Por que Ashley Graham não considera “mulher real” um elogio

A gente vive (ainda bem!) um momento em que, finalmente, está se tornando um pouquinho mais comum ver pessoas fora do “padrão” em revistas, na TV, na publicidade. Sem dúvida, um dos expoentes destas mudanças é a modelo Ashley Graham – a gente fala tanto dela por aqui que a musa tem até tag!

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Ainda que eu, pessoalmente, não considere Ashley uma mulher gorda – ela é, ao meu ver, curvilínea -, é fato que a top foge aos padrões da indústria da moda. Quase não tem barriga, é verdade, mas o quadril da gata é grande, ela tem coxão e não esconde suas celulites…  E é por isso que, a cada aparição de Ashley em editoriais, muita gente acaba deixando aquele comentário espontâneo: “Que demais, uma mulher real!”. É ou não é, gurias?

Pois foi justamente sobre isso que Ashley se pronunciou essa semana no Instagram: ela questionou o porquê das pessoas dizerem que ela é uma mulher de verdade.

” Todas nós somos mulheres reais. Eu não tolero quando leio comentários que dizem: ‘Finalmente, uma mulher real’. Não importa o seu tamanho, sua forma ou a quantidade de celulite que você tem, todas nós estamos juntas nisso”, escreveu.

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Daqueles sacolejos para a gente parar e refletir, né?

Confesso para vocês que, se eu espiar o histórico do blog ou das matérias que fiz para o site do Donna, provavelmente eu mesma já usei o termo “mulher real”. E foi na maior das boas intenções: justamente para valorizar mulheres como Ashley, ou a Tess Holiday, ou Fluvia Lacerda, que fogem à beleza considerada padrão e conseguiram galgar seu espaço na indústria da moda. Mas foi lendo uma discussão de Facebook há algum tempo que me dei conta: ainda que meu objetivo fosse positivo, eu estava excluindo, sem querer, outras mulheres. Dizendo que a minha amiga magra não é real. Ou a minha colega loira e alta não é tão “mulher de verdade” quanto eu. Estimulando até uma certa competitividade. E dizendo, sem querer, que existe “mulher errada”.

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Bateu aquele sentimento de culpa, sabe? Aquela sensação de que, mesmo sendo feminista e falando sobre quebra de estereótipo o tempo todo, estava criando mais um padrão: o da tal mulher real. E passei a ter ainda mais cuidado quando escrevo qualquer coisa. Porque a gente precisa, MESMO, parar de criar rótulos para nós mesmas. Não existe uma mulher real, Ashley, você tem toda a razão. A musa fitness é real, a menina que veste 34 é real, e a de manequim 60 também. A garota sem um furinho de celulite é tão real quanto a que tem a perna coberta por buraquinhos. Todas nós somos reais. Somos de verdade, de carne, osso, qualidades, medos, pressões. Aliás, sabe a tal pressão estética de que tanto falamos por aqui? Todas nós mulheres, sem exceção, sofremos com isso. Se você é gorda, sofre porque “deveria” ser magra. Se é alta, porque tem estatura “elevada demais” para uma mulher. É um looping eterno, uma metralhadora de obsessões que atinge todas nós, mulheres reais. E a gente, mais do que nunca, precisa dar um basta nisso.

Só para esclarecer, manas gordas: sim, nossos problemas vão além do furinho da celulite. Porque, além de pressão estética, sofremos gordofobia. Somos invisibilizadas nas menores questões do dia a dia. Não temos, muitas vezes, acesso a uma poltrona no ônibus em que a gente caiba confortavelmente. Mas isso é assunto (urgente!) para outro post.

 

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