Prazer, gorda!

Prazer, gorda!

*A partir deste final de semana, o Um Plus a Mais vira também uma coluna na edição impressa da Revista Donna. Esta é a nossa estreia, que estará quinzenalmente nas páginas da revista que circula no fíndi – e, sempre na sexta aqui no blog :)

 

Por muito tempo, me esquivei o quanto pude da palavra gorda – que, na minha cabeça e na de muita gente, tinha status de palavrão. Nos últimos anos da infância, já tinha aprendido a fazer cara de paisagem quando ouvia um “fofinha”, fingindo que não era comigo. Na adolescência, agradecia mentalmente quando alguém falava que eu tinha “ossos largos” (aliás, oi?) ou dava aquela alento: “Quando você crescer, vai emagrecer”. Pois bem, os 20 e poucos chegaram e nada aconteceu. Os ponteiros da balança não deram a mínima esperança de descer, e só rodaram para o lado contrário ao que eu desejava. De fof
inha, passei a ser colega gordinha. “É, a gordinha aquela que fala besteira, sabe?”, já ouvi de muita gente ao se referir a mim. Logo, passou a ser a gorda. Assim mesmo, sem nenhum pudor quando eu ainda precisava tanto que a noção alheia existisse.

FILM  ' Bridget Jones: The Edge of Reason '  (2004)Picture showQuem nunca teve seu momento Bridget e se escondeu do mundo, hein?

Eu fingia não estar dando bola quando os guris do colégio faziam aquelas listas com as meninas mais gatas da classe e meu nome nunca estava no meio. Dizia que “não era meu estilo” quando as gurias começaram a usar aquelas leggings coladíssimas e eu, morrendo de vergonha do tamanho da minha bunda, só queria cobri-la com um casaco amarrado à cintura. Me espremi tantas vezes para entrar em uma calça jeans que não sei como até hoje não quebrei em mil pedaços um espelho de provador – porque, na minha cabeça, poderia muito bem rolar uma cena daquelas de filme em que o botão pula da cintura como um tiro em direção ao vidro, estilhaçado. Aliás, chorar em provador? Virei expert em disfarçar e sair como se nada tivesse acontecido. “Não, moça, não gostei desse modelo”, repeti inúmeras vezes para vendedoras que me olhavam com aquela cara de quem sabe que faltou um palmo para o zíper fechar.

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Mas uma hora, a ficha cai. Eu não lembro exatamente quando a minha começou a cair – e talvez, no meu caso, ela tenha desabado mesmo. Chega uma hora na vida em que a gente para na frente do espelho e aprende a encarar a própria imagem. Eu tentei, de verdade, todos os dias de manhã, parar de pensar que eu era grande demais para ficar bem naquela saia justa. Gorda demais pra usar blusa de alcinha. Parei de tentar me diminuir, de encontrar todo dia um novo defeito em mim. Foi fácil? Óbvio que não. Não foram poucas as vezes em que dei risada pensando: “É sério que tu tá tentando te enganar assim?”. Enganação ou não, o fato é que talvez tenha sido bem persuasiva comigo mesma e, bem, acreditei. O processo foi longo: dias bons, dias ruins, uns maravilhosos e outros péssimos. Tipo quando você está há semanas sem brigar consigo mesma e ouve que seu rosto é bonito, mas você precisa emagrecer. Ou percebe aquele olhar de repreensão na fila do bufê quando você, sua gorda abusada, ousa pegar uma sobremesa que não seja fruta. E aí, parece que tudo vai desabar – mas, acredite, chega uma hora em que nem treme mais.

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Mas chega uma hora em que a gente aprende a mostrar quem é

E quando essa hora chega, a gente aprende a ser a gorda. A gente aprende, aliás, que ser gorda não é defeito – é só mais uma característica nossa, como alta, loira, baixa ou ruiva. Não diz quem você é. Não limita quem você é. A gente deixa de encarar como uma crítica. Paramos de nos sentir inferiores por causa do número da calça jeans. Não vou mentir: é um caminho longo, que parece não ter fim, e talvez não tenha mesmo. Mas a gente não se incomoda mais quando ouve a palavra gorda. Não se importa de pedir o jeans tamanho 50 e, olha, nunca mais recusa aquele pudim de sobremesa. Aprende que essa é você, você de verdade, sem eufemismos. Prazer, gorda!

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E quando a autoestima sobe, o poder é esse?

 

***

Aliás, prazer, sou a novata deste ilustre time de colunistas que encerra toda edição da Revista Donna. Thamires, repórter da Revista Donna e treteira de carteirinha no blog Um Plus a Mais. Tô feliz que nem sei de estrear ao lado de um mulherão que admiro tanto, a Clara Averbuck, e a sempre certeira Mauren Veras. Por aqui, vou falar de todo mundo que quase ninguém fala: as gordas, as gays, as trans, as minas fodas, as crespas, as tatuadas, as feministas. A palavra de ordem nessa página é diversidade. Quanto mais, melhor!

 

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Aliás, fica a dica: a marca Oh! Querida, que a gente AMA, criou essa camiseta incrível! Boa, gurias!

 

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Por que o bumbum da Kim Kardashian incomoda tanto?

Por que o bumbum da Kim Kardashian incomoda tanto?

Kim Kardashian é daquelas celebs que estão longe de ser unanimidade. Há quem adore o estilo e a personalidade nonsense que a socialite exibe nas redes e no programa Keeping Up With The Kardashians (eu inclusa!). E há também quem não goste da moça por “n” motivos – superexposição e “futilidade” são alguns deles.

kim zzzA cara da preocupação

Mas o fato é que não gostar de uma pessoa – seja ela famosa ou não – não dá o direito de desqualificar alguém. Não dá o direito de julgar cada passo, cada aparição – e, vamos combinar, se você não gosta de alguém, por  que dá tanta importância, hein?

Quando se fala em julgar o corpo de alguém, o buraco é ainda mais embaixo, como diz a expressão. E é justamente isso que tem rolado nos últimos dias com Kim que, veja bem, teve a audácia de usar biquíni para ir à praia durante suas férias no México. Pediu, né? [ironia mode on]

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Depois que os primeiros cliques foram divulgados, uma avalanche de comentários sobre a bunda da Kardashian tomou a internet – e não vou repeti-los aqui porque, mesmo que eu saiba que (infelizmente) Kim não vai chegar a este humilde textinho, não acho legal ficar reproduzindo preconceito, ainda que seja para alertar. Mas o conteúdo vocês já imaginam, né?

Afora os dizeres sobre a ~desproporcionalidade~ do derriére de Kim (aliás, não sabia que a gente tinha leis e padrão agora até para o tamanho máximo que seu bumbum pode ter), me incomodou demais outro ponto: o drama da celulite e das estrias. As pessoas simplesmente enlouqueceram com o fato de Kim ter celulite e estria. Não custa relembrar a entrevista da dermatologista Fernanda Casagrande para o especial Meu Corpo de Verão, que publicamos em fevereiro:

– Oitenta por cento das mulheres têm estrias, e os 20% que pensam que não é porque têm em um lugar que não sabem – explica a médica.

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Ou seja: vocês tão reclamando do quê? Kim tem um bumbum avantajado e, como a gente bem sabe, isso favorece que tudo seja mais visível. Mas a questão é: e daí? Por que um bando de palpiteiro de internet se acha no direito de falar da celulite que está na bunda de outra pessoa e não na sua? Se você tem pele, vai ter celulite – em menor ou maior grau. Logo, me questiono: por que as pessoas se preocupam tanto com os furinhos de Kim se ela mesma está lá, belíssima, aproveitando suas férias-ostentação sem ligar pra isso, pelo menos nesse momento? Por que esse ideal de que a mulher famosa precisa ser perfeita? Por que essa cobrança tão absurda para as mulheres? Parem de idealizar corpos, parem de exigir a perfeição que só existe nos padrões de vocês. A bunda é dela, e se ela está feliz (e eu estaria também!), ninguém tem nada a ver com isso. E não, não aceito os argumentos de que ela é vaidosa e tem dinheiro e trabalha com a imagem e precisa “se cuidar”. Se para ela o fundamental é sair de casa todo dia com camadas de contorno e manter o dérriere com celulite e estria, a escolha é dela. Só dela.

Para dar um tapa de luva de pelica na cara do povo maldoso, Kim apareceu depois com um fio dental:

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kim-5_345893Quer falar da minha celulite? Fala! Mas fala com vontade agora, vai!

Pode ser mais maravilhosa nessa resposta?

No Twitter, Kim ainda compartilhou uma declaração com a seguinte mensagem:

“Estou apenas sentada aqui na praia com meu corpo sem falhas”.

kim shhhhVRÁÁÁ!

O lacre termina com um vídeo em que Kim aparece saboreando um milk-shake de Oreo: xô, neuras!


Desabafo feito, tenho a dizer para vocês que o que mais me chocou foi ter visto comentários preconceituosos inclusive de meninas gordas, que sofrem com o body shaming todo dia. Como bem disse a Jéssica Lopes, musa-ruiva do Femme Fatale: “Não adianta nada ser body positive e criticar a bunda da Kim Kardashian”. Não posso concordar mais. E ó: eu mesma, se Santa Cher me desse o poder de escolher a minha bunda dos sonhos, eu escolheria a da Kim sem pensar duas vezes (o armário também!). Kim, vi suas fotos e só consegui pensar: “Que bundão da p****! Beijos!”

 

  • Adendo!

Lá no Facebook do Donna, está rolando uma discussão bem bacana. Algumas das leitoras levantaram um ponto importante: Kim é obcecada com beleza, usa Photoshop até não querer mais e outros poréns. Reproduzo aqui a minha resposta. E se quiser, entre no papo com a gente por lá também!

“Concordo MUITO com vocês quando dizem que a Kim não é exemplo de autoaceitação, que usa photoshop e que dá muita importância para a própria beleza. SIM, é verdade. Kim, assim como as outras Kardashians, também podem ser indicadas como pessoas que criam, incentivam e alimentam padrões – embora, para mim, ver uma mulher curvilínea como a KimKa usar roupa justa tenha me incentivado a usar também, enfim. Mas o texto é centrado em todos os (muitos) comentários criticando Kim por “não ter vergonha de mostrar a bunda com celulite”, ou “olha o tamanho, é desproporcional”, e ainda “se ela tem dinheiro, por que não trata essas celulites”: comentários de body shaming, criticando uma pessoa pelo corpo que tem. Eu entendo todos os poréns de vocês e não discordo, mas, pra mim, de verdade, ELA pode ser neurótica o quanto quiser com o próprio corpo, mas isso não dá a ninguém o direito de falar do corpo dela ou do de qualquer pessoa.”

 

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No Minas Trend, Preta Gil lança coleção all sizes: “A mulher real precisa estar na passarela”

No Minas Trend, Preta Gil lança coleção all sizes: “A mulher real precisa estar na passarela”

“Quem quer mulher real na passarela?”. Foi assim, com um convite à libertação, que a cantora (e musa do blog!) Preta Gil adentrou o desfile de Victor Dzenk na noite desta quarta-feira, no Minas Trend. A carioca veio à capital mineira para lançar sua coleção especial em parceria com o estilista. E as peças não poderiam ter mais a cara de Preta: muita cor, estampas, modelagens justinhas (porque TODAS podem!), decotões e transparências. E tudo ao mesmo tempo agora!

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Antes do desfile começar, a gente aproveitou para encontrar Preta nos bastidores e bater um papo sobre diversidade na moda, representatividade e, claro, a coleção que logo, logo chega às araras. Vem espiar os melhores momentos:

A coleção

“Ela tem verdade. Na coleção, expresso as minhas curvas, as minhas cores, os meus modelos. E expresso a diversidade, que é o mais importante. É uma coleção que intitulamos de all sizes, é para todos. Representa a inclusão da verdadeira e da real mulher brasileira no mundo da moda”.

Victor Dzenk Minas Trend - Verao 2018 Foto : Ze Takahashi / FOTOSITE

Ao lado do estilista Victor Dzenk

 

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O que é vestir tamanhos maiores (ainda) hoje

“A gente vem de um processo de luta por espaço, por reconhecimento e por respeito para as mulheres que são mais cheinhas. Eu nunca gostei do termo plus size e hoje a gente conseguiu chegar em um termo que me é mais sonoro, que é o all sizes. Eu sofria muito quando tinha que entrar numa loja plus size. É algo que taxa, que rotula: “você é gordinha, você só pode comprar em lojas de roupas para gordinhas”. Eu tenho que poder entrar em uma loja com você (em referência a repórter Gabriela Dourado, que nos acompanhava na entrevista) e você sair feliz e eu também. Isso é o real sentido, e a moda está aí para libertar a gente. Antes nós entrávamos (apontando para mim) em uma loja com ela e ela saía linda, maravilhosa e produzida, e a gente mal, deprimida. Quantas vezes eu já fui para shopping e saí e voltei para casa triste porque não encontrei nada, nada me cabia. Pelo menos agora se você entrar na loja do Victor, você não vai mais ficar triste, vai ter para todas”.

 

Representatividade?

“Eu veja pouca modelo plus size na passarela. Vejo mais pessoas reais, que não são modelos de passarela, mas que são pessoas, e que bom, porque são pessoas que consomem roupa. Mas eu não vejo muito as gordinhas. Escolhem as mais magrinhas dentre as gordinhas, só para dizer que teve, porque o caimento “fica” melhor. É uma maneira de maquiar um pouco, de fingir que estava tudo bem, e não estava. E, na verdade, ainda não está, estamos falando de um processo que se inicia. Eu já fiz uma coleção para uma marca de fast fashion, mas é diferente a gente trazer o all sizes para a passarela, que é onde a gente tem que estar. A mulher verdadeira, real tem que estar. É para todos. A moda é uma das maiores expressões artísticas que existe, e ela não pode ser rotulada. Não pode ser para um nicho ou para um número. Tem que ser para todos. E que venham outras marcas”.

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Preta musa, a gente te ama!

 

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#MeuCorpoDeVerão: O dia em que larguei a canga e usei biquíni sem medo

#MeuCorpoDeVerão: O dia em que larguei a canga e usei biquíni sem medo

Por muito tempo, eu dizia que odiava praia. Minha família tem casa no litoral e, mesmo assim, eu passava o verão na cidade, inventando todo tipo de desculpa para não ir um final de semana sequer. Primeiro foi o estágio, e depois o trabalho. Em casa, rolava algo parecido: a piscina que meus pais instalaram quando eu tinha uns oito anos passou de xodó da infância a vilã da adolescência. A vergonha do meu próprio corpo era maior do que a vontade de aproveitar os dias de calor.

#MeuCorpoDeVerão
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Enquanto escrevo esse texto, me flagro lembrando de todos aqueles momentos em que neguei a mim mesma o direito de ser feliz sem perceber. Preferia chamar minha amiga de adolescência a passar as tardes das nossas férias de colégio no ar-condicionado do shopping vendo vitrines a convidá-la para uma tarde na piscina comigo. Neguei convites da tia para passar um feriadão em Florianópolis, e ficava sentada todos os dias na beira da piscina, de legging e camiseta preta, enquanto meus pais e meu irmão brincavam na água. Logo eu, que sempre fui empolgada para tudo, que adorava uma junção ou um programa diferente, fingia que não estava a fim de nada se precisasse vestir um biquíni. Ou uma blusa de alcinha. Ou uma saia mais curta. Eu, que sempre fui desencanada e “tô nem aí” para tanta coisa na vida, deixava que os outros me dissessem como eu deveria ser e o que podia vestir. Ou o que não podia.

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A ficha começou a cair não faz muito tempo. Há uns três verões, minha mãe resolveu passar uns dias em Santa Catarina. Eu já tinha marcado minhas férias para janeiro, não tinha como escapar. Enquanto arrumava a mala, comecei a sofrer por antecipação. “Logo Santa, com aquele monte de gente malhada, o que eu vou fazer?”. Na dúvida, coloquei mais um short e tudo o que lembrasse canga na bagagem. Já há algum tempo, acompanhava com afinco tudo o que duas blogueiras que vocês leram nas páginas anteriores diziam: a Ju Romano e a Nuta. Durante a viagem de seis horas de carro, fui matutando: “Se a Ju veste biquíni, por que eu não tenho coragem? E se…”.

Dessa vez o “se” teve um final feliz. Minha personalidade 8 ou 80 finalmente foi útil quando decidi que, se era para botar biquíni, que botasse sem canga mesmo. Sem pensar duas vezes, me vesti e saí da pousada rumo à praia só de biquíni, com a tal canga levemente amarrada nos ombros para evitar o sol quente. Já na areia, qual foi a minha surpresa: ninguém me olhou. Ninguém reparou em todos aqueles problemas que eu encontrava toda vez que me via no espelho – e que hoje sei que são só características minhas.

A cada dia, uma nova amarra era deixada para trás: a vergonha de mostrar os braços gordinhos, a perna com celulite, o bumbum grande demais em uma saia justa. Hoje, sou a gorda abusada que usa saia lápis com cropped à la Kim Kardashian, paetês e brilho de dia se der vontade. Hoje, tenho que cuidar para não me vestir como se estivesse indo para uma festa toda manhã, porque não consigo negar mais nada a mim mesma. E se hoje transbordo, é porque um dia tive a inspiração de mulheres incríveis que me disseram: “Vai lá e seja quem você é sem medo”. É isso que desejo a todas as Thamires que existem por aí: não percam mais nem um dia se escondendo de vocês mesmas. Nada é tão incrível como se sentir bem na própria pele. Então, por que não?

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Modelos plus size desfilam na SPFW e comemoram: “As pessoas precisam saber que o gordo existe”

Modelos plus size desfilam na SPFW e comemoram: “As pessoas precisam saber que o gordo existe”

De todos os desfiles que já acompanhei – de longe, pelo computador, ou nas temporadas cobrindo a SPFW para a Revista Donna –, nunca me senti tão parte daquele mundo como na noite deste segunda-feira. Já me emocionei com nomes como Isabela Capeto, Ronaldo Fraga e Lino Villaventura, desejei tudo o que Alexandre Herchcovitch criou e suspirei com o frescor da Cotton Project, mas nada se compara ao sentimento de ver alguém com um corpo parecido com o seu cruzando a passarela. E foi isso que aconteceu no desfile da LAB, que entra para a história da fashion week paulistana como o desfile mais cheio de representatividade REAL que tive o prazer de assistir.

Teve (muitos) negros, teve gorda e teve gordo. Aliás, teve mais de um. Teve gente que foge aos padrões da passarela e, no fim das contas, representa quem a gente vê nas ruas todos os dias. Teve gente de verdade, que consome tanta moda quanto qualquer outra pessoa – e só não consome mais, muitas vezes, porque as marcas lhes negam isso ao oferecer numeração até o 44.

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Na noite desta segunda, quem cruzou a passarela foi a modelo Bia Gremion: 19 anos, manequim 60, 140 kg. A maior modelo a atravessar do backstage ao pit de fotógrafos, e que me fez lacrimejar e borrar todo o delineador. Sim, isso mesmo: Bia foi a modelo mais gorda da história da SPFW, e tê-la lá é mais um passo para dar poder, voz e visibilidade a todas as gordas desse Brasil. E aos gordos também: junto com ela, estava Akeen Kimbo, modelo masculino plus size. Teve também a Ellen Oléria (foto à direita na montagem acima), dona de um vozeirão que a tornou campeã do The Voice – e um mulherão cheio de curvas.

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Poucas horas antes do desfile, cruzei com Bia e Akeen no backstage da SPFW. Eles me contaram que participaram de um casting cheio de “modelos padrão”. Ficaram tímidos, de cantinho: mal sabiam eles que seriam alguns dos protagonistas do desfile mais cheio de representatividade da semana de moda paulista.

“Além das perspectivas para a minha carreira, tenho perspectivas para as pessoas gordas circularem mais nesse meio. Pessoas gordas existem e elas consumem moda. Eu amo moda, ele (Akeen Kimbo, ao lado) ama moda, então a gente precisa circular nesses lugares sim”, me disse Bia.

“As pessoas precisam saber que o gordo existe. Em um país que mais de 60% das pessoas estão acima do peso, não dá para fazer marca só para magras. Tem que viabilizar a gente também”, completou Akeen.

Não pode ser mais verdade. Não faz sentido que as marcas fechem os olhos para a maioria da população, que veste e compra tanto quanto a minoria que usa até 44. Se não para ser justo e fazer roupa para todos os clientes, que seja pelo poder financeiro: será que elas sabem quanta grana estão perdendo?

Eu sou apaixonada por moda desde que conheço por gente, mas acho que a moda, de fato, nunca amou quem eu sou e o que represento. Nunca quis me vestir, nunca quis mostrar um corpo como o meu na passarela. Ignorou por muitos anos e renegou a araras escondidas as peças em que eu poderia caber. Insistente que sou, sempre rodei lojas e lojas pra talvez achar um vestidinho, que “era pra ser soltinho, mas em mim tá justo e como serviu, coloco uma jaquetinha por cima e resolvo”. Eu ouvi piadas de vendedoras, me espremi em roupas para tentar ser parte daquilo, chorei em muito provador. Mas, agora, foi a vez de chorar por ver na passarela uma guria gorda e linda ali, ao lado de gurias magras e lindas, ambas em pé de igualdade. Finalmente, me senti parte daquilo. E que seja apenas o primeiro de muitos desfiles com gordas, gordos e muitos modelos negros no casting, na passarela e na moda.

“É básico, é roupa, é moda. As pessoas gostam disso, é uma forma de se expressar. É um marco”, resume Bia – e não posso concordar mais.

Obrigada Emicida, obrigada Evandro Fióti, obrigada João Pimenta. Obrigada Laboratório Fantasma. Finalmente, obrigada, SPFW.

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