Quem nunca se sentiu representado sabe a importância de ver alguém que é seu par

Dia desses, estava rodando o feed do Instagram quando deparei com um post da nossa colunista online de Donna, a musa Duda Buchmann, que também atende pelo @negraecrespa. Feliz da vida, ela comemorava uma personagem negra e crespa, assim como ela, na Turma da Mônica. “Que lindo ver que as próximas crianças terão essa personagem linda entre Mônica e Magali. Parece simples, mas isso se chama representatividade e importa muito”, escreveu a Duda.


E como importa, Duda. Quando se está inserido dentro da maioria padrão (na mídia, na TV e nas revistas, mas não necessariamente nas ruas), a gente nem percebe a diferença que isso faz. Eu, mulher branca, sempre vi outras com a minha pele e meus cabelos nos meios de comunicação, na novela, no outdoor da rodovia ou no gibi na banca. Não tenho ideia do que é ter nascido uma guria negra como a Duda, que provavelmente teve poucos referenciais de garotas negras e lindas como ela no desenho animado e no jornal. E que, ainda bem, vê esse cenário mudar aos pouquinhos agora.

Mas sei o que é ser uma guria gorda (gordinha, plus size, curvilínea, tanto faz mesmo, tá?). Cresci vendo a imagem de mulher bonita ser associada a garotas altas, longilíneas e com quase nada de gordura no corpo. Se tivesse cinturinha de pilão, melhor ainda. Sei bem o que é ver a gordinha da novela viver a personagem engraçada, que ajuda a amiga bonita a pegar o cara gato, ou que ouve os dramas do garanhão sem dar uma bitoca sequer por capítulos a fio. Vi por anos a mulher com quilos a mais (do que o padrão) ser sempre o “antes” nas revistas – quando era “feia”, com uma cara de quem recém acordou, usando legging e camisetão. O “depois” é alguém que perdeu muitos centímetros devido a uma dieta milagrosa, e que só agora, que é magra, pode finalmente pentear os cabelos e esboçar um sorrisão.

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Sim, parece bobagem, mas só quem nunca se sentiu representado sabe a importância de ver alguém que é seu par. É por isso que a gente comemora tanto a cada propaganda da Dove com mulheres de todos os tipos e tamanhos de corpos, ou quando aparece uma atriz trans na novela, ou se mais e mais mulheres negras estão na capa das revistas. É por isso que eu passei a semana enlouquecida de felicidade porque Donna estampou, pela primeira vez, um casal de gurias na capa. Porque existe muita gente diferente no mundo, e só quando essas pessoas “fora do padrão” ganham visibilidade é que o tal padrão cai por terra. É que se torna algo natural para você ou a sua vó ver, ou aquele seu tio mais quadrado, ou até sua prima careta.

E, veja bem, não é que a gente precise disso pra ser feliz, sabe? Eu viveria muito bem sem ver um filme como o Gostosas, Lindas e Sexies, por exemplo, que tem quatro protagonistas gordas e poderosas, mas me sentir representada é uma sensação sem igual. Tenho certeza de que a Duda, bem-resolvida que é, não precisa de uma personagem da Turma da Mônica para saber que ela é linda e incrível sendo negra e crespa. Mas a gente sabe bem o quão importante é, principalmente para crianças e adolescentes com a autoestima em formação, enxergar outros como eles como pessoas bonitas e de sucesso. Como protagonistas e não eternos coadjuvantes.

É por tudo isso, porque a representatividade importa – e muito! –, que a iniciativa da Anitta, assunto na última semana, é tão válida e importante. A cantora integrou ao seu corpo de baile duas bailarinas plus size: Thais Carla e Tatiana Lima. As novas contratadas já participaram das gravações do Caldeirão do Huck, e Thais dançou na primeira apresentação na TV do novo single da musa pop, Paradinha, no programa Música Boa Ao Vivo, do Multishow.

Assista!

E tudo isso é incrível porque Anitta é uma cantora extremamente popular, que atinge todas as faixas etárias. Você tem noção do que é ser uma criança ou adolescente gordinha e ver a maior estrela pop do país com uma dançarina gorda no palco, rebolando e mostrando que a mulher gorda pode dançar, SIM, e ser saudável, SIM? Que pode fazer tudo o que qualquer outra faz? E outra: quantas cantoras pop têm bailarinas gordas, hein? Como diz a própria, que tiro certo da Anitta promover a inclusão e a diversidade. Fora que as gurias dançam muito! Orgulho, orgulho e mais orgulho!

 

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