Série “Queer Eye”, da Netflix, fala de empatia, autoestima e até machismo (contra os próprios homens)

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A coluna abaixo estará na edição do dia 17 de março

Cinco caras gays atuando como coaches de caras héteros machões em um reality show. À primeira vista, parece que pode dar errado, né? Mas o que rola no seriado Queer Eye, nova aposta da Netflix, é uma aula de autoestima e empatia.

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Confesso para vocês que, quando vi o anúncio da série, não me empolguei. Tenho um pé atrás com programas que promovem “transformações”, tipo Esquadrão da Moda: para mim, eles mais detonam a imagem da participante do que ajudam de fato. E ainda tem o fato dos hostess do programa serem um quinteto gay. Meu coração dizia: “Só pode ser maravilhoso, dá play logo!”. Mas o cérebro alertava: “Amiga, teus melhores amigos são gays e tu conhece bem todos os estereótipos que rolam. Fica esperta”. Em um sábado de tédio, me rendi. E, garanto para vocês, foi a melhor coisa à que assisti nos últimos meses!

giphy (5)Karamo, o meu Queer Eye preferido – mas, sério, todos são maravilhosos!

A série, descobri depois, é um reboot do sucesso (que estou doida para assistir também) Queer Eye for the Straight Guy, que foi ao ar entre 2003 e 2007. Na nova versão, conhecemos os “cinco fabulosos” Bobby, Karamo, Antoni, Jonathan e Tan (respectivamente, na foto-destaque), que assumem a missão de ajudar homens a dar uma repaginada na vida. De cara, conhecemos o Tom, que é motorista de um caminhão de lixo – e, sério, não tem como não se apaixonar. O que mais me impressionou foi a empatia mútua: do Fab Five em entender o momento de Tom – um cara solitário, que não sabia se cuidar, zero autoestima – e de Tom em ser totalmente receptivo às dicas dos guris, aberto a mudanças que, no fim, só revelaram que ele podia ser melhor, sem deixar de ser ele mesmo. E aqui está um dos pontos que fez com que eu me viciasse em Queer Eye: em nenhum momento, mesmo, o quinteto força alguma mudança que o participante não quer. Ou tenta mudar totalmente o estilo da pessoa. Não há críticas ao corpo – há, sim, um incentivo para que os caras não tenham vergonha de usar determinada roupa. Como se fossem amigos que querem o teu bem, e não te transformar em um fantoche padronizado, sabe?

tomO fofo do Tom ao lado de Tan, responsável por ajudar na renovação do visual

Mas talvez o grande trunfo de Queer Eye seja mostrar, de um jeito leve, como o machismo afeta (também) os próprios homens. É nítido como eles evitam, a todo custo, demonstrar qualquer tipo vaidade. Porque, a gente sabe, tem muito hétero que morre de medo de ser visto como um cara gay – e relaciona vaidade a homossexualidade. A falta de autocuidado aparece até quando se fala de saúde: Tom, por exemplo, tem lúpus, e usava um creme com substâncias químicas que fazem mal à pele dele. É com o olhar do Fab Five que eles (re)descobrem o amor próprio, ao mesmo tempo em que debatem questões como racismo. Queer Eye é uma série politizada, humana e divertida – e eu só torço para que a Netflix confirme logo uma segunda temporada. Assistaaam!

giphy (4)

 

Assista ao trailer de Queer Eye

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