Por que Anitta dizer que vai parar de fazer dieta e “virar” plus size é tão sem noção

Por que Anitta dizer que vai parar de fazer dieta e “virar” plus size é tão sem noção

Anitta virou a rainha do pop nacional, não dá para discordar. Mas, goste você ou não do trabalho da poderosa – e, vale frisar, faço parte do time que não perde um show da cantora por aqui –, não dá para ignorar que ela dá umas escorregadas feias.

Às vezes, nem quem te ama consegue te defender, amiga.

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A mais recente foi um dia desses, quando Anitta disse que ia “virar plus size” porque não queria mais fazer dieta. Foi além: em vídeos postados nos Stories de seu Instagram, ainda encenou o jeito que, na visão dela, uma pessoa gorda anda e fala – de um jeito escancaradamente debochado. Quer mais? Ainda completou dizendo que, se ganhasse muitos quilos, a imprensa nem a reconheceria mais. Pois é.

Anitta, nem sei por onde começar, sabe? Mas senta que a gente precisa conversar. Como alguém que acompanha sua evolução desde Show das  Poderosas, me reservo o direito de explicar, tim-tim por tim-tim, por que você deu uma mancada das grandes.

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Já de largada, não diga que vai “virar plus size” porque não quer mais fazer dieta. Você pode não se dar conta, mas essa brincadeirinha aparentemente inocente minimiza toda uma parcela das mulheres – a maioria das brasileiras, aliás –, que fica reduzida a pessoas preguiçosas que não querem fazer dieta. O velho estereótipo da gorda comilona e preguiçosa, que ninguém atura mais. Não sei se você sabe, mas muita gente não é gorda porque quer ou porque foge do regime, sabia? Não dá mais para fazer essa ligação entre magra e saudável-rainha-do-brócolis x gorda e comedora-compulsiva-de-fast-food. Ah! E não custa lembrar que existe muita gorda para lá de saudável, que tem uma alimentação mais regrada do que muita musa fitness por aí. Outro detalhe: mesmo que você fique sem dieta até o Carnaval, como falou no vídeo, eu duvido DE VERDADE que você vá ganhar 40 quilos e usar 46 – que é onde começa o manequim plus size.

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Sinceramente? Não acho, mesmo, que a Anitta seja preconceituosa conscientemente com pessoas gordas. Basta ver que a cantora convidou uma bailarina plus size para dançar ao lado dela no clipe de Paradinha. Logo depois, contratou outras duas bailarinas gordas para seu corpo de baile: as musas Tatiana Lima e Thaís Carla (na foto abaixo). Mas justamente por ter tocado no ponto da representatividade é que ela precisa se dar (ainda mais) conta do impacto de suas palavras.

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Como bem disse a sábia amiga de timeline Flávia Durante, não dá para cobrar militância de artista pop. Só que também não dá para ignorar a influência que pessoas como Anitta têm na vida dos jovens – incluindo meninas e mulheres com a autoestima em formação. Pensa só: Anitta tem mais de 23 milhões de seguidores, que acompanham diariamente suas postagens no Instagram. Primeiro, esse povo todo liga a TV e depara com a cantora rebolando ao lado de bailarinas gordas. Lindo e inclusivo. Só que, depois, veem a mesma Anitta fazendo brincadeiras nada simpáticas sobre o “jeito” que uma pessoa gorda anda, além de dizer que ficaria irreconhecível com quilos a mais. Incoerência, no mínimo, né? Sem contar que esse tipo de piada sem graça pode virar motivo para muita gente que têm problemas com o próprio corpo detestar ainda mais a imagem refletida no espelho.

É por isso que o espaço especial que esta coluna ocupa aqui em Donna fica reservado a um pedido de reflexão: não custa a gente pensar no que fala, né? Pode não ser por mal, pode não ser por preconceito escancarado – ainda que, talvez, reflita alguma insegurança interna que temos. Mas a gente precisa pensar nos efeitos que as nossas palavras ou brincadeiras podem ter para quem nos ouve. E isso não é mimimi ou patrulha do politicamente correto, é apenas empatia com o próximo. Ainda mais quando este tal próximo é adolescente, cheio de inseguranças com a própria imagem. Anitta pode (e, acredito eu, deve) ter falado de brincadeira, mas fica a lição: não dá para ignorar os reflexos do que a gente diz.

Para pensar, poderosa(s)!

 

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Entrevista! Alexandre Herchcovitch fala sobre coleção para plus size: “Elas querem roupa justa e tendência, só que em tamanho maior”

Entrevista! Alexandre Herchcovitch fala sobre coleção para plus size: “Elas querem roupa justa e tendência, só que em tamanho maior”

Não há dúvida que o mercado plus size vem evoluindo. A passos ainda curtos, é verdade, mas é fato que mais e mais marcas do segmento estão, finalmente, dando ouvidos às necessidades do público GG. Havia, porém, uma grande dívida do mundo fashion com as garotas curvilíneas: nenhum estilista nacional de peso havia criado uma coleção para quem veste mais do que 46. Até agora.

Um dos maiores criadores do Brasil, Alexandre Herchcovitch acaba de assinar sua primeira linha plus size – como a gente adiantou aqui no blog. Resultado de uma parceria com a Elegance All Curves, marca de Santa Catarina, a coleção chega às lojas em novembro e vem recheadíssima. São 45 peças com opções que vão do dia à noite: de moletom a vestido de festa, Herchcovitch propõe um guarda-roupa completo, repleto de alfaiataria e brilho. Vai além: pelos spoilers que já conferimos, traz vestidos ajustados, paetês, cores e estampas. Tudo o que uma mulher que gosta de moda e tendências pensaria em usar, seja ela gordinha ou não.

Direto do Insta da Elegance, espia algumas das peças da coleção:

 

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Durante sua passagem por Porto Alegre neste mês como um dos convidados do evento de moda Party at the Mall, do BarraShoppingSul, o estilista conversou com exclusividade com Donna sobre sua estreia com modelagens plus.

– Fiquei muito feliz em fazer. Achei a iniciativa de me convidarem muito visionária – conta. – As vendas estão indo superbem. A coleção foi muito bem aceita, e é uma grande novidade.

A seguir, veja os melhores momentos do papo com Herchcovitch sobre a coleção e o mercado plus size.

Qual a importância de um estilista como você assinar uma linha plus size?
O mercado de tamanhos maiores ficou esquecido por muito tempo, e as pessoas tendo de se virar com o que tinham. Muita coisa sem estilo definido. As pessoas sem poder se expressar através da roupa, ou usar a roupa que queriam… Eu sei exatamente o que é. Quando eu era adolescente, tinha problemas não com tamanhos, mas não encontrava o que eu queria. Então comecei a fazer. Foi um marco. Outras empresas plus size vão correr atrás para trazer novidades. Outros estilistas que, de repente, nunca pensaram em fazer (linhas plus size) ou nunca quiseram podem fazer. Porque você se aventura em um mercado que não domina. Quem tem a ganhar é o consumidor.

E como está a repercussão?
Demais, demais! As pessoas me escrevem, me mandam mensagens: “Só podia ser você o primeiro a assinar”. As pessoas estão muito felizes! Eu adorei. Espero que continue com outras coleções.

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Alexandre com a modelo francesa Clémentine Desseaux, que veste um dos modelos da coleção. Detalhe bacana: a campanha foi clicada aqui no Estado, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves

Alexandre com a modelo francesa Clémentine Desseaux, que veste um dos modelos da coleção. Detalhe bacana: a campanha foi clicada aqui no Estado, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves

E o que você pode contar da linha?
É uma linha que tem desde jeans até roupa de festa. Tem camiseta, moletom, calça, macacão, body, tem tudo! Roupa para o dia a dia, festa, longos, curtos… É um guarda-roupa bem completo. Hoje falei com um dos diretores e ele me disse que as lojas estão comprando a linha inteira. Eles ficaram muito surpresos com a minha interpretação. Não tem uma referência, um tema. São clássicos que eu gosto. Tem muita alfaiataria, inspiração em smoking. Roupas muito chiques para a mulher.

Como foi para você criar para a mulher plus size?
Foi a mesma coisa! Eu não pensei de modo diferente, pensei da mesma maneira. Existem algumas questões técnicas que são as ampliações dos tamanhos e as proporções, que eu fui aprendendo e entendo o que o mercado gosta. Muita gente pensa que a mulher plus size quer usar roupa larga para esconder. Mas é ao contrário, ela quer usar roupa justa, a mesma roupa (que as mulheres de manequins menores), mostrar que está tudo bem com o corpo dela e com ela mesma. Não teve uma grande mudança na minha maneira de pensar. Eu pensei no público mesmo.

E existe alguma possibilidade de, na À La Garçonne, por exemplo, vocês trazerem tamanhos maiores?
É possível. Mas hoje temos muitas coisas oversized na ALG, que cabem em qualquer pessoa. Fica largo em mim, que sou tamanho 52, 54. Nossa numeração é bem estendida, vai até XXL e ainda fica bem largo. Então não é que privilegie a todos, tem do XP até XXL. Mas eu sei que plus size é mais específico, porque são tamanhos bem maiores do que isso que estou falando… Até mais de 60. Quem sabe a gente pode se enveredar?

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E você vê para o futuro uma possibilidade de não existir mais marcas plus size, e sim que as marcas de moda contemplem todos os tamanhos?
Lá na convenção, perguntaram o que eu achava da mudança do nome da Elegance de Plus Size para All Curves. Acho maravilhoso, mas esse nome é só uma transição. Meu sonho é que a marca Elegance não precise ter uma denominação que diga que ela é plus size, e que seja simplesmente a marca Elegance. Que quebre as barreiras de denominação, com roupa para tal tamanho ou gênero. Para mim, o All Curves é só um nome passageiro. O ideal é que a gente não tenha que explicar.

E essa não nominação pode ser algo para o resto do mercado?
O que eu acho, no geral, é que o mercado plus size vai ganhar muito com isso. Tanto o consumidor quanto as próprias marcas, que não sabem que as mulheres (maiores) querem se vestir também. Eles têm uma ideia de que precisa ser algo muito diferente do que as mulheres que não são plus size, mas não é. É a mesma coisa, mas precisa ser maior. Ela quer também a tendência, só precisa fazer um pouquinho maior. Só isso.

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Para tudo! Anitta apresenta suas novas bailarinas plus size

Para tudo! Anitta apresenta suas novas bailarinas plus size

No ano passado, Anitta fez a alegria da gordolândia quando chamou dançarinas plus size para a sua apresentação no Criança Esperança (relembre aqui!). Nem preciso dizer que foi incrível ver um monte de mulheres gordas incríveis dançando no palco ao lado da, sim, rainha do pop do Brasil, né?

Quem assistiu ao videoclipe de Paradinha, novo sucesso da cantora, viu que Anitta também deu vez a uma bailarina plus: a porto-riquenha Letticia Camacho rebolou até não querer mais ao lado de uma das dançarinas oficiais de Anitta, Arielle Macedo.

dançarijnaplusanittaOlha a Letticia aí! Aqui tá o clipe completo!

Pois bem, depois de todos esses pequenos passos, eis a boa nova: nesta segunda-feira, Anitta dançou pela primeira vez ao lado de suas novas bailarinas. Siiim, duas gatas plus size! Elas são Thais Carla e Tatiana Lima, e dançaram ao lado de Anitta e de suas duas bailarinas principais em uma gravação para o programa Caldeirão do Huck. As gurias estrearam, claro, ao som de Paradinha e de hits como Sim ou Não e Bang.

Em entrevista ao GShow, Tatiana, que é professora de educação física, comemorou a novidade:

“Estou curtindo muito a experiência de dançar ao grande público, pois desde muito pequena a dança sempre foi uma paixão pra mim. Enfim, tudo que envolve a arte me fascina, motiva e esse desafio está sendo fantástico”, contou. “A estreia foi hoje e foi muito gratificante estar no palco e me apresentar no programa do Huck”.

Achou o rosto de Thais familiar? A moça foi a vencedora do quadro Se Vira nos 30, do Domingão do Faustão, e já havia dançado com Anitta no Criança Esperança.

Aqui dá para dar uma espiada na apresentação, que vai ao ar no Caldeirão!

Bastidores da gravação para o Caldeirão do Buck. #SimOuNão #Anitta

Uma publicação compartilhada por Central Anitta (@centralanittabr) em


O que achamos? Eu amei a ideia de ter bailarinas plus, principalmente ao lado de uma cantora com a popularidade e o alcance da Anitta. Isso só reforça que a mulher gorda pode dançar SIM, pode ser saudável SIM. Que pode fazer tudo o que qualquer outra faz. E outra: quantas cantoras pop tem bailarinas gordas, hein? Achei um baita acerto da Anitta em promover a inclusão e a diversidade. Fora que as gurias dançam muito! Tô orgulhosa, gatas! <3

Só um porém: não curti o figurino delas. Não sei se será algo permanente, mas me incomodou as dançarinas plus estarem de calça e blusa fechada enquanto as dançarinas magras estão de top e meia arrastão. Não sei se foi uma escolha delas, mas me incomodou real. Se rolarem outras apresentações com elas – e, pelo que entendi, vão rolar sim -, vale usar o mesmo figurino, ou pelo menos uma variação que não faça as gurias plus destoarem. No mais, tá lindo! Ansiosa pra ver!

5 razões para assistir “Gostosas, Lindas e Sexies”, longa que estreia com quatro protagonistas plus size

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Se você costuma se render aos blockbusters americanos, pode até já ter deparado com uma ou outra atriz gordinha em papel de certo destaque – Rebel Wilson, de Como Ser Solteira, que o diga. E talvez esteja exatamente este o grande trunfo de Gostosas, Lindas e Sexies, longa brasileiro que acaba de entrar em cartaz e traz, como protagonistas, quatro mulheres plus size que fogem completamente ao padrão do que estamos (infelizmente) acostumados a ver de garotas GG nas telas.

Elas não são cheias de complexos – não mais do que outras mulheres, pelo menos -, não passam o tempo todo falando de peso e são bem-sucedidas. Aqui, ao contrário da gordinha solteirona da novela que era rejeitada ou passava as cenas pensando em comida, o quarteto a la Sex and the City é bem resolvido, desejado e cheio de autoestima.

Assista ao trailer:

Mas dar representatividade às mulheres gordas na telona, como era de se esperar, não foi tão simples assim. Em entrevista à Donna por telefone, Cacau Protásio (a Terezinha do seriado Vai Que Cola), que vive a empresária Ivone, conta que o apoio do diretor Ernani Nunes e do roteirista Marcelo Braga foi fundamental para Gostosas, Lindas e Sexies chegar aos cinemas:

— Tivemos a sorte de ter duas pessoas que acreditaram que existem outros tipos de mulheres [além das magras, referência aos responsáveis pela direção e produção). Não tivemos muitos patrocinadores. Nem todo mundo acredita e quer bancar — afirma. —  Mas tenho certeza que o filme vai agradar muita gente. Para nós (falando sobre as mulheres plus) vai ser muito bom. Na minha época, não tinha uma referência de mulher negra e gorda famosa.

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Cacau Protásio vive Ivone

Mesmo com alguns tropeços – como a rivalidade gordas x magras sendo alimentada, além de episódios que ferem preceitos do feminismo por colocar uma mulher contra a outra -, Gostosas, Lindas e Sexies é garantia de risadas despretensiosas e, claro, inspiração principalmente para quem cresceu sem se ver representada na TV. Mais um passo contra os esteriótipos e padrões!

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Quer saber outros pontos positivos do longa? A gente lista abaixo:

Manequim e peso é só um número pra elas – xô, obsessão! 

Talvez esse tenha sido o ponto que mais me chamou a atenção. Não há surtos por causa do corpo, olhares em frente ao espelho analisando a barriga e nem julgamento do corpo das amigas. Ser gorda ou curvilínea, para elas, é apenas uma característica – como ser loira, ou encaracolada, ou alta. O mais bacana? Elas usam o termo mulherão com tanto gosto!

Lyv Ziese, que vive Tânia

Lyv Ziese, que vive Tânia

Mostra gordas felizes e bem resolvidas

Quando perguntei para Cacau sobre o porque de nunca termos tido uma vilã gorda na TV, por exemplo, a resposta dela acendeu uma luzinha: porque quando um diretor pensa em uma personagem de 40 anos bem sucedida, por exemplo, nunca liga o papel a uma mulher gorda? Porque a atriz gorda sempre precisa viver uma personagem em que o corpo vira parte da trama da personagem? Porque uma gorda não pode ser feliz e realizada e um exemplo de mulher na ficção?

— As pessoas precisam acordar e deixar de ser preconceituosas. Todo mundo deveria ter a mesma possibilidade. A mulher gorda tem tudo igual a todo mundo — sentencia.

E aqui é mais um aspecto em que o filme se destaca: as personagens são todas bem sucedidas, e isso não tem nada a ver com ser gordas. A personagem de Cacau, por exemplo, quebra mais um esteriótipo: Ivone é proprietária de uma rede de salões de beleza. Quantas negras e gordas que se deram bem na vida você lembra de ter visto na ficção, hein?

O figurino é de babar!

Nada de esconder o corpo ou fugir de decotes, transparência e roupas justinhas. Elas usam tudo ao mesmo tempo agora, e de um jeito que a gente fica doida para ficar amiga das personagens e compartilhar o closet.

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Bia, personagem de Carolinie Figueiredo

Tem gorda de vestido curtinho, lingerie sexy, saia colada e, claro, muito brilho. Cacau, que aparece em uma das cenas com uma peça de paetês, conta que também amou o figurino, assinado por Nicole Nativa:

— Não tem porque ficar disfarçando o corpo. Se você é gorda, já sabe como é. Eu me sentia grande (de paetês), mas me sentia linda — conta.

thumbnail__AA_7432_fotoAlineArruda

 

Em GLS, gordas transam!

Sim, essa informação pode até chocar alguns preconceituosos de plantão, mas mulheres gordas transam como qualquer outra. A diferença é que gorda com tesão nunca aparece nas novelas e nos cinemas… até agora. A personagem de Mariana Xavier, Marilú, se destaca nesse quesito por lembrar a vibe viciada em sexo de Samantha, de SATC: a professora de inglês, inclusive, transa com um aluno durante a trama. Mas todas aqui tem vida sexual (bem ativa)! Bia, personagem de Carolinie Figueiredo, é uma jornalista que se divide entre o namorido (personagem de André Bankoff) e um affair com um fotógrafo argentino. Tânia (Lyv Ziese) pode até ter uma desilusão daquelas com o marido, mas acaba encontrando outras aventuras ao longo da trama (alerta quase spoiler!). Já Ivone, de Cacau Protásio, é mãe solteira de dois adolescentes e está em busca de um amor – a trama é meio torta para a personagem, mas a surpresa é boa.

—  Gordas tem vontades como qualquer outra mulher —  resume Cacau durante nosso papo.

Marilú, personagem de Mari Xavier

Marilú, personagem de Mari Xavier

 

É uma lição de autoestima

Só de ver as quatro personagens felizes e de bem com sua própria imagem, a gente (principalmente nós, gordinhas!) saímos do cinema com um sorriso no rosto. Mas tem uma cena do filme que me marcou, e que faz muito sentido quando a gente lembra daquelas situações da vida real em que você está feliz com o que vê no espelho, mas os outros querem te fazer acreditar que você está errada. Na trama, Bia é repórter de uma revista sobre alimentação saudável (porque, sim, gorda pode ser saudável, viu?). Ela enfrenta os deboches diários de duas colegas de trabalho – bem caricatas por sinal, e que fazem o papel da magra que debocha da gorda. Afora a rivalidade desnecessária gordas x magras, é uma conversa com a editora (uma mulher cinquentona, com tudo em cima, vivida por Eliane Giardini) que chama a atenção. A personagem inclusive chega a dizer a Bia que ela devia se inspirar nas reportagens que faz para perder uns quilinhos – e é quando ouve uma resposta daquelas:

—  Me sinto muito bem com o meu corpo, e isso nunca foi problema para mim —  dispara Bia.

 

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Por que precisamos falar sobre a gordofobia contra a Miss Canadá

Por que precisamos falar sobre a gordofobia contra a Miss Canadá

Siera Bearchell era uma das 85 belas mulheres que competiam pela faixa de Miss Universo na noite deste domingo (29). Estudante de Direito, empresária e atleta, a jovem de 23 anos já havia sido eleita a mulher mais bonita de seu país, o Canadá. Preenchia todos os requisitos para estar no concurso, realizado nas Filipinas, assim como as outras 84 concorrentes – tanto que passou por duas fases, e ficou entre as nove finalistas da noite. Ainda assim, a Miss Canadá foi vítima de gordofobia.

Durante a transmissão do concurso pela BandTV, dois apresentadores fizeram comentários que sintetizam o quanto os padrões de beleza ainda estão enraizados. Desde que a competição começou, o stylist Raphael Mendonça “estranhava” a presença da moça entre as concorrentes por ela ser “cheinha”.

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Vamos recapitular:

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O stylist declarou que Siera não tinha “corpo de miss”. Já o ator Cássio Reis, coapresentador do evento na Band, foi além: insinuou que a Miss Canadá estaria no concurso para “cumprir cotas”.

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Faz algum sentido para vocês? Porque, sinceramente, para mim não – e, felizmente, para boa parte de quem se manifestou contra pelas redes sociais.

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Raphael e Cássio reproduziram em cadeia nacional a cobrança que as mulheres sofrem diariamente para estar dentro dos padrões. Estereotiparam o que deveria ser o “corpo de miss” e julgaram inadequada uma candidata que cumpria todos os requisitos para estar dentro do Miss Universo.

Mais: chamaram de “cheinha” uma mulher que não deve ter mais do que 60 e poucos quilos, SE tiver. Sabe o quão nocivo é esse tipo de comentário? O quanto chamar uma mulher magra (sim, MAGRA) de cheinha alimenta preconceitos e incentiva padrões irreais? O quanto afunila ainda mais o conceito de beleza e faz uma mulher de 60 quilos entrar em paranoia por causa do peso? E o quanto isso pode influenciar a autoestima de tantas e tantas gurias que estão acompanhando?

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Pode não parecer – já que estamos falando de uma miss –, mas trata-se de um caso típico de gordofobia. É esse tipo de comentário que deixa as mulheres magras cada vez mais reféns da balança, já que qualquer centímetro a mais no abdômen a torna “cheinha” aos olhos da sociedade. E é também o que aumenta cada vez mais o abismo que existe entre mulheres curvilíneas, gordinhas, gordas e obesas.

Siera, de fato, tem um pouco mais de peito, bumbum e coxa do que as demais candidatas, e, ainda assim, é uma mulher linda, que merecia o título quanto qualquer outra candidata – porque ela passou por todas as eliminatórias. E, ainda que ela tivesse barriguinha (que não tem), celulite ou estrias, o que isso a impediria de ser eleita a mais bonita do mundo? Por que a mais bonita precisa ser uma mulher com o mesmo biotipo sempre? Já parou para pensar o que convencionamos ser corpo de Miss? Até quando a gente vai aplaudir essa idealização nada saudável do que é um corpo perfeito?


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Mas, infelizmente, passa longe de ser a primeira vez que Siera ouve esse tipo de comentário sobre seu corpo. Em seu Instagram, a Miss Canadá relembrou uma das primeiras ocasiões em que foi considerada “diferente” dentre as candidatas:

Como eu me sinto sendo tão maior que as outras concorrentes?’ Um jornalista acabou de me perguntar isso durante uma conferência. Eu quase fiquei sem palavras.

E a resposta dela foi apenas incrível – e, como diria minha vó, um “tapa de luva de pelica” na cara dos comentários gordofóbicos da noite deste domingo:

Eu pensei: ‘Como eu me sinto sendo eu mesma? Como eu me sinto por ser confiante comigo mesma? Como eu me sinto realizando meu sonho de representar o Canadá no palco do Miss Universo? Como eu me sinto sendo um exemplo para tantas jovens mulheres que têm dificuldades de encontrar alguém para admirar? Como eu me sinto redefinindo a beleza?’. Minha resposta: Me sinto ótima.

Para encerrar, Siera ainda falou sobre a polêmica com seu corpo com Ashley Graham, modelo considerada curvy que conquistou os holofotes – e é uma das musas aqui do Um Plus A Mais. Olha só:

“Você tem que descobrir o que você ama em você, e não o que podemos mudar em nós mesmas”.

A gente só tem uma coisa para te dizer, Siera:

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