Barriga, celulite e estrias sem filtro: youtuber mostra seu corpo como é para inspirar outras mulheres

O Um Plus a Mais virou também coluna na edição impressa de Donna, publicada quinzenalmente nas páginas da revista que circula no fíndi – e, sempre antes, aqui no blog! 

Você já se olhou no espelho hoje? Mas digo se olhar de verdade, viu? Analisando cada centímetro de pele. Percebendo cada pedacinho da sua “casca”, até mesmo aqueles que você nunca quis ver de verdade. Ou que você sempre tentou esconder a vida toda, dos outros e de você mesma. Já tentou?

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Pois é exatamente essa a nova modinha que ganhou força no YouTube – e, felizmente, desta vez é uma mania das boas. A youtuber Luiza Junqueira, que comanda o canal Tá, Querida!, lançou a ideia no ano passado. Em um vídeo de pouco mais de 10 minutos, a garota de cabelos (então) coloridos conduz um passeio pelos mínimos detalhes de seu corpo – e a tag ganhou o nome tudo-a-ver #TourPeloMeuCorpo. “Achei que mostrando o meu corpo, como é bonito do jeito que ele é, pudesse inspirar você a enxergar seu corpo com um pouco mais de carinho”, adianta ela. E começa o show de verdades. O zoom da tela foca em tudo aquilo que a gente sempre foi ensinada a esconder: Luiza mexe as dobrinhas da barriga, revela as estrias, expõe uma e outra flacidez. Balança os peitos e mostra como, sim, qualquer peito que não tem silicone se mexe mesmo. Nos lembra de que a gravidade existe para além dos livros do colégio e influencia, sim, no empinamento dos nossos seios, mesmo que a gente passe a vida todo tentando subi-los com o sutiã mais reforçado.

Dá o play para assistir ao vídeo da Luiza!

Mas o momento que mais me chamou atenção é quando Luiza fala da barriga (sim!). Como muitas de nós, a Lu sempre teve dificuldade de aceitar sua própria barriga. E levantou um ponto que faz muito sentido: “As pessoas odeiam tanto a própria barriga que querem que ela seja negativa”. Isso mesmo: que a pobre nem exista. Deus nos dibre de olhar para nossa barriga e não enxergar um centímetro sequer abaixo dos nossos peitos (durinhos e apontando sempre pro norte). Sobrar qualquer volume em cima da calça jeans? A terceira guerra mundial. E quando a barriga insiste em ser aparecida não só na frente, como ainda se revela em dobrinhas exibidas nas nossas costas? Apocalipse now.

A Luiza bem maravilhosa!

Até então, estava achando o vídeo bem legal, me identificando com vários comentários da Lu.
Mas, na hora da barriga, o meu radar apitou: sim, ainda estou bem longe de ver a minha (tão ou mais aparecida do que a dela) com a sinceridade e a leveza que a Querida. Já tive muito, mas muito ódio do meu próprio corpo. Quando tinha meus 13, 14 anos, a modinha era usar calça de suplex da Brasil Sul (gurias de 25 + vão lembrar!), aquelas bem coladinhas. Lembro que olhava para minhas colegas de colégio, todas com coxas fininhas, e odiava pensar que as minhas – mais roliças, mas nem perto do tamanho que têm hoje – se encontravam no meio e roçavam uma na outra. Como isso me incomodava, vocês não têm ideia. E aquele vão que existe entre as pernas das gurias mais magras? Nunca cheguei perto, mesmo quando tinha 60 e poucos quilos. Hoje, com vários quilos a mais e coxas bem maiores, dou risada de mim mesma toda vez que coloco uma minissaia e lembro daquele tempo. Aprendi, mesmo que com mais de 10 anos de atraso, a achar minhas pernas grossas maravilhosas, ainda que minha opinião não seja a mesma da maioria das pessoas. Azar delas. Até meus braços gordinhos já encaro melhor: depois de anos e anos sem usar regata, agora me flagro até com um certo friozinho do ar-condicionado do trabalho porque estou quase todo dia com os braços faceiros de fora. Tô planejando até uma tatuagem neles.

Aqui, eu mesma: me achando ousadíssima com essa bRusinha de alça!

Mas a coisa muda de figura quando o papo é sobre a barriga. Sempre fui gordinha – e, nos últimos anos, gorda mesmo. Isso já foi um grande problema na minha vida, mas não é mais faz um tempo. Só que eu nunca fui uma gorda com muita barriga, sabe? Sempre tive coxão, bundão, bração, mas a barriga nunca tinha sido protagonista dos meus quilos. De uns dois anos para cá, ganhei um pouco de peso, que parece ter se concentrado todo na barriga. E isso virou uma neurinha, admito: ainda que vista cropped, sempre tenho colocado com uma saia preta para disfarçar. Procuro vestidos com o tecido mais grosso, que não marque tanto as dobrinhas. Até os biquínis, que custei tanto a voltar a usar, viraram ponto de alerta: nada de calcinha baixa, só hotpant. E, juro para vocês, não havia me dado conta disso tudo até ver o vídeo da Luiza e admitir para mim mesma: eu ainda tenho problemas com a minha barriga. Não aceito bem o volume. Paro na frente do espelho, me olho de lado e, ainda que de brincadeira, fico pensando se as pessoas acham que estou com uns seis meses de gravidez, porque olha o tamanho? E foi um tapa na cara, sabe? Logo eu, que vivo falando sobre autoestima, incentivando as leitoras do blog Um Plus a Mais a usarem a roupa que estão a fim, logo eu, aqui com neurose sobre a barriga. E decidi dar fim nisso.

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Vai ser um exercício longo? Vai. Ninguém nasce desconstruidona nem vai ser 100% o tempo todo. Eu achei que estava em um nível de aceitação comigo mesma mais alto, mas pelo visto ainda não.
E são gurias como a Luiza que vão nos ajudar a mudar isso. A gente precisa parar de alimentar ódio e ranço com nosso próprio corpo. Tudo bem não achar incríveis suas celulites, mas esses buraquinhos mudam a sua vida no fim do dia? Claro que não. O segredo não é nos acharmos perfeitas: é aprendermos a conviver com nossas imperfeições sem nos diminuirmos por isso. Sem alimentarmos raiva contra uma parte do nosso corpo que, no fim das contas, é só a casca para tudo aquilo que a gente é. Meu desafio para 2018 é encarar melhor minha barriga exibida e grande. Quer dizer que vou achá-la a parte mais bonita do meu corpo lá no próximo Natal? Óbvio que não. Mas a missão é não ter raiva de nenhuma parte do meu corpo. Se minhas aulas de dança ajudarem a diminuí-la, ótimo. Só que o que eu quero, mesmo, é não olhar mais para a minha barriga com desprezo, como já olhei para mim mesma. E é esse o convite que faço para vocês: que tal olhar com sinceridade e leveza para quem você é? Descobrir do que você gosta mais. E aprender a encarar o que você não gosta tanto de um jeito mais tranquilo – porque, afinal, também é parte de quem é. Vamos ser mais legais com nós mesmas em 2018?

giphy

Quer ver mais vídeos da tag #TourPeloMeuCorpo? Olha quem também fez: 

 

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