“Ninguém chega aos teus pés”? Por que não aceito que alguém me elogie enquanto insulta outra mulher

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A coluna abaixo estará na edição do dia 3 de março.

Você já deve ter ouvido a pérola de algum carinha: “Nossa, você é incrível, bem diferente da louca da minha ex”. Ou aquela clássica: “Guria, tu é tão divertida, por que as outras não são como você?”. E a frase que é para matar: “Como tu é linda, ninguém que eu já fiquei chega aos teus pés”.

À primeira vista, até parece um baita de um elogio, né? A gente dá aquele sorrisinho de canto, meio-tímido-meio-concordando, quando não engata o sonoro: “Bah, Fulano, capaaaz!”. Fora o fato de que muitas de nós não sabem ouvir elogios (eu inclusive!), pare e pense: por que, afinal, o dito cujo precisa diminuir os outras para elogiar alguém, hein?

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Essa é uma questão que volta e meia aparece nas discussões de Facebook e nas minhas rodas de amigas. Quando uma das gurias comenta que o peguete só sabe falar mal da ex, já ligo o alerta: “Amiga, se o cara chama ela de louca o tempo todo e não consegue falar nada de legal da guria, boa coisa esse moço não é. Te liga que a próxima louca pode ser tu”. Precisa realmente ficar depreciando a ex desse jeito, queridão? E mais: para enaltecer a pessoa que está contigo, não basta falar bem somente dela? Elogiar o sorriso, o bom humor, o estilo ou seja lá o que você curte, mas sem comparar com o sorriso de outra mulher? Ou com o sorriso da Gisele Bündchen? A pessoa não pode ser incrível por ela mesma?

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Mas, gurias, a gente precisa admitir: não são só eles que fazem isso, né?  A gente também escorrega. Muito se fala sobre o clima de rivalidade que existe entre as mulheres – e, não dá para negar, rola um fundo de verdade aí. A gente cresce se comparando com a irmã, com a prima e até com a mãe. Acostuma-se a ler na revista quem foi a mais bem-vestida do Oscar. É incentivada, implicitamente, a ser sempre a melhor. A mais bonita do grupo de amigas. Ou da festa. Quando o cara diz que você é mais legal que a ex, lá no fundo bate aquele orgulho, por mais feminista que seja. Já parou para se perguntar por quê? O que nos motiva a ficar felizes quando somos consideradas mais bonitas do que as coleguinhas? Quem instaurou essa competição constante, em que ninguém pediu para entrar, mas que estamos todas lá, segurando a plaquinha com o número na mão, clamando por dentro para sermos a grande escolhida? Para eu ser vista como bonita, inteligente, ou engraçada, preciso ser “a mais”? Alguém precisa ser menos? Tem mesmo que sapatear de salto 15 em todas as outras? Não dá para ser linda, ser esperta e ponto, sem que alguém seja considerada menos do que você?

Enchi vocês de questionamentos por que foi assim que me flagrei depois que vi duas mulheres que admiro demais, a Leandra Leal e a Clara Averbuck, compartilhando essa imagem acima. Pensei sobre o quanto já aceitei elogios que, na real, diminuíam outras pessoas para supostamente falar bem de mim. E caiu a ficha: não preciso que alguém diga que eu sou melhor que Sicrana para viver, né? Parei e me questionei, de verdade. Acho que é assim que a gente muda e deixa para trás comportamentos que, por mais comuns e naturalizados que sejam, nos fazem mal. É desse jeito que a gente percebe que talvez não esteja agindo de um jeito tão legal na vida, com as outras manas e até com nós mesmas.

Elogie uma mulher nos comentários! 💪🏻😉

Uma publicação compartilhada por Leandra Leal (@leandraleal) em


No post, a Leandra propôs que suas seguidoras elogiassem outra mulher nos comentários. E o movimento que rolou foi lindo demais! Já que esta edição de Donna é especial de Dia da Mulher, que tal aproveitarmos a data para fazer o mesmo? Elogiar, de verdade e sem comparações uma mulher que convive com você. Pode ser a caixa do supermercado, a moça da farmácia, aquela colega com quem você não tem tanta intimidade.

E, claro, sua melhor amiga, sua mãe, sua sobrinha, sua filha. Vamos fazer a empatia circular mais entre nós? Que a data sirva de reflexão, sim, para pensarmos em tudo o que queremos e precisamos mudar – como os números assombrosos de assédio sexual dos quais falei na reportagem de capa. Mas também seja motivo lembrar o quanto nós mulheres somos incríveis. Fica o convite, gurias!

gp

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