Como passei dos casacões e das blusas largas para a saia lápis e o top cropped (e como isso me faz bem)

Quem convive com manequim GG desde a infância sabe bem: a gente cresce ouvindo todo mundo dando palpite sobre o nosso corpo. Desde aquela tia distante até a senhorinha na fila do supermercado, há uma infinidade de pessoas que se acham no direito de dizer o que você pode ou não comer. Ou de como você ficaria mais bonita se perdesse uns quilinhos, afinal “seu rosto é tão bonito”. Quando chegamos na adolescência, entram na lista de fiscais do corpo alheio as revistas de moda e os programas de TV, que insistem em colocar na nossa cabeça que não podemos nem pensar em usar listras horizontais: elas te engordam. Estampas? Só com fundo neutro – e olhe lá. Roupa justa? Você não seria louca, certo?

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Há sortudas como a ruivíssima Jéssica Lopes, aka Femme Fatale by Jeh – personagem do nosso editorial deste fíndi da Revista Donna! -, que cresceu sem dar tanta bola assim para o que os outros pensam do seu guarda-roupa, do seu corpo e do que escolhe para usar. Mas a maioria de nós, gordinhas, provavelmente é do time da Gabi Ferst: passamos a fase teen com a dupla legging e camiseta como uniforme de todos os dias. No meu caso, fiquei dos 13 aos 20 e poucos anos escondida sob camisetas, casacos grandes e jaquetas pretas. Tive a sorte de contar com uma amigona da época do colégio, a Mari, que vivia mandando modelos de vestido “a minha cara” pelo saudoso MSN. Depois de selecionar os mais bonitos, imprimíamos e levávamos na costureira do bairro, munidas de tecidos baratinhos escolhidos a dedo no Centro. Consciente ou não, dar uma de “estilista de eu mesma” foi fundamental para que despertasse minha paixão pela moda – e que seria a porta de entrada para me encontrar de vez com o espelho. A cada saia xadrez ou vestido de poá que chegava sob medida da costureira, fui percebendo que não precisava mais me esconder em camisetões. Aos poucos, fui me encontrando e conseguindo transparecer, também através das roupas, a personalidade que os quilos a mais ocultava. Porque, querendo ou não, a gente acaba se camuflando para que as pessoas nos julguem o mínimo possível – e isso inclui podar, sem nem se dar conta, quem você é para além da balança.

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Mas chega um dia em que a gente acorda e, sem saber bem o porquê, começa a querer mudar. No meu caso, foram os vestidos pensados para o meu corpo que me fizeram enxergar que não era preciso deixar de lado quem eu queria ser, na moda e na vida. Depois daí, não parei mais de encarar pequenos desafios fashion: uma saia acima do joelho, uma blusa mais justa. Os verões nunca mais foram os mesmos de aperto e calor quando decidi que ia tentar usar uma regata sem mangas, que acabou virando blusa de alça fininha.

DN018022160514_12191821_7Saia lápis – desta vez, com braços de fora graças à estampada blusa de alcinhas

Como boa fã de Dita Von Teese e seus modelitos para lá de sensuais com saia lápis, quase enlouqueci na primeira vez que vesti a minha, em versão couro. O último desejo riscado da lista foi top cropped, aquele com um pouquinho da barriga aparecendo, que exibi em meio às modelos 36 durante a cobertura da São Paulo Fashion Week, no fim do mês passado. Parece que foi fácil? Bem, não foi nem um pouco. E acho que, no fundo, nunca vai ser – principalmente quando alguém te olha torto na principal semana de moda do país porque você, gorda, cometeu a ousadia de deixar centímetros da sua barriga de fora. A diferença é que, agora, aprendi que vem em primeiro lugar quem eu quero ser – pois, afinal, quem paga os carnês das roupas que eu visto, né?

DN018021160514_12191820_7Olha o top cropped aí! Em versão couro, faz dupla com a saia plissada em comprimento mídi

E é esse desafio que proponho a vocês, gordinhas ou não, que já deixaram de usar o que queriam por medo do julgamento alheio: experimentem! Na próxima vez que tiver vontade de usar uma saia justa, entre na loja, peça seu número e vá para o provador. Serviu? Está confortável? Corra para o caixa e seja feliz! Como diria Valesca Popozuda, se alguém resolver implicar, é só mandar um beijinho no ombro. A partir do momento em que você se coloca em primeiro lugar, o que vem de fora não vai mais te atingir.

Quer se inspirar? Escolhi algumas peças que sempre ouvi que “gorda não pode usar”, direto do meu guarda-roupa, e montei alguns looks para acabar de vez com esses mitos.

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DN018003160514_12191774_7Quem disse que gordinha não pode usar branco? Aqui, em dose dupla, no blazer e na saia de listras

 

13015499_1339441396082996_3547715015349753033_n (1)Versão fun com a “proibida” saia lápis em couro, camisa xadrez 90’s e as flatforms, aposta da temporada

00ba0815Look plus size com macacão? Pode siiim! Aqui, em modelagem soltinha com sandálias de salto médio

00ba0817Para quem sempre ouviu que só podia usar estampa miúda: poás gigantes com a minissaia de couro

00ba0819Mais listras: agora, na saia justinha de cintura alta, que ganha cara de inverno com a meia-calça

 

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