“Você engordou, né?”: por que, afinal, as pessoas insistem em dar opinião disfarçada de conselho para quem não pediu?

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A coluna abaixo será publicada na edição de 15 de setembro.

Demais.

Você engordou, hein? Está comendo só besteira na frente do sofá, não é? Eu acho seu rosto tão bonito… Imagina se perdesse uns quilinhos? Só estou falando pela saúde, viu? Aliás, você vai comer este doce mesmo? Tenho uma dieta ótima para te passar, funcionou com a minha prima! Eu tenho certeza que, se você tentar, consegue emagrecer também! Porque não é só saúde, é para você se sentir bem. Já foi ao médico? Ele disse que tu não tem colesterol alto, sério? Será que não deu erro no laboratório? Olha, eu te digo também porque os rapazes não gostam de guria tão gordinha assim. E você vai engordar depois de casar, então não pode já ganhar peso agora. E tem a moda também, né? Porque é difícil roupa cair bem em quem é mais fortinha, né? Ah, braço gordinho até dá para esconder, é só não usar regata, guria! Mas não usa essa blusa listrada, amiga, ela te deixa ainda maior! E se você escolhesse esse vestido mais soltinho aqui, olha! Mas, na real, acho que roupa curta não combina tanto com você, por causa das coxas grossas, sabe?

De menos.

Mas olha, tão magrinha! Está te alimentando direito? Eu acho que tu não come nada para ficar com essa cinturinha, hein? Se bem que agora tu ficou com essas perninhas finas. Não te digo por mal, é porque me preocupo com a tua saúde! Já foi no médico? Não está com anemia? Mas tem certeza que esse médico está falando a verdade? Porque não é possível tu estar saudável mesmo tão magra. Mas antes magra demais do que gorda, né? Mas mesmo assim, acho que tu não deveria usar saia curta demais, fica ainda mais chamativo para essas varetinhas. E te falta peito, né? Não dá nem para usar um decote. Silicone é tudo, tu vai ficar linda, quem sabe não coloca? E tem mais, guria: homem gosta de ter o que pegar, né? Assim, fica mais difícil casar, viu?

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Demais. De menos. As pessoas sempre terão um “defeito” para apontar na aparência alheia. E se não for o corpo, pode ter certeza que será a roupa, o cabelo, a cor das unhas, ou até aquela gargalhada mais efusiva. E não vão pensar duas vezes antes de te dizer. Talvez a crítica venha disfarçada de conselho, sabe? Com um fundo de preocupação, muitas vezes. Mas está ali, incrustada e sorrateira, pronta para dar aquela arranhada na mais inabalável autoestima. Ou pode vir sem cerimônia mesmo, com um comentário cruel no Instagram ou naquela fofoquinha no banheiro. De um jeito ou de outro, pedindo ou não, ela vem.

E como lidar, afinal? As pessoas jamais estarão satisfeitas com a nossa aparência, é fato. O importante, no fim das contas, é que VOCÊ esteja satisfeita, feliz e plena com a imagem que vê no espelho. Não tem problema nenhum querer emagrecer ou ganhar uns quilinhos ou mudar radicalmente o cabelo se você gosta de verdade de quem é hoje. Mas é só quando estamos satisfeitas de verdade que conseguimos ter discernimento e vontade para mudar (se quisermos) por vontade própria, e não porque o outro acha que precisamos.

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Ser bem-resolvida contribui (muito!) para nos blindar de toda a pressão estética que a sociedade exerce todos os dias, a gente queira ou não. Tudo certo com o manequim que você veste? Menos ouvidos você dará para quem fala do seu peso – seja muito, seja pouco. Parece clichê, mas é a armadura do amor próprio que ajuda a gente a se proteger da metralhadora de ódio que as pessoas descarregam todos os dias. Nas redes sociais, no almoço de família, no refeitório da empresa. Por bem ou por mal. Como se fosse uma simples opinião, que a gente não pediu, mas é obrigada a ouvir. Mas, spoiler: não somos. Se as pessoas acham que têm o direito de falar o que querem, sem pensar em como quem está ouvindo se sente, temos o mesmo direito de ignorar. Ou de revidar, né?

Meu rosto é bonito sim, mas o corpo também. Não estou magrinha demais, é esse meu biotipo. Não preciso disfarçar minha barriga não, amor! Ela existe mesmo, é bem positiva. E, olha, se os caras me acham gorda demais, ou magra demais, é problema deles, e não meu. Sua opinião sobre meu corpo é um problema seu, aliás. Não meu.

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Que mulher com manequim acima do 46 nunca ouviu que não poderia usar peças listradas porque a estampa “engorda”? Ou que preto deveria ser a sua cor preferida, já que o tom escuro promete um “efeito emagrecedor”? Por anos a fio, regrinhas de moda como essas se espalharam por aí e limitaram as escolhas e o estilo de mulheres gordinhas e curvilíneas.

Mas foi-se o tempo de seguir cartilhas e mandamentos que dizem o que a gente pode (ou não) vestir: a regra, agora, é não ter medo de usar (e ousar!). Para inspirar você a provar todas as roupas que quiser – e deixar de lado aqueles tabus sobre o que as mulheres plus size devem ou não vestir –, fiz as vezes de modelo e testei os tipos de looks que fomos condicionadas a passar longe. Conversei também com as consultoras de moda e estilo Débora Fernandes e Juliana Moertl, que compartilharam dicas valiosas. A principal? Não ter medo de usar o que você tem vontade.

– Autoconhecimento e aceitação são os primeiros passos. Quando você conhece sua personalidade e aceita o seu corpo, facilita tudo – diz Juliana.

Quer experimentar? Veja nossas dicas e deixe de lado todos os tabus que nos acostumamos a ouvir quando se fala de moda plus size – e que ficaram no passado!

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Macacão, o queridinho

Por anos considerado uma peça difícil de usar, o macacão finalmente caiu nas graças de quem curte moda. E funciona bem em todos os tipos de corpo, além de transitar nos mais diversos ambientes. Ou seja, deixe de lado aquele mito de que gordinha não fica bem de macacão, que é sinônimo de elegância e praticidade.

– É uma peça em que toda mulher pode investir. Para o verão, as modelagens vão dos curtos aos longos, como a pantalona – avisa a consultora de moda plus size Débora Fernandes.

 

Sim às pantalonas

Esqueça aquela ideia de que calças mais largas deixam suas coxas maiores – e você, mais baixinha. Pelo contrário: com o caimento certo, a pantalona fica elegante e pode até fazer você parecer “mais alta”.

– Fica bem em todos os tipos de corpo – afirma a consultora de estilo Juliana Moertl.

– Mas lembre de fazer a barra com um sapato que você vai querer combinar com a pantalona, e pode ser salto ou tênis. Use com camisa, camiseta, jaquetinha jeans. O importante é experimentar!

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Braços de fora? Pode!

Passar calor nos dias de verão porque está com vergonha de mostrar os braços gordinhos? Deixe o medo para lá! Se você ainda não está acostumada, a dica de Débora é apostar nas mangas japonesas, que cobrem apenas o ombro. Para começar a usar blusa de alcinha, aposte em um acessório bacana (e em tamanho máxi) que chame a atenção, como um brinco ou um colar. Vale até um batom colorido, viu? O importante é não ter medo de exibir os braços por aí!

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Brilhe muito!

Por muito tempo, mulheres curvilíneas e gordinhas fugiram do brilho – porque o efeito “chama a atenção”. Mas, afinal, qual o problema de atrair olhares, não é? Débora Fernandes ensina a usar toda a luz dos paetês a seu favor: para começar, pense em detalhes na t-shirt ou na calça jeans (como na imagem). Quem quer ousar um pouco mais, pode investir em um casaquinho de paetês, por exemplo, que cai superbem com jeans sequinho e camiseta.

– O brilho ganhou o aval para ser usado, inclusive, no dia. E dá um estilo hi-low – afirma a consultora de moda.

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Pantacourt sem pudor

Quando a pantacourt ganhou as passarelas (e as vitrines), teve quem torcesse o nariz para o modelo de calça que vai até um palmo abaixo do joelho. Tudo porque a peça parece achatar a silhueta – o que, de fato, tem um fundo de verdade. Mas, com os complementos certos, a pantacourt funciona para todo mundo. Sem contar que é uma peça curinga, que conquistou o status de novo clássico no armário e dá um toque fashionista às produções. Fica bem com tênis, sapatilha ou salto – e vai do fíndi relax ao trabalho. Para alongar, a dica de Juliana Moertl é usar com botas e meia-calça da cor da peça, no inverno, ou sapatos que deixem o peito do pé livre ou tenham o bico afinado.

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Tudo míni sem medo

Quem tem pernas grossas, muitas vezes, acaba usando apenas calças ou saias mais longas – e, além de passar calor, deixa de mostrar uma parte bonita do corpo. Tudo porque há o temor de que o comprimento míni deixe você mais baixa. Para Juliana Moertl, consultora de estilo plus size, vale apostar em sapatos mais abertos para evitar que você “perca” alguns centímetros visualmente: aposte em uma sapatilha de bico afinado, ou uma rasteira. Mas, se você é fã de botinhas ou tênis, não tenha receio de combinar também. O que vale, mesmo, é estar se sentindo bem.

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Estampas mil para todas

Usar estampas, principalmente as maiores, é complicado para mulheres de qualquer manequim – não somente as plus size. Juliana Moertl ensina a provar primeiro os prints em cores mais neutras.

– Estampas em preto e branco não têm erro! É só adicionar um acessório colorido e pronto – sugere.

Se o look tiver duas (ou mais) peças, a sugestão é combinar com uma lisa que seja de uma das cores da estampa. Fica a dica: prints com pegada tropical, florais e poás (quanto maiores, melhor!) são os preferidos da vez.

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Misture os prints

Agora que você já aprendeu todos os truques para usar estampa sem medo, que tal misturar dois tipos diferentes de prints? Vale tudo: xadrez com poás (como na foto!), listras com florais, grafismos com tropicais… Para Juliana Moertl, o segredo é unir peças que tenham as mesmas cores – ou pelo menos uma parecida. E, claro, uma dose extra de estilo para segurar o look, não é? Deixe de lado a ideia de que as estampas podem tornar você maior visualmente.

– Teste na frente do espelho – diz a consultora de estilo. – E use quando você se sentir confiante.

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Cores? Queremos!

Quem nunca ouviu que gordinhas deveriam usar mais preto porque a cor emagrece? Mito duplo aqui! Primeiro, porque nem sempre esse efeito funciona – e, para Juliana Moertl, a cor pode até envelhecer e pesar no visual. Não deixe de usar cores se combinarem com o seu estilo. E nem sempre precisa combinar uma saia rosa com uma blusinha preta. Os looks monocromáticos, aliás, estão súper em alta e são clean e elegantes, diz a consultora de moda Débora Fernandes. Quer colocar uma pitada de colorido?

A dica de Débora, que também trabalha como modelo plus size, é começar com sapatos ou acessórios, grandes e coloridos, como os brincos de acrílico. E, claro, provar muito na frente do espelho.

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Listrinha e listrão

No topo da lista de regrinhas ultrapassadas que ouvimos a vida inteira, está a afirmativa: “Mulheres gordas não podem usar listras na horizontal”. Quem disse, hein?

– Claro que pode! – rebate a consultora de estilo Juliana Moertl. – A listra na horizontal até pode dar uma achatadinha na silhueta, mas não é motivo para não usar. Quanto mais fina a listra, menor impacto visual a estampa causa.

Para quem não dispensa listras maiores, a dica é apostar numa terceira peça – como um colete aberto, que “quebra” o efeito encolhedor.

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Ficha técnica

Fotografia: Samuel Gambohan (A Imaculada)

Maquiagem: Taís Andrade

Cabelo: Rodolfo Coronel

Modelo: Thamires Tancredi

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“Dietland”: por que assistir à série que fala sobre as (muitas) cobranças que as mulheres enfrentam

“Dietland”: por que assistir à série que fala sobre as (muitas) cobranças que as mulheres enfrentam

O Um Plus a Mais também está na versão impressa da Revista Donna,
sempre tratando de temas relacionados a diversidade.
A coluna abaixo será publicada na edição de 1º de setembro.

Eu sempre fico com o pé atrás quando me dizem: “Tu precisa assistir a esta série, é a melhor coisa dos últimos tempos”. Tenho preguiça do hype exacerbado – e já perdi o timing de ver produções incríveis como Stranger Things, à qual só me rendi depois de muito tempo lançada. Meu pavor só aumenta quando me dizem que se trata de uma série com personagens gordas. É batata: posso contar nos dedos de uma mão só as vezes que colocaram mulher gorda nas telas sem que a mocinha da vez demonstrasse problemas com o próprio peso. Às vezes, ela quer emagrecer (Bridget Jones), outras ela se “descobre” bonita no final (Sexy por Acidente), ou, claro, luta contra os altos e baixos da própria autoestima (This Is Us). Parece que peso é o único “problema” passível de enredo na vida de uma mulher gorda.

Quando vi o título da série da vez, Dietland, indicada pela minha amiga Vanessa Scalei, que assina a coluna sobre TV aqui de GaúchaZH, bateu aquela curiosidade, confesso. Mas a preguiça de talvez deparar com mais uma representação estereotipada me fez enrolar, enrolar… Até a última segunda-feira. Resolvi dar o play e dei de cara com Alicia Kettle (Joy Nash). Já nos primeiros minutos, ela revela que seu apelido é Plum (ameixa, em inglês). “Porque sou suculenta e arredondada”, explica. Logo, viria a reviravolta – e o porquê de Dietland ser, sim, a melhor coisa que vi nos últimos tempos. “Também conhecida como gorda. Eu posso dizer isso”, completou.

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Já nas primeiras cenas, Plum avisa que a versão dela que estamos conhecendo pertence ao passado. Ou seja, começa, claro, com a mulher gorda que sonha em perder peso. Aos 30 e poucos anos e com mais de 130kg, ela se submete a mais uma dieta rigorosíssima, um dos passos para a cirurgia de redução de estômago que pretendia fazer. Em certo momento, a protagonista mostra um vestido vermelho, vários manequins menores do que o dela – era o modelito que se enxergava vestindo no futuro, quando seria Alicia, “magra e feliz”, e não mais Plum. O tom da série começa a ficar claro quando, numa reunião de um grupo de emagrecimento, uma das participantes levanta, indignada com o teor dos discursos na roda de conversa. “Eu me sinto bem gorda, eu me amo. Vim aqui porque preciso de ajuda para emagrecer pois tenho problema na coluna, não porque odeio meu corpo”, dispara uma moça de roupa moderninha e cabelo colorido. Não, amigas, não se trata de mais uma série bobinha, definitivamente.

Joy Nash as Plum Kettle - Dietland _ Season 1, Episode 1 - Photo Credit: Patrick Harbron/AMC

Mais um pouquinho do enredo: no estilo ghost writer (uma escritora fantasma, sem assinatura), Plum responde todas as cartas enviadas a Kitty Montgomery (Julianna Margulies, na foto abaixo), editora de moda de uma revista. Pausa: sim, é a Alicia Florrick da ótima série The Good Wife, e ela está ainda mais maravilhosa aqui! Na caixa de entrada de Kitty – e, por tabela, de Plum -, chegam correspondências de garotas aflitas, que relatam desde problemas de autoestima até estupro e assédio. Gurias desesperadas, que refletem os relatos de casos bárbaros e horrorosos que vemos todos os dias nas redes sociais, na TV, nos jornais. É por causa dessas meninas que Plum é abordada por Verena Baptist, filha de uma guru das dietas – cujo objetivo é acabar com a herança de sofrimento causada pela mãe. Junte a isso um grupo de guerrilha feminista – que, na trama, caça estupradores e abusadores de mulheres. A tribo das justiceiras ganha um nome certeiro: Jennifer.

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A partir daí – porque tudo isso rola no primeiro episódio –, Plum entra de cabeça numa verdadeira revolução pessoal, que vai muito além do número na balança. Dietland é uma série mais do que atual: em tempos de #MeToo, discute como pouquíssimas outras produções a opressão que atinge as mulheres desde as pequenas situações do dia a dia. Do olhar intimidador no elevador ao medo de andar sozinha na rua. Da cobrança por usar um saltão à necessidade de ser magra. Coloca o telespectador na mesma ótica da personagem – e, independentemente do seu peso ou sexo, é impossível não se sensibilizar com a vida de Plum e das garotas dos emails. O seriado é uma representação das angústias e absurdos que as mulheres vêm denunciando, cada dia mais. E vale cada minutinho na frente da TV. Se você está sem programa para este fíndi, fica a dica: está disponível na Amazon Prime. Para quem gosta de ler, Dietland é inspirada no livro homônimo de Sarai Walker – e está na minha lista.

Assista ao trailer de Dietland

 

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O dia em que me descobri feminista – e como o movimento mudou minha maneira de ser e pensar

O dia em que me descobri feminista – e como o movimento mudou minha maneira de ser e pensar

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A coluna abaixo será publicada na edição de 18 de agosto.

Ser repórter de comportamento – e assinar reportagens sobre temas complexos como o feminismo, a exemplo da capa desta edição – faz com que a gente se questione. A cada nova entrevistada, um ponto de vista que ajuda a esclarecer ou contribui para confundir ainda mais. Mas, acima de tudo, faz com que a gente reveja o nosso próprio comportamento.

Caí num túnel do tempo desses enquanto conversava com a Angélica Kalil, que comanda o canal Você é Feminista e Não Sabe. No papo, a jornalista me contou que questiona a cada entrevistada, qual é, afinal, a sensação de se descobrir feminista. Assim que coloquei o telefone no gancho, parei para pensar em que resposta eu daria. E a resposta foi um misto de certa vergonha e, claro, de libertação.

Comecei a lembrar da Thamires do colégio. Que, embora fosse razoavelmente bem-resolvida, sempre ficava com o pé atrás se questionando o que os outros iriam pensar daquele cabelo roxo. Ou do All Star de cano altíssimo. Que deixou, muitas vezes, de usar a camiseta de banda que tinha vontade porque as colegas patricinhas iam olhar torto. Era bem feliz sendo amigona dos guris, sentando na turma do fundão, mas às vezes batia aquela invejinha das menininhas loiras e de batom brilhante que pareciam ter saído de um filme de colégio americano da Sessão da Tarde. Não tenho lá muito orgulho de lembrar que julguei colegas porque se vestiam de rosa. E não gosto de lembrar também que fui escanteada algumas vezes porque não era como elas.

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Pensei também nas (muitas) vezes em que já fiz merda com outras mulheres. Que adolescente nunca falou mal do vestido decotado da colega nas festinhas de 15 anos, hein? Ou da guria gostosona que pegava geral? Embora muitas de nós quiséssemos, sim, estar naquela posição “desejada” quando se é adolescente, nosso escudo natural era falar mal. Do cabelo, da roupa, do sapato, até da risada da criatura.

Não foram poucas as vezes em que estive nesses grupinhos em que se falava demais – se não dando com a língua nos dentes, ouvindo sem questionar. E brigar por causa de crush, hein? Teve uma vez em que discuti com a minha melhor amiga de infância porque, veja bem, ela adicionou no MSN um boy de quem eu (achava que) gostava. Vê se tem cabimento?

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Olhando para trás, vejo o quanto fiz mal a mim mesma e deixei de ser legal com os outros. E se a gente não se importasse com a guria do vestido curtíssimo, que só diz respeito a ela mesma? E se tivéssemos ido puxar papo com as loiras patricinhas para ver se elas não eram legais? E a colega pegadora? Por que a gente não pediu a ela uns conselhos de paquera? E por que a gente achava problema ela ser pegadora e queria ficar com o guri garanhão da sala? Hein, hein? E se eu não tivesse deixado de usar as roupas que queria? Ou, como guria que sempre foi gordinha, como é que teria sido a vida sem dietas mirabolantes para tentar ser como as patricinhas de quem eu nem gostava? E se…

São dúvidas que jamais serão respondidas. Mas, olhando para trás, só consigo pensar que eu teria me cobrado muito menos se tivesse conhecido o feminismo antes. Teria julgado muito menos as gurias à minha volta e respeitado mais as escolhas de cada uma delas. E talvez pudesse até ter investido meu tempo fazendo coisas que sempre ouvi que eram para os guris – como jogar futebol, que nunca tentei porque achava que seria bruto demais para mim, que já não tenho tanta habilidade com esportes assim.

A Angélica Kalil me contou que, quando se descobriu feminista, era como se subisse em um muro e conseguisse ver os dois lados da mesma realidade. No meu caso, é como se tivesse tirado um casaco apertado, sabe? Daqueles de três invernos passados e uns quilos a menos, que você coloca e parece que está o tempo todo presa, mesmo ainda conseguindo vestir. Você se sente desconfortável, mas até esquece o porquê, já que aquela peça é tão tradicional no seu armário, não é? Mas, quando tira depois de um dia inteiro, fica pensando: “Como é que consegui usar esse troço por tantas horas?”.

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Não é que eu vivesse mal ou não fosse feliz sem o feminismo. Eu era, mas me sentia presa, e não sabia por quê. O feminismo me ensinou a olhar para as outras mulheres com mais compaixão. Aprendi que é, sim, meu dever tentar entender a outra antes de julgar – para julgar cada vez menos. Me fez entender que eu não preciso do aval dos outros para fazer o que quero e ser quem eu quero.

O feminismo me ensinou a brigar mais – não por bobagem, mas por tudo aquilo que é desigual sem motivo. Também me ajudou a entender e ser mais solidária e empática com brigas que não são minhas. Me fez olhar menos para o meu próprio umbigo.

É fácil? Claro que não. É, na verdade, bem doloroso entender o quanto a gente perdeu tempo na vida com picuinhas desnecessárias, enquanto há causas bem mais verdadeiras para se engajar. Mas também é libertador. Se você tiver a oportunidade de tentar entender um pouquinho mais o que há por trás desse movimento – e vai bem, bem além da casquinha superficial de que falei aqui –, asseguro que vale a pena. Vamos juntas?

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Marca plus size da Renner, Ashua ganha loja própria em Porto Alegre

Marca plus size da Renner, Ashua ganha loja própria em Porto Alegre

Alô, fashionistas GG! Tem novidade das boas por aqui!

Já falamos várias vezes das peças bacanas da Ashua, a marca curve & plus size das Lojas Renner. Até agora, as coleções da etiqueta, lançada em 2016, eram vendidas apenas pelo e-commerce. Mas para atender aos (muitos) pedidos das clientes, a Ashua vai abrir lojas próprias! Yeey!

Para a alegria das gaúchas, o primeiro espaço físico da Ashua será inaugurado em Porto Alegre, no Shopping Praia de Belas. A previsão é de que seja apresentada na primeira quinzena de setembro, com um evento especial para convidados.

Quem passou pelo mall nos últimos dias já deve ter visto os cartazes da nova Ashua no segundo andar, pertinho da Livraria Saraiva.

Garotas paulistas, tem uma boa nova para vocês também: as outras lojas da marca serão abertas em São Paulo, no Shopping Anália Franco e no Shopping Tucuruvi. Logo, logo, saberemos mais informações sobre essas duas filiais e contamos por aqui, viu?

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O bacana é que as lojas da Ashua contarão com atendimento especializado para as clientes da marca – sim, a equipe estará preparadíssima para te dar muitas dicas na hora de comprar!

“Desta forma, a marca reforça sua proposição de valor de inspirar e incentivar as mulheres a explorarem a sua beleza”, avisa o pessoal da Ashua.

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E o que vocês encontrarão por lá? Quem acompanha as novidades da Ashua no lojasrenner.com.br e no @ashuacurvesize sabe bem: a marca investe em peças que funcionam (muito!) bem do trabalho à balada. Tem paetê e tem alfaiataria bacana, tem jeans descolado e confortável. Tendências não faltam nas coleções da grife – que vem investindo de verdade para trazer informação de moda e modelagens bem pensadas para o corpo da mulher gorda.

Quer um spoiler das coleções de primavera/verão que vão estar nas araras da nossa Ashua? Espia amanhã o preview da Renner, direto de São Paulo, que terá looks da marca, claro! O desfile será transmitido pelas redes sociais da varejista. Vamos acompanhar!

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