, melhor!) são os preferidos da vez.

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Misture os prints

Agora que você já aprendeu todos os truques para usar estampa sem medo, que tal misturar dois tipos diferentes de prints? Vale tudo: xadrez com poás (como na foto!), listras com florais, grafismos com tropicais… Para Juliana Moertl, o segredo é unir peças que tenham as mesmas cores – ou pelo menos uma parecida. E, claro, uma dose extra de estilo para segurar o look, não é? Deixe de lado a ideia de que as estampas podem tornar você maior visualmente.

– Teste na frente do espelho – diz a consultora de estilo. – E use quando você se sentir confiante.

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Cores? Queremos!

Quem nunca ouviu que gordinhas deveriam usar mais preto porque a cor emagrece? Mito duplo aqui! Primeiro, porque nem sempre esse efeito funciona – e, para Juliana Moertl, a cor pode até envelhecer e pesar no visual. Não deixe de usar cores se combinarem com o seu estilo. E nem sempre precisa combinar uma saia rosa com uma blusinha preta. Os looks monocromáticos, aliás, estão súper em alta e são clean e elegantes, diz a consultora de moda Débora Fernandes. Quer colocar uma pitada de colorido?

A dica de Débora, que também trabalha como modelo plus size, é começar com sapatos ou acessórios, grandes e coloridos, como os brincos de acrílico. E, claro, provar muito na frente do espelho.

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Listrinha e listrão

No topo da lista de regrinhas ultrapassadas que ouvimos a vida inteira, está a afirmativa: “Mulheres gordas não podem usar listras na horizontal”. Quem disse, hein?

– Claro que pode! – rebate a consultora de estilo Juliana Moertl. – A listra na horizontal até pode dar uma achatadinha na silhueta, mas não é motivo para não usar. Quanto mais fina a listra, menor impacto visual a estampa causa.

Para quem não dispensa listras maiores, a dica é apostar numa terceira peça – como um colete aberto, que “quebra” o efeito encolhedor.

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Ficha técnica

Fotografia: Samuel Gambohan (A Imaculada)

Maquiagem: Taís Andrade

Cabelo: Rodolfo Coronel

Modelo: Thamires Tancredi

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“Dietland”: por que assistir à série que fala sobre as (muitas) cobranças que as mulheres enfrentam

“Dietland”: por que assistir à série que fala sobre as (muitas) cobranças que as mulheres enfrentam

O Um Plus a Mais também está na versão impressa da Revista Donna,
sempre tratando de temas relacionados a diversidade.
A coluna abaixo será publicada na edição de 1º de setembro.

Eu sempre fico com o pé atrás quando me dizem: “Tu precisa assistir a esta série, é a melhor coisa dos últimos tempos”. Tenho preguiça do hype exacerbado – e já perdi o timing de ver produções incríveis como Stranger Things, à qual só me rendi depois de muito tempo lançada. Meu pavor só aumenta quando me dizem que se trata de uma série com personagens gordas. É batata: posso contar nos dedos de uma mão só as vezes que colocaram mulher gorda nas telas sem que a mocinha da vez demonstrasse problemas com o próprio peso. Às vezes, ela quer emagrecer (Bridget Jones), outras ela se “descobre” bonita no final (Sexy por Acidente), ou, claro, luta contra os altos e baixos da própria autoestima (This Is Us). Parece que peso é o único “problema” passível de enredo na vida de uma mulher gorda.

Quando vi o título da série da vez, Dietland, indicada pela minha amiga Vanessa Scalei, que assina a coluna sobre TV aqui de GaúchaZH, bateu aquela curiosidade, confesso. Mas a preguiça de talvez deparar com mais uma representação estereotipada me fez enrolar, enrolar… Até a última segunda-feira. Resolvi dar o play e dei de cara com Alicia Kettle (Joy Nash). Já nos primeiros minutos, ela revela que seu apelido é Plum (ameixa, em inglês). “Porque sou suculenta e arredondada”, explica. Logo, viria a reviravolta – e o porquê de Dietland ser, sim, a melhor coisa que vi nos últimos tempos. “Também conhecida como gorda. Eu posso dizer isso”, completou.

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Já nas primeiras cenas, Plum avisa que a versão dela que estamos conhecendo pertence ao passado. Ou seja, começa, claro, com a mulher gorda que sonha em perder peso. Aos 30 e poucos anos e com mais de 130kg, ela se submete a mais uma dieta rigorosíssima, um dos passos para a cirurgia de redução de estômago que pretendia fazer. Em certo momento, a protagonista mostra um vestido vermelho, vários manequins menores do que o dela – era o modelito que se enxergava vestindo no futuro, quando seria Alicia, “magra e feliz”, e não mais Plum. O tom da série começa a ficar claro quando, numa reunião de um grupo de emagrecimento, uma das participantes levanta, indignada com o teor dos discursos na roda de conversa. “Eu me sinto bem gorda, eu me amo. Vim aqui porque preciso de ajuda para emagrecer pois tenho problema na coluna, não porque odeio meu corpo”, dispara uma moça de roupa moderninha e cabelo colorido. Não, amigas, não se trata de mais uma série bobinha, definitivamente.

Joy Nash as Plum Kettle - Dietland _ Season 1, Episode 1 - Photo Credit: Patrick Harbron/AMC

Mais um pouquinho do enredo: no estilo ghost writer (uma escritora fantasma, sem assinatura), Plum responde todas as cartas enviadas a Kitty Montgomery (Julianna Margulies, na foto abaixo), editora de moda de uma revista. Pausa: sim, é a Alicia Florrick da ótima série The Good Wife, e ela está ainda mais maravilhosa aqui! Na caixa de entrada de Kitty – e, por tabela, de Plum -, chegam correspondências de garotas aflitas, que relatam desde problemas de autoestima até estupro e assédio. Gurias desesperadas, que refletem os relatos de casos bárbaros e horrorosos que vemos todos os dias nas redes sociais, na TV, nos jornais. É por causa dessas meninas que Plum é abordada por Verena Baptist, filha de uma guru das dietas – cujo objetivo é acabar com a herança de sofrimento causada pela mãe. Junte a isso um grupo de guerrilha feminista – que, na trama, caça estupradores e abusadores de mulheres. A tribo das justiceiras ganha um nome certeiro: Jennifer.

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A partir daí – porque tudo isso rola no primeiro episódio –, Plum entra de cabeça numa verdadeira revolução pessoal, que vai muito além do número na balança. Dietland é uma série mais do que atual: em tempos de #MeToo, discute como pouquíssimas outras produções a opressão que atinge as mulheres desde as pequenas situações do dia a dia. Do olhar intimidador no elevador ao medo de andar sozinha na rua. Da cobrança por usar um saltão à necessidade de ser magra. Coloca o telespectador na mesma ótica da personagem – e, independentemente do seu peso ou sexo, é impossível não se sensibilizar com a vida de Plum e das garotas dos emails. O seriado é uma representação das angústias e absurdos que as mulheres vêm denunciando, cada dia mais. E vale cada minutinho na frente da TV. Se você está sem programa para este fíndi, fica a dica: está disponível na Amazon Prime. Para quem gosta de ler, Dietland é inspirada no livro homônimo de Sarai Walker – e está na minha lista.

Assista ao trailer de Dietland

 

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