Repórter do jornal Extra é vítima de gordofobia e interrompe entrevista ao vivo para responder

Enquanto conduzia uma entrevista em transmissão ao vivo pelo Facebook nesta terça-feira, a repórter do Jornal Extra Samanta Vicentini surpreendeu-se com ataques gordofóbicos. Em meio aos comentários e dúvidas de leitores sobre morar ou não fora do Brasil, a pauta da matéria, o internauta Rafael Monciozo Montiverdi repetiu xingamentos como “gorda”, “gorducha” e “leitoa” à jornalista. Quer mais? O próprio ainda se autointitulou “gordofóbico” e admitiu que “odeia gorda”.

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Quando vi a notícia – vale ressaltar, reproduzida com um belo posicionamento editorial do Extra em seu site, como você vê aqui -, me deu um embrulho de estômago de imediato. O quão mesquinho (e desocupado!) é alguém que se dá ao trabalho de invadir uma entrevista séria para proferir insultos contra alguém que está ali, fazendo o seu trabalho? Porque, ainda, as pessoas acham que podem opinar sobre o corpo alheio? E porque tanto ódio e preconceito com as pessoas gordas?

Cada vez que uso o termo gordofobia por aqui, aparece MUITA gente fazendo piada e dizendo que é só mais uma palavrinha criada pela geração mimimi – que, na visão dessa galera, inclui as feministas, militantes da causa LGBT e antirracismo, e por aí vai. Mas é justamente para combater esse preconceito tão entranhado na nossa sociedade que esse blog nasceu, porque a gordofobia existe sim e esse problema é tratado com tanta indiferença pela maioria que nem o termo é respeitado. Talvez mais do que colocar o assunto em pauta (aliás, pela segunda vez nesta semana, o que só reforça o quanto a gordofobia está no nosso dia a dia), a ideia aqui é mostrar as respostas belíssimas e inspiradoras a esses ataques, como a que Samanta deu ao, sim, gordofóbico:

“Gordo não é ofensa. Isto aqui é só embalagem. Falta de caráter é pior do que gordura”, respondeu, ao vivo durante a transmissão.

giphy (5)You go, girl!

Samanta, você foi apenas MARAVILHOSA e reforçou um ponto que vivo falando aqui: vamos parar de tratar a palavra gordo como algo negativo? Afinal, é só uma característica de alguém, como loira, morena, alta, baixa… Parem de achar que é xingamento e policie-se para não usar com uma conotação negativa no dia a dia, porque sim, isso também é gordofobia. Disfarçada, mas é.

Depois do ocorrido, a equipe do Extra fez prints dos comentários e bloqueou o usuário do Facebook , “tomando por base os Termos de uso e padrões da página do jornal, que não permite ‘Conteúdos impróprios, ofensivos, abusivos, caluniosos, difamatórios, fraudulentos, enganosos, ameaçadores e violentos’ e ainda ressalta que não aceita ‘comentários discriminatórios de qualquer natureza, em especial quanto a sexo, cor, raça, religião, idade ou situação econômica’.” A publicação ainda informa que deve tomar as medidas judiciais cabíveis.

>> Clique AQUI para assistir ao vídeo com a resposta de Samanta

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Em seu perfil no Facebook, Samanta desabafou sobre o episódio:

“Se tem uma coisa que o feminismo me ensinou é: não ficar calada. Sabe por quê? Porque eu não estou sozinha. Eu pedi licença para a minha convidada e falei o que eu acho, que foi mais ou menos o que escrevi acima, mas de forma resumida. E o jogo seguiu e a entrevista foi superlegal! Pode me chamar de gorda à vontade. isso é só o meu corpo e eu sei que, por enquanto, ele é gordo mesmo, mas eu posso emagrecer. Agora, pra falta de caráter, ainda não inventaram remédio.”

ARRASOU, Samanta! Atitudes como a sua que ajudam, aos pouquinhos, a dar um basta nesse povo que acha que pode ofender quem quiser. A gente tem que falar, se posicionar e botar a boca no trombone SIM, e você fez isso de um jeito incrível!

Em seguida, os leitores também saíram em defesa da repórter. Mais: em outra transmissão ao vivo apresentada pela jornalista, as mensagens de apoio multiplicaram-se novamente.

Demais <3

 

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