#MeuCorpoDeVerão: O dia em que larguei a canga e usei biquíni sem medo

Por muito tempo, eu dizia que odiava praia. Minha família tem casa no litoral e, mesmo assim, eu passava o verão na cidade, inventando todo tipo de desculpa para não ir um final de semana sequer. Primeiro foi o estágio, e depois o trabalho. Em casa, rolava algo parecido: a piscina que meus pais instalaram quando eu tinha uns oito anos passou de xodó da infância a vilã da adolescência. A vergonha do meu próprio corpo era maior do que a vontade de aproveitar os dias de calor.

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Enquanto escrevo esse texto, me flagro lembrando de todos aqueles momentos em que neguei a mim mesma o direito de ser feliz sem perceber. Preferia chamar minha amiga de adolescência a passar as tardes das nossas férias de colégio no ar-condicionado do shopping vendo vitrines a convidá-la para uma tarde na piscina comigo. Neguei convites da tia para passar um feriadão em Florianópolis, e ficava sentada todos os dias na beira da piscina, de legging e camiseta preta, enquanto meus pais e meu irmão brincavam na água. Logo eu, que sempre fui empolgada para tudo, que adorava uma junção ou um programa diferente, fingia que não estava a fim de nada se precisasse vestir um biquíni. Ou uma blusa de alcinha. Ou uma saia mais curta. Eu, que sempre fui desencanada e “tô nem aí” para tanta coisa na vida, deixava que os outros me dissessem como eu deveria ser e o que podia vestir. Ou o que não podia.

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A ficha começou a cair não faz muito tempo. Há uns três verões, minha mãe resolveu passar uns dias em Santa Catarina. Eu já tinha marcado minhas férias para janeiro, não tinha como escapar. Enquanto arrumava a mala, comecei a sofrer por antecipação. “Logo Santa, com aquele monte de gente malhada, o que eu vou fazer?”. Na dúvida, coloquei mais um short e tudo o que lembrasse canga na bagagem. Já há algum tempo, acompanhava com afinco tudo o que duas blogueiras que vocês leram nas páginas anteriores diziam: a Ju Romano e a Nuta. Durante a viagem de seis horas de carro, fui matutando: “Se a Ju veste biquíni, por que eu não tenho coragem? E se…”.

Dessa vez o “se” teve um final feliz. Minha personalidade 8 ou 80 finalmente foi útil quando decidi que, se era para botar biquíni, que botasse sem canga mesmo. Sem pensar duas vezes, me vesti e saí da pousada rumo à praia só de biquíni, com a tal canga levemente amarrada nos ombros para evitar o sol quente. Já na areia, qual foi a minha surpresa: ninguém me olhou. Ninguém reparou em todos aqueles problemas que eu encontrava toda vez que me via no espelho – e que hoje sei que são só características minhas.

A cada dia, uma nova amarra era deixada para trás: a vergonha de mostrar os braços gordinhos, a perna com celulite, o bumbum grande demais em uma saia justa. Hoje, sou a gorda abusada que usa saia lápis com cropped à la Kim Kardashian, paetês e brilho de dia se der vontade. Hoje, tenho que cuidar para não me vestir como se estivesse indo para uma festa toda manhã, porque não consigo negar mais nada a mim mesma. E se hoje transbordo, é porque um dia tive a inspiração de mulheres incríveis que me disseram: “Vai lá e seja quem você é sem medo”. É isso que desejo a todas as Thamires que existem por aí: não percam mais nem um dia se escondendo de vocês mesmas. Nada é tão incrível como se sentir bem na própria pele. Então, por que não?

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