Com direito a desfile com influencers plus size, Malhação: Vidas Brasileiras faz bonito ao trazer a história de personagens gordas

Com direito a desfile com influencers plus size, Malhação: Vidas Brasileiras faz bonito ao trazer a história de personagens gordas

Desde que estreou essa nova temporada de Malhação, chamada de Vidas Brasileiras, ouço falar muito da personagem Úrsula. Vivida pela atriz Guilhermina Libanio, Úrsula é uma garota gorda que passa por problemas de aceitação – tão típicos da adolescência, principalmente de uma guria fora dos padrões. Para dar um contexto para quem não consegue assistir a novelinha teen da Globo (que, olha, está cada vez mais ligada nos temas que realmente precisam ser falados com o público adolescente), Úrsula tem uma prima-amigona que também é gordinha, a Bárbara (Dora Freind) – que, ao contrário da nossa mocinha, cultiva um amor próprio de (quase) dar inveja. É mulherão assumido, sabe como?

Olha a Úrsula! Foto: João Cotta, TV Globo

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Além dos problemas com a própria imagem, Úrsula ainda tem que lidar com um boy embuste: o garoto de quem ela gosta tem vergonha de estar com uma guria gorda, e não assume o rolo para os amigos. Familiar, gurias? Pois é! É justamente neste contexto que Bárbara, vendo a prima deprimida, resolve agir. Com a ajuda da diretora da escola (personagem bem querida de Camila Morgado), arma um desfile com outras mulheres plus size lindas. E olha só que bacana: a Globo chamou três influencers das mais legais: a nossa ruiva Jéssica Lopes, aka Femme Fatale, a Alexandra Gurgel do Alexandrismos, a modelo Amanda Santana e a fashionistona da Carol Guedes. Gurias com estilos totalmente diferentes, mas que tem em comum o ativismo contra a gordofobia e a favor do amor próprio.

Para uma guria que sempre foi gordinha como eu, confesso que tive que segurar as lagriminhas assistindo. Sério! Quando que na minha adolescência ia imaginar ver uma personagem gorda e bem-resolvida como a Bárbara em programas para o público teen? Mas é nunca! Ver uma personagem com conflitos internos parecidos com os meus? Sonho! E um desfile só com mulheres gordas maravilhosas? Jamais, mesmo, cogitei. Colocar essa história na maior emissora do país, em uma novela voltada para adolescentes, é um tremendo avanço. E uma injeção de autoestima para tantas gurias gordas que jamais se viram representadas, e estavam acostumadas a ver na TV a mulher gorda apenas como a personagem engraçada, cheia de problemas com a própria imagem ou não pega ninguém. E esse é um ponto que acho bacana na trama de Malhação: Vidas Brasileiras: existe a guria gorda que busca autoaceitação, mas também tem a que se ama e faz questão de puxar a outra para cima. Não somos retratadas apenas como o estereótipo da mulher gorda – embora, aqui, seja necessário justamente pela reviravolta que a personagem dá.

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Para vocês terem uma ideia do nível bacana em que a história foi retratada, separei algumas frases marcantes que rolaram no episódio:

“Qual o problema de você ser gorda? A Bárbara só quer que você se ame e descubra a garota maravilhosa que é. Antes de ter o amor de outra pessoa, você precisa se amar”, diz a personagem de Camila Morgado, Gabi, a diretora da escola das meninas.

“Quem me conhece sabe que sou um mulherão em todos os aspectos”, brinca Bárbara, ao apresentar o desfile das modelos plus size. “Se tem uma coisa que eu acredito é que uma mulher sempre pode puxar a outra para cima”.

Quando Úrsula vence o medo e resolve desfilar, dá um show na passarela, com direito a discurso: “Ouvi a Gisele dizer uma vez que se você quer ser poderosa, você tem que se sentir poderosa”.

Para além da personagem, a atriz Guilhermina Libanio, de apenas 20 aninhos, tem dado entrevistas bem bacanas falando sobre suas vivências, em alguns aspectos comuns às de Úrsula.

“Viver a Úrsula é um presente porque ela vai sofrer gordofobia e, com a ajuda de pessoas próximas, vai aprender a se amar e se aceitar. É importante mostrar que a mulher gordinha vai além da divertida ou engraçada. Também é sensual, bem-sucedida, inteligente, feliz e amada”, disse, em entrevista ao GShow. “Levei cinco anos (para me aceitar) e, é claro, ninguém passa a se amar de um dia para o outro. É uma construção diária, todos os dias. Quando isso acontecer, pode ter certeza de que será revolucionário, e ninguém mais vai te tirar isso”.

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Morte de Matheusa, universitária gay assassinada no Rio, representa a perda de mais uma militante

Morte de Matheusa, universitária gay assassinada no Rio, representa a perda de mais uma militante

O Um Plus a Mais também está na versão impressa da Revista Donna,
sempre tratando de temas relacionados a diversidade.
A coluna abaixo estará na edição do dia 12 de maio.

No ano passado, 445 pessoas foram mortas em crimes motivados por homofobia, aponta um levantamento do Grupo Gay da Bahia. Isso quer dizer que, a cada 19 horas, uma pessoa gay, lésbica, bissexual, travesti, transexual ou não binária tem sua vida ceifada por simplesmente existir. Assusta ainda mais pensar que, em 2017, esses números aumentaram 30% em relação a 2016 – e o índice só cresce, ano a ano. Mais: quando se fala especificamente da população trans, talvez uma das mais marginalizadas no nosso país, os índices apontam que, no ano passado, 179 delas foram assassinadas. Uma morte a cada 48 horas – e, em 94% dos casos, de mulheres trans. Se pensarmos no contexto de ódio e intolerância em que estamos mergulhados, quase não dá para se surpreender. Quase.

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A maioria dos casos não vem à tona, infelizmente. Mas foi diferente com a estudante Matheus Passareli Simões Vieira, a Matheusa. Theusinha, para os amigos. Matheusa estava desaparecida havia uma semana no Rio de Janeiro. Saíra de uma festa em que foi trabalhar, no Encantado, zona norte da capital carioca, e, segundo a polícia, foi executada por bandidos no Morro do 18. Até a hora em que escrevi este texto, as últimas informações afirmavam que o corpo de Theusinha provavelmente tenha sido queimado. As investigações ainda são inconclusivas, mas os relatos dão conta que ela teria chegado na entrada da comunidade confusa, falando frases desconexas. Depois, teria sido levada ao tribunal dos traficantes para explicar o porquê de estar naquele lugar. Provavelmente pelo seu estado de confusão, não conseguiu se fazer entender. E foi morta ali, sem qualquer justificativa, como explicou a delegada Ellen Souto.

Theusinha era a primeira universitária de sua família: estudava Artes na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, onde era bolsista. Estava sempre circulando nos mais diversos rolês das artes do Rio, incluindo a turma da moda. Desfilou, inclusive, para o estilista Fernando Cozendey na última edição da Casa de Criadores. Também estava envolvida com o projeto Jacaré Moda, iniciativa que capacita jovens que moram na periferia para atuar em diversas áreas da moda. Theusinha era não binária, ou seja, não se identificava nem com o gênero feminino, nem com o masculino. Theusinha tinha apenas 21 anos.


Você provavelmente não conheceu Theusinha – eu também não. Soube do trabalho (e da morte) dela quando estava chegando no trabalho ontem, e deparei com o post angustiante da irmã de Matheusa na minha timeline, anunciando sua morte precoce. Assim como Marielle Franco, vereadora assassinada também no Rio de Janeiro há menos dois meses, a morte de Theusinha significa a perda de mais uma guerreira. É a vida de mais uma pessoa LGBTQI+ sendo ceifada. De mais uma afeminada, periférica, não binária. Que viveu de forma livre e autêntica, sendo quem ela bem queria ser. Que lutou por mais igualdade e respeito num país em que a tolerância parece ter cada vez menos vez. Theusinha pedia por mais diversidade e liberdade, e não duvido que possa ter sido morta justamente por ser a representação viva do que mais acreditava.

A vida de Theusinha já se foi, mas cabe a nós não deixar que suas ideias de liberdade morram. Cabe a nós cobrar justiça por Theusinha. Respeito a todos que, assim como ela, sofrem por ousarem ser quem querem. E um mínimo de empatia, aquele sentimento que faz com que a gente se coloque no lugar do outro. “Se tiver que existir a dicotomia entre o amor e o ódio, eu escolho amor”, escrevia Theusinha. E nenhuma escolha parece ser tão urgente.

 

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Eu, gorda: conheça o projeto (incrível!) que retrata a beleza da mulher gorda através da fotografia

Eu, gorda: conheça o projeto (incrível!) que retrata a beleza da mulher gorda através da fotografia

Para Milena Paulina, a fotografia é a melhor forma de contar a história de alguém. E foi justamente essa a linguagem escolhida pela fotógrafa paulista para retratar a vida, a beleza e as vivências de mulheres como ela no projeto Eu, Gorda, que passou pelo Estado recentemente. De gorda, para gorda: talvez esse seja o diferencial que torna tão único e sensível o trabalho de Milena, que excursiona pelo Brasil em busca de novas gurias dispostas a revelarem um novo olhar sobre seus corpos. É, também, um reflexo dos anseios da retratista, que sentia dificuldade de se ver representada em ensaios, na mídia e na publicidade.

— Quando tinha o retrato de uma mulher gorda, era como se fosse uma cota. Não era aquilo que eu buscava. Não queria ser a cota de ninguém — afirma a fotógrafa. — Pensando e conversando, vi que contaria uma historia maior e melhor se eu conhecesse e vivesse essa história também.

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Quem visita o perfil de Milena no Instagram, o @olhardepaulina, sabe bem: ela mesma costuma usar lingerie nas sessões de fotos. Tudo para deixar ainda mais próxima a relação com as gurias que topam posar para ela. Na data marcado, um grupo de gurias se reúne e começa o dia com uma roda de conversa para compartilhar experiências. É neste momento de troca que já surgiram amizades, mas, principalmente, a cumplicidade entre mulheres que dividem medos, anseios e dúvidas para além do mesmo biotipo.

— Como eu nunca tive uma amiga gorda, nem uma influência gorda para conversar e compartilhar, vi como eu precisava disso e as outras mulheres também — explica Milena. — Não é só sobre ser ouvida. Qualquer um escuta e balança a cabeça. É sobre ser acolhida e entendida. O pessoal fala das fotos, mas as gurias saem dizendo que a conversa é melhor coisa (do ensaio do Eu, Gorda).

A modelo plus size Arantxa Von Appen foi uma das fotografadas por Milena

A modelo plus size Arantxa Von Appen foi uma das fotografadas por Milena

Para participar, a dica é ficar ligada no Instagram do projeto, onde Milena divulga as datas dos ensaios seguintes. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília estão no roteiro do Eu, Gorda, mas a fotógrafa prometeu à nossa reportagem que volta ao Estado no segundo semestre. Enquanto Milena não desembarca por aqui, vale conferir as fotos inspiradoras de mulheres como a (maravilhosa!) modelo plus size pelotense Arantxa Von Appen, que participou da sessão que rolou na cidade:

— Ter posado para esse projeto me dá uma sensação de estar fazendo a coisa certa por mim e por tantas mulheres gordas que todos os dias se vêem questionando o próprio corpo. A representatividade gorda é muito importante e o que a Milena está fazendo é registrar o que acredito que será uma parte importante da história, o empoderamento da mulher gorda na sociedade atual.

Veja mais fotos do Eu, Gorda aqui no RS

 

Quer saber mais? Assista ao programa Um Plus a Mais com a Milena Paulina

 

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Por que Ashley Graham não considera “mulher real” um elogio

Por que Ashley Graham não considera “mulher real” um elogio

A gente vive (ainda bem!) um momento em que, finalmente, está se tornando um pouquinho mais comum ver pessoas fora do “padrão” em revistas, na TV, na publicidade. Sem dúvida, um dos expoentes destas mudanças é a modelo Ashley Graham – a gente fala tanto dela por aqui que a musa tem até tag!

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Ainda que eu, pessoalmente, não considere Ashley uma mulher gorda – ela é, ao meu ver, curvilínea -, é fato que a top foge aos padrões da indústria da moda. Quase não tem barriga, é verdade, mas o quadril da gata é grande, ela tem coxão e não esconde suas celulites…  E é por isso que, a cada aparição de Ashley em editoriais, muita gente acaba deixando aquele comentário espontâneo: “Que demais, uma mulher real!”. É ou não é, gurias?

Pois foi justamente sobre isso que Ashley se pronunciou essa semana no Instagram: ela questionou o porquê das pessoas dizerem que ela é uma mulher de verdade.

” Todas nós somos mulheres reais. Eu não tolero quando leio comentários que dizem: ‘Finalmente, uma mulher real’. Não importa o seu tamanho, sua forma ou a quantidade de celulite que você tem, todas nós estamos juntas nisso”, escreveu.

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Daqueles sacolejos para a gente parar e refletir, né?

Confesso para vocês que, se eu espiar o histórico do blog ou das matérias que fiz para o site do Donna, provavelmente eu mesma já usei o termo “mulher real”. E foi na maior das boas intenções: justamente para valorizar mulheres como Ashley, ou a Tess Holiday, ou Fluvia Lacerda, que fogem à beleza considerada padrão e conseguiram galgar seu espaço na indústria da moda. Mas foi lendo uma discussão de Facebook há algum tempo que me dei conta: ainda que meu objetivo fosse positivo, eu estava excluindo, sem querer, outras mulheres. Dizendo que a minha amiga magra não é real. Ou a minha colega loira e alta não é tão “mulher de verdade” quanto eu. Estimulando até uma certa competitividade. E dizendo, sem querer, que existe “mulher errada”.

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Bateu aquele sentimento de culpa, sabe? Aquela sensação de que, mesmo sendo feminista e falando sobre quebra de estereótipo o tempo todo, estava criando mais um padrão: o da tal mulher real. E passei a ter ainda mais cuidado quando escrevo qualquer coisa. Porque a gente precisa, MESMO, parar de criar rótulos para nós mesmas. Não existe uma mulher real, Ashley, você tem toda a razão. A musa fitness é real, a menina que veste 34 é real, e a de manequim 60 também. A garota sem um furinho de celulite é tão real quanto a que tem a perna coberta por buraquinhos. Todas nós somos reais. Somos de verdade, de carne, osso, qualidades, medos, pressões. Aliás, sabe a tal pressão estética de que tanto falamos por aqui? Todas nós mulheres, sem exceção, sofremos com isso. Se você é gorda, sofre porque “deveria” ser magra. Se é alta, porque tem estatura “elevada demais” para uma mulher. É um looping eterno, uma metralhadora de obsessões que atinge todas nós, mulheres reais. E a gente, mais do que nunca, precisa dar um basta nisso.

Só para esclarecer, manas gordas: sim, nossos problemas vão além do furinho da celulite. Porque, além de pressão estética, sofremos gordofobia. Somos invisibilizadas nas menores questões do dia a dia. Não temos, muitas vezes, acesso a uma poltrona no ônibus em que a gente caiba confortavelmente. Mas isso é assunto (urgente!) para outro post.

 

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“Ninguém chega aos teus pés”? Por que não aceito que alguém me elogie enquanto insulta outra mulher

“Ninguém chega aos teus pés”? Por que não aceito que alguém me elogie enquanto insulta outra mulher

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A coluna abaixo estará na edição do dia 3 de março.

Você já deve ter ouvido a pérola de algum carinha: “Nossa, você é incrível, bem diferente da louca da minha ex”. Ou aquela clássica: “Guria, tu é tão divertida, por que as outras não são como você?”. E a frase que é para matar: “Como tu é linda, ninguém que eu já fiquei chega aos teus pés”.

À primeira vista, até parece um baita de um elogio, né? A gente dá aquele sorrisinho de canto, meio-tímido-meio-concordando, quando não engata o sonoro: “Bah, Fulano, capaaaz!”. Fora o fato de que muitas de nós não sabem ouvir elogios (eu inclusive!), pare e pense: por que, afinal, o dito cujo precisa diminuir os outras para elogiar alguém, hein?

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Essa é uma questão que volta e meia aparece nas discussões de Facebook e nas minhas rodas de amigas. Quando uma das gurias comenta que o peguete só sabe falar mal da ex, já ligo o alerta: “Amiga, se o cara chama ela de louca o tempo todo e não consegue falar nada de legal da guria, boa coisa esse moço não é. Te liga que a próxima louca pode ser tu”. Precisa realmente ficar depreciando a ex desse jeito, queridão? E mais: para enaltecer a pessoa que está contigo, não basta falar bem somente dela? Elogiar o sorriso, o bom humor, o estilo ou seja lá o que você curte, mas sem comparar com o sorriso de outra mulher? Ou com o sorriso da Gisele Bündchen? A pessoa não pode ser incrível por ela mesma?

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Mas, gurias, a gente precisa admitir: não são só eles que fazem isso, né?  A gente também escorrega. Muito se fala sobre o clima de rivalidade que existe entre as mulheres – e, não dá para negar, rola um fundo de verdade aí. A gente cresce se comparando com a irmã, com a prima e até com a mãe. Acostuma-se a ler na revista quem foi a mais bem-vestida do Oscar. É incentivada, implicitamente, a ser sempre a melhor. A mais bonita do grupo de amigas. Ou da festa. Quando o cara diz que você é mais legal que a ex, lá no fundo bate aquele orgulho, por mais feminista que seja. Já parou para se perguntar por quê? O que nos motiva a ficar felizes quando somos consideradas mais bonitas do que as coleguinhas? Quem instaurou essa competição constante, em que ninguém pediu para entrar, mas que estamos todas lá, segurando a plaquinha com o número na mão, clamando por dentro para sermos a grande escolhida? Para eu ser vista como bonita, inteligente, ou engraçada, preciso ser “a mais”? Alguém precisa ser menos? Tem mesmo que sapatear de salto 15 em todas as outras? Não dá para ser linda, ser esperta e ponto, sem que alguém seja considerada menos do que você?

Enchi vocês de questionamentos por que foi assim que me flagrei depois que vi duas mulheres que admiro demais, a Leandra Leal e a Clara Averbuck, compartilhando essa imagem acima. Pensei sobre o quanto já aceitei elogios que, na real, diminuíam outras pessoas para supostamente falar bem de mim. E caiu a ficha: não preciso que alguém diga que eu sou melhor que Sicrana para viver, né? Parei e me questionei, de verdade. Acho que é assim que a gente muda e deixa para trás comportamentos que, por mais comuns e naturalizados que sejam, nos fazem mal. É desse jeito que a gente percebe que talvez não esteja agindo de um jeito tão legal na vida, com as outras manas e até com nós mesmas.

Elogie uma mulher nos comentários! 💪🏻😉

Uma publicação compartilhada por Leandra Leal (@leandraleal) em


No post, a Leandra propôs que suas seguidoras elogiassem outra mulher nos comentários. E o movimento que rolou foi lindo demais! Já que esta edição de Donna é especial de Dia da Mulher, que tal aproveitarmos a data para fazer o mesmo? Elogiar, de verdade e sem comparações uma mulher que convive com você. Pode ser a caixa do supermercado, a moça da farmácia, aquela colega com quem você não tem tanta intimidade.

E, claro, sua melhor amiga, sua mãe, sua sobrinha, sua filha. Vamos fazer a empatia circular mais entre nós? Que a data sirva de reflexão, sim, para pensarmos em tudo o que queremos e precisamos mudar – como os números assombrosos de assédio sexual dos quais falei na reportagem de capa. Mas também seja motivo lembrar o quanto nós mulheres somos incríveis. Fica o convite, gurias!

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