#GordofobiaNãoÉPiada: a hashtag que traz os relatos de luta e  amor próprio mais lindos do Instagram

Dia 24 de dezembro. Imagine você, reunida com a família, esperando aquele momento delicioso de celebração que é o Natal. Aí você resolve abrir o Twitter para dar aquela espiada no que está acontecendo no mundo e depara com uma foto sua virando chacota no perfil de um humorista e apresentador, que resolveu fazer uma piadinha ridícula sobre o seu corpo – que, vamos falar a verdade, é preconceito disfarçado de humor. Detalhe: o cara babaca tem mais de 16 milhões de seguidores, e muitos deles naquele estilo “minion” que segue tudo o que o mestre manda.

Corta para aquele mesmo dia 24 de manhã: a personagem da nossa história-real, a jornalista e youtuber Alexandra Gurgel, aka Alexandrismos, havia concedido uma entrevista incrível para a BBC Brasil, falando justamente… de gordofobia. Horas depois (exatamente na meia-noite de Natal, olha que curioso), Alexandra sofreria mais um ataque gordofóbico, agora bem pessoal, do mesmo dito cujo.

Tecla SAP: gordofobia é o preconceito com pessoas gordas que vai bem além da piadinha. É também a catraca do ônibus que não deixa você passar sem se machucar, o assento do avião que não comporta sua bunda ou o médico que justifica sua gripe pelo sobrepeso. É tudo o que dificulta sua acessibilidade nas ruas simplesmente por você ser gordo. É uma sociedade que não sabe lidar com pessoas gordas e transforma cada pequena tarefa do dia a dia em uma verdadeira batalha. E vai bem além da dificuldade para comprar roupa. Dificulta viver.

Se você ainda não conhece a Alexandra, fica a dica: vale o play em cada um dos vídeos que a guria posta em seu canal no YouTube. Ela comenta os assuntos da vez – como o clipe da Anitta ou a lipo da Boca Rosa -, compartilha relatos gente da gente sobre temas que confidenciamos só para a melhor amiga. Ainda fala sobre temas tabu como namoro, sexo e amizades da mulher gorda, tudo isso sob a ótica de um mulherão sem frescuras e mente aberta. Sou fã, de verdade.

Muita gente se surpreendeu e elogiou a minha força, a minha coragem de falar publicamente e denunciar uma ofensa que um cara bem famoso me direcionou. É engraçado, porque eu só fiquei mal de verdade na noite de Natal, quando cheguei em casa e vi o que tava rolando no Twitter. Depois de tanta gente me defendendo e esperando de mim uma resposta, eu vivi o dia 25/12 numa nice, com minha querida amiga @beeeells , que me recebeu na casa dela para esquecer um pouco as coisas. Isso me deu paz para pensar no que eu ía falar, já que a expectativa em cima do meu posicionamento era enorme. Eu fiz o vídeo, gravei, postei e não imaginava que a tag que lançamos a partir dele fosse bombar tanto. Além de ser usada em larga escala aqui no Instagram, no twitter ela bateu o 1ºlugar no trending topics Brasil e 2ºMUNDIAL por HORAS. Isso não tem preço que pague. Ver gordofobia ser discutida por tanta gente me encheu os olhos de lágrimas, mas o meu coração de alegria, pois nosso assunto está sendo disseminado. Transformamos o maior ataque gordofóbico que eu já sofri (o cara tem 16mi de seguidores) em um bem danado pra uma galera. De virada é mais gostoso, né? Não foi do dia pra noite que eu construí minha autoestima, minha força, meu amor pelo corpo, nem mesmo um discurso que visa combater o preconceito. Não foi do dia pra noite que eu fiz amigos com visibilidade que me divulgaram e ajudaram sem que eu pedisse nada. Não foi do dia pra noite que eu ganhei credibilidade no assunto. Não foi do dia pra noite que eu construí um exército de xeguidores, meu lindo #PoderDoX. Tudo isso leva tempo, esforço, trabalho e dedicação. E o que rolou não foi uma visibilidade para a minha pessoa. Apesar deu estar estampada nos tuítes, ser defendida etc, isso aconteceu com todo mundo que tá na luta. E é por todas essas pessoas que eu fico feliz de estarmos começando, de fato, uma revolução. Porque gostar de si mesma é, sim, um ato revolucionário nessa sociedade que nos diz, o tempo todo, que devemos mudar. Obrigada de todo coração a todo mundo que participou disso. Ainda não consegui responder a todos, mas é APENAS o começo de muita coisa que está por vir. E vale lembrar que #gordofobianãoépiada

Uma publicação compartilhada por Alexandra Gurgel (@alexandrismos) em

É por isso mesmo que não me surpreende o plot twist que a Alexandre deu nessa história que tinha tudo para ser (mais um) episódio em que a mulher gorda é ridicularizada e fica sem voz. Além de um vídeo em que explica para o tal humorista – e, sinceramente, me nego a reproduzir sequer o nome desse moço aqui para não dar ainda mais palco pra embuste – o porquê de seus comentários serem tão nocivos, ela foi além. Lançou a hashtag #GordofobiaNãoÉPiada e convocou as manas gordas desse Brasilzão a compartilharem imagens e relatos de amor próprio e também denunciarem situações de gordofobia. O resultado foi uma hashtag que pulou para o topo dos trending topics do Brasil – e também do mundo -, com um monte de mulheres incríveis debatendo e fazendo valer sua voz e suas vivências. Uma verdadeira aula de autoestima e força.

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De todo esse episódio triste que a Alexandra viveu – e que, tenho certeza, doeu em cada mulher, gorda ou não, com um mínimo de empatia no coraçãozinho -, é esse movimento que fica de verdade. Mostramos que não vamos nos calar. E é isso que incomoda gente como esse cara: ele é o tipo de pessoa que acha engraçado fazer piada com minoria. Ri do gordo, faz a piada do veadinho, maldiz o negro. E a justificativa para quando é repreendido? Que ele é contra o politicamente correto. Queridão, fica a dica: aprende a ouvir as pessoas quando elas dizem que não gostaram ou que você tá sendo escroto. Se você é tão engraçado assim, por que precisa ficar fazendo chacota do corpo ou da orientação sexual dos outros para ganhar biscoito, hein? Não tem capacidade MESMO de fazer humor sem ser ridicularizando outra pessoa? Ou aí toda a sua graça vai pelo ralo abaixo?

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Por mais amor e menos treta com babaca em 2018, trouxe para vocês os relatos e as fotos mais inspiradoras da hashtag #GordofobiaNãoÉPiada. A primeira é a que eu mesma fiz questão de compartilhar, e depois vem gurias e mais gurias lindas que têm muito a dizer. Fica o convite para vocês: compartilhem também nos seus Instas (ou Twitter, ou Face) fotos de momentos em que vocês se sentem incríveis. Contem para as pessoas as situações em que vocês não se sentiram assim – tenho certeza que outras mulheres e homens também vão se identificar e ter mais coragem ao ver vocês. Essa corrente linda é que precisa ficar cada vez mais forte <3

 

 

#gordofobianãoépiada 👊🏻

Uma publicação compartilhada por Isabella Trad (@beeeells) em

Gata, seu corpo é lindo. Vai lá e arrasa! ☀️ . . . Maiô @bambina.beachwear . #gordofobianãoépiada

Uma publicação compartilhada por Jéssica Lopes (@femmefatalebyjeh) em

#gordofobianãoépiada

Uma publicação compartilhada por Tami Gonçalves (@tamigoncalves1) em

#GordofobiaNao #gordofobianãoépiada @alexandrismos ❤

Uma publicação compartilhada por Renata Borges (@renataborgesplus) em

#GordofobiaNãoÉPiada Eu pensei um monte de coisa pra falar aqui, um puta textão real. Sobre o des-serviço que é a existência de um Danilo Gentili, de como esse “humor” é cruel, irresponsável e doentio, e o que nós gordes temos que passar por causa de gente assim. Mas dai eu decidi que só quero agradecer mesmo. Agradecer por me descobrir incrível a cada dia; por ter gordes representatives em lugar de visibilidade que ajudam várias minas/manos/monas a se sentirem incríveis também; por um monte de gente que eu nem conheço tá ahazando na buniteza com essa tag E principalmente, agradecer por esse PISÃO BEM DADO EM MACHO GORDOFÓBICO QUE TÁ PASSANDO VERGONHA NO DÉBITO EM PLENO 2017!

Uma publicação compartilhada por Paulinha Moraes (@ppaulinhamoraes) em

Essa não era a foto que eu iria postar hoje mas devido aos últimos acontecimentos decidi mudar os planos. No momento em que uma pessoa pública usa a foto do corpo de alguém como piada pelo simples fato dessa pessoa ser gorda eu chego a conclusão de que o ataque não foi apenas contra @alexandrismos mas foi contra todos os gordos. Nosso corpo não é piada, não é motivo de vergonha e ser gordo não é defeito. Se mil vezes alguém for gordofobico, 1001 vezes vou ser contra. Temos que nos posicionar contra todas as formas de preconceitos. Somos todos diferentes e lindos em nossas diferenças! #gordofobianãoépiada ⬅ use a tag, vamos transformar esse acontecimento infeliz em luta. Alexandra estamos com você 💚 . . ph: @derick_lemos . . . . . . . . . . . #inxtalove #fotogradez #instagramers #instalike #inxtalove #ilhadasfotos #tumbrlgirl #tumbrl #vitrinevisual #mobilegrafia #girlpower #gorda #chubby #chubbygirl #baldgirl #bald #girl #me #feedorganizado #dezembrojachegounemacredito #inxtaphotos #qfpx12 #gordofobianaoepiada #gordofobianãoépiada

Uma publicação compartilhada por Luana (@luplusize) em

#gordofobianãoépiada o corpo alheio não é assunto teu!

Uma publicação compartilhada por Flávia Pompermayer (@flaviapompermayer) em

Nós estamos juntos há 5 anos. Já passamos por algumas crises, superamos, separamos e voltamos, tivemos nosso amado Guto, mas nunca houve crise ou discussão alguma por ela ser gordinha. Pelo contrário, sempre foi algo que elogiamos um para o outro e nunca tivemos problema com isso. A tag #Gordofobianãoépiada é algo muito sério e é um assunto que deve ser tratado sim com o respeito e dignidade que qualquer ser humano merece. E não venha encher o saco com papo de “minorias” por que GORDOFOBIA é algo que ocorre dentro da própria casa de vocês e ninguém percebe. Como diz uma amiga, se você não gosta, tem algum problema com quem é mais gordinho, guarde essa opinião dentro do seu coraçãozinho e pare de pagar mico, por que sim, é isso que você faz, paga mico. Falta ao ser humano um pouco mais de felicidade, amor próprio e coragem para se assumir do jeito que é. E isso, eu e a @franciannebrigido temos de sobra. #Gordofobia #Nãoépiada #MaisAmorPorfavor

Uma publicação compartilhada por Félix (@ofelixoficial) em

Estes últimos dias do ano tem sido bem corrido pra mim. Trabalhando e filhos de férias… me manter conectada está bem complicado. Porém ñ pude deixar passar uma situação que me afeta e afeta mais de 50% de pessoas só no Brasil a GORDOFOBIAAAA!!! Conheci a @alexandrismos pessoalmente num evento onde participamos de um bate-papo sobre esta temática e compartilho da mesma luta que ela enquanto mulher gorda que vivencia também ataques gordofóbicos frequentemente e que ñ deita pra nenhum escroto zuado como este fulano que nem merece ibope! O jogo ta virando…Foi com muita violência e sofrimento que resistimos até aqui a humilhações q cada uma sabe q já passou, não vai ser um bolsomito apresentadorzinho de merda e nem grupos de boyzinhos revoltados malucos que vai nos calar!!! #GordofobiaNãoÉPiada 📷📷Sheila Signário Registro para o espetáculo de dança: “VÊNUS NEGRA: Um manual de como engolir o mundo”

Uma publicação compartilhada por LU BIG QUEEN (@lubigqueen) em

Pouco mais de dois anos atrás, no dia do meu aniversário, duas pessoas resolveram infernizar minha vida na Fosfo. Foi todo tipo de implicância, até bebida me jogaram. Quando estavam sendo expulsos, um deles resolveu falar “deveriam colocar uma balança na porta da boate antes das pessoas entrarem”. Era meu aniversário, eu só tava querendo me divertir com meus amigos e meu namorado na época. Quase conseguiram estragar meu dia, mas ainda bem que eu já era bem resolvida. E mesmo assim eu chorei e cogitei ir embora. #GordofobiaNãoÉPiada mesmo. Esse é um dos muitos casos que já vivi. Enfim, repensem antes de falar merda. Ódio não leva ninguém a lugar algum. Nessa foto to bem plena com uma camisa escrito Gorda 🤙🏻

Uma publicação compartilhada por Roberta Fittipaldi (@betaland_) em

#GordofobiaNãoéPiada

Uma publicação compartilhada por Thais Carla ♡ (@thaiiscarla) em

Estamos juntas ✊ @alexandrismos #gordofobianãoépiada #DesconstruçãoEssePadrõs #projetogordasresitem

Uma publicação compartilhada por Skarleti Ully (@skarletikakat) em

 

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