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Por que concursos de beleza como o Miss não fazem sentido em pleno 2018

Por que concursos de beleza como o Miss não fazem sentido em pleno 2018

O Um Plus a Mais também está na versão impressa da Revista Donna,
sempre tratando de temas relacionados a diversidade.
A coluna abaixo será publicada na edição de 9 de junho.

Eu seria hipócrita se dissesse que nunca acompanhei um concurso de Miss com o mínimo de interesse. Já assisti ao programa acompanhada de amigos & pipoca, torcendo para nossas preferidas e comentando aqueles momentos engraçados. Fiz a cobertura de outras edições direto da redação de Donna – mais especificamente o Miss Universo em que Steve Harvey trocou as vencedoras na grande final (e ri muito, confesso!). Mas já faz bastante tempo que venho me questionando, afinal, por que um dia acompanhei – enquanto espectadora – esse tipo de programa.

missteLembra dele? Pois é!

Já parou para pensar em tudo o que há por trás de concursos como esse? Começamos pelas regras: em pleno 2018, apenas mulheres solteiras e que nunca tenham sido casadas podem participar. Não podem ser mães, nem estar grávidas. Precisam ser jovens (só jovem é bonita?), com no máximo 28 anos. Também há regras restritivas ao máximo quando se fala de corpo: altura de no mínimo 1m68cm, e medidas aproximadas de 90cm de quadril, 60cm de cintura e 90cm de busto. Ou seja: apenas mulheres com um corpo extremamente padrão, e que carregam a imagem imaculada & casadoura estão no páreo. São elas as candidatas a se tornarem a próxima “embaixadora da beleza do país e influenciadora da sua e de várias gerações”. Pois bem.

Você pode me dizer que esse é um país livre, e participa quem quer. Concordo, claro. E assiste quem quer também: é por isso que eu faço questão de não acompanhar, porque perdeu a graça pra mim há muito tempo ver mulheres sendo avaliadas principalmente por sua beleza. Me nego a dar Ibope, literalmente. Para mim, concursos de Miss não fazem sentido algum hoje: mulheres competindo pelo título de mais bela quando, fora do mundo das faixas e coroas, se luta por equiparação salarial e igualdade de direitos. Para dizer o mínimo, parece uma perda de tempo.

giphy (4)Concurso de julgamentos: quem também está cansada, hein?

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É por isso que me causou um certo alívio quando o Miss América anunciou que vai eliminar o tradicional desfile de biquíni da versão norte-americana do concurso. Mais: agora serão aceitas candidatas de “todas as formas e tamanhos”. Até a passarela com vestidos de festa – considerados antiquados por muitos – deve sofrer uma reformulação, e agora as participantes poderão usar o que bem entenderem nesta etapa. E por que essas novidades agora? Bem, talvez tenha a ver com a mudança na organização. Depois de 97 anos, o Miss América agora é organizado apenas por mulheres, incluindo a presidente Gretchen Carlson – a saber, ex-âncora da Fox News, que acusou o então presidente da emissora de assédio sexual.

Provavelmente as mudanças de comportamento do público, que exige mais representatividade e inclusão, tenham influenciado as decisões. Ninguém é bobo, né? Mas ter mulheres na linha de frente deve ter tido seu peso também, convenhamos. Não dá para negar que o concurso de Miss continua me parecendo datado e desnecessário, mas pelo menos agora com a chance de ter um mínimo de diversidade. Quem sabe, né?

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Arrasando na gringa! Modelo plus size brasileira estrela comercial de marca nova-iorquina

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Quem acompanha os lançamentos (cada dia mais lindos!) das marcas plus size brasileiras provavelmente já conhece Gabriela Caroli. Dona de cabelos ruivos inconfundíveis, a modelo de 33 anos é uma das mais requisitadas da vez. No currículo, um comercial para a Budweiser, desfiles para o estilista Isaac Silva na Casa de Criadores e, claro, fotos para marcas como Vintage and Cats, Wear Ever, Bambina Beachwear (na foto em destaque!) e muito mais. Gabi, além de linda – e rainha dos carões! -, também compartilha mensagens de autoestima em seu Insta. Musa, né?

 

Pois o sucesso da Gabi é tanto por aqui que a top acaba de estrelar um comercial da Macy’s, uma das maiores lojas de departamentos dos Estados Unidos. Mais: Gabi é a única modelo plus size que aparece no vídeo, com cerca de 1 minuto.

Dá o play para conferir:

E olha só que bacana: o vídeo para a Macy’s foi o primeiro trabalho internacional de Gabi Caroli. Com o sucesso que essa guria vem fazendo, deve ser apenas o passo inicial de muitos que virão, não é? Em entrevista exclusiva para o Um Plus a Mais, ela contou um pouquinho sobre como gravar para a rede de lojas:

“Foi uma experiência incrível, eu só acreditei que realmente estava acontecendo depois que fiz. Gravamos em Buenos Aires. Eu soube que me escolheram na sexta e já viajei no domingo”, explica. “Eu gravei minha cena entre atores e modelos de outras partes do mundo, era a única plus e isso não era uma questão para eles. Fora que a dimensão do trabalho é enorme, a produção super detalhada e no final tivemos esse resultado lindo”.

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Para além de uma conquista pessoal para lá de importante para a Gabi, ter uma modelo brasileira nesta posição de destaque só revela o quanto nosso mercado de moda para pessoas gordas é repleto de talentos. Temos maquiadoras, stylists, modelos e estilistas incríveis por aqui sim! E, ainda bem, estamos presenciando o crescimento do setor plus size. Muitas marcas independentes incríveis trazendo informação de moda e inclusão real, modelos revelando profissionalismo (além da beleza!) e, finalmente, grandes marcas começando a despertar para a necessidade de oferecer tamanhos maiores. Um tijolinho de cada vez, mas sempre em frente!

“Representa uma conquista enorme pessoal pois um trabalho internacional estava na minha listinha de sonhos! É também uma conquista para o movimento plus de nosso país, pois lá fora eles conhecem pouco sobre a gente”, reforça Gabi Caroli.

Nós amamos!

 

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Absurdo! App para emagrecer fotos manipula imagem de Tess Holliday, que se manifesta: “Achar que é OK vender isso é chocante”

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Não é novidade para ninguém que muita gente usa aplicativos – ou Photoshop! – para parecer mais magra em fotos nas redes sociais, né? Afinam rosto, diminuem o nariz, alongam o próprio corpo em níveis que, muitas vezes, fica evidente e até tosco quando você olha com atenção: a paisagem de fundo “torta” pela manipulação digital, muitas vezes, não deixa a mentira vingar. E por que, hein? Distúrbios de autoimagem, não há dúvidas. Pressão estética, essa antiga conhecida nossa. Vai além.

Motivos que culminam na tentativa de seguir os velhos padrões de beleza não faltam, e não estou aqui para julgar, mesmo. Se alguém está feliz parecendo mais magra no Instagram – ainda que quem a vê na vida real saiba que aquele corpo é irreal -, o problema só pertence a essa pessoa. Mas o que não dá para tolerar é usar a imagem de uma mulher gorda e bem-resolvida como “exemplo” de antes e depois nesse tipo de aplicativo. E foi exatamente o que rolou com Tess Holliday, uma das modelos plus size mais famosas do mundo.

Tess, maravilhosa & plena!

Em seu perfil no Instagram, a top de 32 anos denunciou o app Pip Camera, que usou sua imagem sem autorização para mostrar os “efeitos” do programa de edição de imagens. Irritada – com toda a razão, Tess ameaçou processar os proprietários do negócio. Além das fotos de Tess, o Pip Camera ainda mostra o “antes e depois” de outras duas modelos plus size – e não dá para duvidar que tenham sido usadas também sem autorização. Afinal, se faltou noção e bom senso para colocar a imagem de uma das modelos gordas mais conhecidas, né?

“O fato de alguém achar que é OK vender isso para uma pessoa é chocante. Em um mundo de conteúdos pagos e reguladores de alimentos, é importante para mim dizer a todos que jamais serei parceira de uma marca ou estrelar qualquer conteúdo pago a menos que eu realmente fosse recomendá-la para a minha melhor amiga. (…) Eu já recebi ofertas de muito dinheiro para vender todo tipo de coisa, de clareadores dentais que não funcionam a emagrecedores perigoso, mas cabe a mim encontrar quem quero anunciar”, garante Tess. E, acompanhando a modelo, para lá de engajada, a gente bem sabe que é verdade.

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Além do esclarecimento, Tess ainda fez questão de explicar porque esse tipo de aplicativo, no fim, só reforça modelos de beleza e não contribui em nada com a autoestima:

“Você é o suficiente, você merece amor pelo corpo que tem, seja lá como for o seu corpo”, escreveu Tess.

An app that has nearly 50k downloads was dumb enough to steal photos of myself & two other plus size women & use them for this nonsense.🙄 I’m sharing this because I wanna address a few things. First of all, the fact that anyone thinks it’s ok to market this to ANYONE is appalling, but like, come on y’all 🤦🏻‍♀️ Secondly, why is @instagram not regulating the sponsored content like this? In a world of paid content, flat tummy teas, appetite suppressing lollipops (so many 🙄) its important for me to tell y’all that I have & will never partner with a brand or do paid content unless I genuinely use it or would recommend it to my best friend. I’ve been offered crazy amounts of money to sell y’all all kinds of things like teeth whitening (that doesn’t work), weight loss products (that are dangerous), etc., but that’s me- to each their own 💁🏻‍♀️ Lastly never let anyone make you feel like you need to alter your appearance or who you are. You are enough. You are worthy of love in your current body, whatever that body looks like. As for this bogus app, my lawyers will be sliding in your DM’s boo✌🏻#effyourbeautystandards

Uma publicação compartilhada por T E S S 🔥 (@tessholliday) em

 

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Por que as pessoas se importam TANTO com os pelos da Bruna Linzmeyer?

Por que as pessoas se importam TANTO com os pelos da Bruna Linzmeyer?

Bruna Linzmeyer é, sem dúvidas, uma das atrizes mais promissoras de sua geração. Foi indicada várias vezes a prêmios como o Contigo! de TV e o Melhores do Ano, do Faustão, por produções como a novela Amor à Vida, Meu Pedacinho de Chão e A Regra do Jogo. No momento, inclusive, está entre as indicadas como Melhor Atriz no Prêmio Platino pelo longa O Filme da Minha Vida, que estrelou ao lado de Selton Mello. Um currículo invejável para uma guria de 25 anos, mas as pessoas estão falando é dos pelos da Bruna. Pois é.

Nesta segunda-feira, a atriz compartilhou em seu Instagram uma foto em que aparece de biquíni, clique que integra um ensaio assinado pelo fotógrafo Gleeson Paulino. Na pose, Bruna está com os braços levantados – e deixa à mostra seus pelos da axila. Gleeson também compartilhou em seu perfil uma foto da sessão, em que ficam (levemente) à vista os pelos pubianos da atriz. Nem preciso dizer para vocês que essas imagens geraram uma onda absurda de comentários sobre os pelos da atriz.

 

Para constar: estamos em pleno 2018. Nunca discutimos tanto os direitos das mulheres: falamos sobre body positive em capas de revista, equidade salarial em pleno Oscar, representatividade feminina no Festival de Cinema de Cannes. A igualdade e o direito às próprias escolhas são traduzidos na nova onda do feminismo, que ganhou proporções absurdas nas redes sociais. As mulheres – e tudo o que elas deveriam poder fazer – nunca estiveram tão em pauta, mas, mesmo assim, as pessoas se preocupam é com os pelos pubianos e das axilas de uma atriz.

Só consigo pensar que todo esse choque dos seguidores de Bruna – muitos do sexo feminino, vale lembrar – tem a ver com a construção social da mulher perfeita. Da imagem imaculada que ainda esperam de nós. Aos olhos de muitos, precisamos ser sempre femininas (outro conceito construído, vale lembrar). Devemos arrancar cada fio das pernas, virilha e axila a cada duas semanas, estar com os cabelos perfeitamente alinhados sempre, as unhas pintadas. E se ousamos sair fora desse padrão? Não seremos desejadas. Ou vamos ser taxadas de desleixadas, sujas – como muita gente se referiu a Bruna por não se depilar. Ora, você já disse a um homem que ele é feio por que não vai a um designer de sobrancelhas? Ou que ele não cuida da própria higiene por que não depila o corpo inteiro? Óbvio que não.

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Não dá para aceitar também que as pessoas vinculem os pelos à falta de higiene. Há dois anos, fiz uma matéria para a Revista Donna sobre a não depilação, e consultei a dermatologista Juliana Jordão para explicar se a região com pelos fica mais sujeita a odores. A resposta? Até pode haver mais umidade sim, mas isso acontece com quem tem tendência genética a sudorese excessiva, inclusive se a pessoa se depila regularmente. Não são os entendidos de internet falando, viu? É uma médica. Ou seja, esse argumento furado não cola mais.

O que sobra, no fim das contas? Os intrometidos que adoram dar pitaco sobre o corpo do outro. Fala sério: no que afeta a vida de alguém se a Bruna se depila ou não? E por que as pessoas se sentem no direito de entrar no Instagram da guria e falar de uma opção sobre o corpo DELA que só diz respeito a ELA MESMA? Bruna está simplesmente exercendo o direito de ter o corpo que ela quiser – com ou sem pelos. E isso não diz respeito a ninguém. Ponto.

Você tem todo o direito de preferir suas axilas depiladas, e está tudo bem. O feminismo é sobre isso mesmo: deixar cada um escolher seus próprios caminhos e não ter suas opções julgadas. Mas, se você acha feio – direito seu! -, guarde sua opinião. Livre expressão é diferente de ofender de graça. Não esqueça que o próximo alvo dos pitacos alheios pode ser qualquer uma de nós.

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Oi? Depois de dizer que Adele é “gorda demais”, Karl Lagerfeld anuncia coleção plus size

Oi? Depois de dizer que Adele é “gorda demais”, Karl Lagerfeld anuncia coleção plus size

Quem tem muita gente surfando na onda do body positive, nós já nos demos conta. Há marcas que genuinamente se atentaram à necessidade de ser mais plurais, mas há outras que, francamente, sabemos que é apenas por estratégia e pressão do público – e, claro, por grana.

Não tenho nem um pingo de pudor de dizer que o segundo cenário tem tudo a ver com a novidade da vez no mundo da moda. Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel desde 1983 e da sua etiqueta própria há 44 anos, resolveu finalmente criar uma coleção para as mulheres gordas. Pois é.

Trata-se de uma parceria com o serviço de styling pessoal online Stitch Fix. A linha começa com 15 peças pensadas para mulheres mais clássicas, incluindo os tradicionais blazers de tweed da maison francesa, tudo com preços entre 39 e 148 dólares. Ainda estão programados lançamentos para os próximos meses.

Veja um pouquinho da coleção

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Parece legal? Olha, em um primeiro momento até sim. Finalmente, um grande nome da Alta Costura está interessado em criar para a mulher gorda. Mas, aqui, o buraco é bem mais embaixo.

Estamos falando de Karl Lagerfeld, que também é um dos nomes mais controversos da moda. Especialmente no que diz respeito ao público plus size, a primeira coisa que lembrei ao ver a notícia foi da infeliz colocação do estilista sobre o corpo da cantora Adele – que dispensa comentários, não é? Para refrescar a memória: em 2012, ele foi convidado a eleger sua cantora favorita pelo jornal Metro de Paris. Na entrevista, disse que não “via graça” em Lana Del Rey, e complementou:

“Eu prefiro Adele ou Florence Welch (do Florence and the Machine). Como uma cantora moderna, Lana não é nada má. Mas a cantora do momento é Adele. Embora ela seja um pouco gorda demais, tem um rosto lindo e uma voz divina”, declarou.

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Não vou nem me ater à necessidade (que não existe) dele falar sobre o corpo de Adele quando o assunto era música. E nem que o próprio Karl já foi gordo também – em 2001, ele perdeu mais de 40 quilos. Até poderia lembrar que o Kaiser da moda, anos antes, havia dito que só as “mamães gordas” é que davam atenção à magreza das modelos. Mas não.

Vou apenas falar que essa tal coleção plus size assinada por Karl Lagerfeld não passa de oportunismo barato. Me parece que ele recebeu uma proposta financeira provavelmente bem gorda (sim, GORDA, a gente não tem pudor da palavra não, Karl!) e resolveu entrar na modinha. Agora que o papo envolve grana não somos gordas demais, né?

Me dá muita pena ver uma grife de prestígio criada por uma mulher transgressora como Coco Chanel estar nas mãos de um cara tão preconceituoso. Um criativo de mão cheia, que teve inúmeros méritos? Claro, não discordo. Mas a gente sabe que, hoje, em 2018, não basta ser um gênio se você é babaca. Sinceramente, não sei se as gordas que você tanto menosprezou vão comprar assim tão fácil suas ideias, Karl. Que sirva de exemplo.

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