Gorda nas telonas sim! Heroína plus size dos quadrinhos vai ganhar um filme

Gorda nas telonas sim! Heroína plus size dos quadrinhos vai ganhar um filme

A gente bem sabe que protagonista gorda é raridade na ficção, não é? Que não traga o tema “corpo” como foco central de sua trama, então, só aparece em ano bissexto. É por isso que é tão bacana compartilhar uma novidade como essa: a heroína plus size das HQs Faith “Zephyr” Herbert deve ganhar um filme em Hollywood. Siiim!

Segundo o site especializado Deadline, o longa será produzido pelos estúdios Sony, enquanto o roteiro ficará a cargo de Maria Melnik, roteirista da série Deusas Americanas. Ainda não há data prevista para lançamento.

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Criada em 1992 pelos quadrinistas Jim Shooter e David Lapham, Faith é protagonista de uma série publicada pela editora Valiant Comics. E olha só que demais: a personagem tem poderes telecinéticos e capacidade de voar (chorem nessa gorda voando, haters!). O que eu amei muito também? A supergirl é uma fã de cultura pop, e adora séries, filmes sci-fi e quadrinhos. Ah, e a Faith é jornalista. Quem também já quer ser amiga dela?

Agora, a dúvida: quem será que vai viver a heroína, hein? Pelos cabelos loiros – e, claro, pela escassez de atrizes gordas no mainstream -, meu palpite é Rebel Wilson. Gosto bastante dela, mas confesso que tenho um pouco de receio porque a Rebel já fez papéis que não mostram a mulher gorda como qualquer outra, sabe? Outra opção (maravilhosa!) seria a Melissa McCarthy, que está brilhando muito nas telonas. Mas seria incrível também ver outra atriz gorda ganhando espaço, né? Na torcida!

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Absurdo! App para emagrecer fotos manipula imagem de Tess Holliday, que se manifesta: “Achar que é OK vender isso é chocante”

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Não é novidade para ninguém que muita gente usa aplicativos – ou Photoshop! – para parecer mais magra em fotos nas redes sociais, né? Afinam rosto, diminuem o nariz, alongam o próprio corpo em níveis que, muitas vezes, fica evidente e até tosco quando você olha com atenção: a paisagem de fundo “torta” pela manipulação digital, muitas vezes, não deixa a mentira vingar. E por que, hein? Distúrbios de autoimagem, não há dúvidas. Pressão estética, essa antiga conhecida nossa. Vai além.

Motivos que culminam na tentativa de seguir os velhos padrões de beleza não faltam, e não estou aqui para julgar, mesmo. Se alguém está feliz parecendo mais magra no Instagram – ainda que quem a vê na vida real saiba que aquele corpo é irreal -, o problema só pertence a essa pessoa. Mas o que não dá para tolerar é usar a imagem de uma mulher gorda e bem-resolvida como “exemplo” de antes e depois nesse tipo de aplicativo. E foi exatamente o que rolou com Tess Holliday, uma das modelos plus size mais famosas do mundo.

Tess, maravilhosa & plena!

Em seu perfil no Instagram, a top de 32 anos denunciou o app Pip Camera, que usou sua imagem sem autorização para mostrar os “efeitos” do programa de edição de imagens. Irritada – com toda a razão, Tess ameaçou processar os proprietários do negócio. Além das fotos de Tess, o Pip Camera ainda mostra o “antes e depois” de outras duas modelos plus size – e não dá para duvidar que tenham sido usadas também sem autorização. Afinal, se faltou noção e bom senso para colocar a imagem de uma das modelos gordas mais conhecidas, né?

“O fato de alguém achar que é OK vender isso para uma pessoa é chocante. Em um mundo de conteúdos pagos e reguladores de alimentos, é importante para mim dizer a todos que jamais serei parceira de uma marca ou estrelar qualquer conteúdo pago a menos que eu realmente fosse recomendá-la para a minha melhor amiga. (…) Eu já recebi ofertas de muito dinheiro para vender todo tipo de coisa, de clareadores dentais que não funcionam a emagrecedores perigoso, mas cabe a mim encontrar quem quero anunciar”, garante Tess. E, acompanhando a modelo, para lá de engajada, a gente bem sabe que é verdade.

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Além do esclarecimento, Tess ainda fez questão de explicar porque esse tipo de aplicativo, no fim, só reforça modelos de beleza e não contribui em nada com a autoestima:

“Você é o suficiente, você merece amor pelo corpo que tem, seja lá como for o seu corpo”, escreveu Tess.

An app that has nearly 50k downloads was dumb enough to steal photos of myself & two other plus size women & use them for this nonsense.🙄 I’m sharing this because I wanna address a few things. First of all, the fact that anyone thinks it’s ok to market this to ANYONE is appalling, but like, come on y’all 🤦🏻‍♀️ Secondly, why is @instagram not regulating the sponsored content like this? In a world of paid content, flat tummy teas, appetite suppressing lollipops (so many 🙄) its important for me to tell y’all that I have & will never partner with a brand or do paid content unless I genuinely use it or would recommend it to my best friend. I’ve been offered crazy amounts of money to sell y’all all kinds of things like teeth whitening (that doesn’t work), weight loss products (that are dangerous), etc., but that’s me- to each their own 💁🏻‍♀️ Lastly never let anyone make you feel like you need to alter your appearance or who you are. You are enough. You are worthy of love in your current body, whatever that body looks like. As for this bogus app, my lawyers will be sliding in your DM’s boo✌🏻#effyourbeautystandards

Uma publicação compartilhada por T E S S 🔥 (@tessholliday) em

 

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Por que as pessoas se importam TANTO com os pelos da Bruna Linzmeyer?

Por que as pessoas se importam TANTO com os pelos da Bruna Linzmeyer?

Bruna Linzmeyer é, sem dúvidas, uma das atrizes mais promissoras de sua geração. Foi indicada várias vezes a prêmios como o Contigo! de TV e o Melhores do Ano, do Faustão, por produções como a novela Amor à Vida, Meu Pedacinho de Chão e A Regra do Jogo. No momento, inclusive, está entre as indicadas como Melhor Atriz no Prêmio Platino pelo longa O Filme da Minha Vida, que estrelou ao lado de Selton Mello. Um currículo invejável para uma guria de 25 anos, mas as pessoas estão falando é dos pelos da Bruna. Pois é.

Nesta segunda-feira, a atriz compartilhou em seu Instagram uma foto em que aparece de biquíni, clique que integra um ensaio assinado pelo fotógrafo Gleeson Paulino. Na pose, Bruna está com os braços levantados – e deixa à mostra seus pelos da axila. Gleeson também compartilhou em seu perfil uma foto da sessão, em que ficam (levemente) à vista os pelos pubianos da atriz. Nem preciso dizer para vocês que essas imagens geraram uma onda absurda de comentários sobre os pelos da atriz.

 

Para constar: estamos em pleno 2018. Nunca discutimos tanto os direitos das mulheres: falamos sobre body positive em capas de revista, equidade salarial em pleno Oscar, representatividade feminina no Festival de Cinema de Cannes. A igualdade e o direito às próprias escolhas são traduzidos na nova onda do feminismo, que ganhou proporções absurdas nas redes sociais. As mulheres – e tudo o que elas deveriam poder fazer – nunca estiveram tão em pauta, mas, mesmo assim, as pessoas se preocupam é com os pelos pubianos e das axilas de uma atriz.

Só consigo pensar que todo esse choque dos seguidores de Bruna – muitos do sexo feminino, vale lembrar – tem a ver com a construção social da mulher perfeita. Da imagem imaculada que ainda esperam de nós. Aos olhos de muitos, precisamos ser sempre femininas (outro conceito construído, vale lembrar). Devemos arrancar cada fio das pernas, virilha e axila a cada duas semanas, estar com os cabelos perfeitamente alinhados sempre, as unhas pintadas. E se ousamos sair fora desse padrão? Não seremos desejadas. Ou vamos ser taxadas de desleixadas, sujas – como muita gente se referiu a Bruna por não se depilar. Ora, você já disse a um homem que ele é feio por que não vai a um designer de sobrancelhas? Ou que ele não cuida da própria higiene por que não depila o corpo inteiro? Óbvio que não.

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Não dá para aceitar também que as pessoas vinculem os pelos à falta de higiene. Há dois anos, fiz uma matéria para a Revista Donna sobre a não depilação, e consultei a dermatologista Juliana Jordão para explicar se a região com pelos fica mais sujeita a odores. A resposta? Até pode haver mais umidade sim, mas isso acontece com quem tem tendência genética a sudorese excessiva, inclusive se a pessoa se depila regularmente. Não são os entendidos de internet falando, viu? É uma médica. Ou seja, esse argumento furado não cola mais.

O que sobra, no fim das contas? Os intrometidos que adoram dar pitaco sobre o corpo do outro. Fala sério: no que afeta a vida de alguém se a Bruna se depila ou não? E por que as pessoas se sentem no direito de entrar no Instagram da guria e falar de uma opção sobre o corpo DELA que só diz respeito a ELA MESMA? Bruna está simplesmente exercendo o direito de ter o corpo que ela quiser – com ou sem pelos. E isso não diz respeito a ninguém. Ponto.

Você tem todo o direito de preferir suas axilas depiladas, e está tudo bem. O feminismo é sobre isso mesmo: deixar cada um escolher seus próprios caminhos e não ter suas opções julgadas. Mas, se você acha feio – direito seu! -, guarde sua opinião. Livre expressão é diferente de ofender de graça. Não esqueça que o próximo alvo dos pitacos alheios pode ser qualquer uma de nós.

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Oi? Depois de dizer que Adele é “gorda demais”, Karl Lagerfeld anuncia coleção plus size

Oi? Depois de dizer que Adele é “gorda demais”, Karl Lagerfeld anuncia coleção plus size

Quem tem muita gente surfando na onda do body positive, nós já nos demos conta. Há marcas que genuinamente se atentaram à necessidade de ser mais plurais, mas há outras que, francamente, sabemos que é apenas por estratégia e pressão do público – e, claro, por grana.

Não tenho nem um pingo de pudor de dizer que o segundo cenário tem tudo a ver com a novidade da vez no mundo da moda. Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel desde 1983 e da sua etiqueta própria há 44 anos, resolveu finalmente criar uma coleção para as mulheres gordas. Pois é.

Trata-se de uma parceria com o serviço de styling pessoal online Stitch Fix. A linha começa com 15 peças pensadas para mulheres mais clássicas, incluindo os tradicionais blazers de tweed da maison francesa, tudo com preços entre 39 e 148 dólares. Ainda estão programados lançamentos para os próximos meses.

Veja um pouquinho da coleção

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Parece legal? Olha, em um primeiro momento até sim. Finalmente, um grande nome da Alta Costura está interessado em criar para a mulher gorda. Mas, aqui, o buraco é bem mais embaixo.

Estamos falando de Karl Lagerfeld, que também é um dos nomes mais controversos da moda. Especialmente no que diz respeito ao público plus size, a primeira coisa que lembrei ao ver a notícia foi da infeliz colocação do estilista sobre o corpo da cantora Adele – que dispensa comentários, não é? Para refrescar a memória: em 2012, ele foi convidado a eleger sua cantora favorita pelo jornal Metro de Paris. Na entrevista, disse que não “via graça” em Lana Del Rey, e complementou:

“Eu prefiro Adele ou Florence Welch (do Florence and the Machine). Como uma cantora moderna, Lana não é nada má. Mas a cantora do momento é Adele. Embora ela seja um pouco gorda demais, tem um rosto lindo e uma voz divina”, declarou.

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Não vou nem me ater à necessidade (que não existe) dele falar sobre o corpo de Adele quando o assunto era música. E nem que o próprio Karl já foi gordo também – em 2001, ele perdeu mais de 40 quilos. Até poderia lembrar que o Kaiser da moda, anos antes, havia dito que só as “mamães gordas” é que davam atenção à magreza das modelos. Mas não.

Vou apenas falar que essa tal coleção plus size assinada por Karl Lagerfeld não passa de oportunismo barato. Me parece que ele recebeu uma proposta financeira provavelmente bem gorda (sim, GORDA, a gente não tem pudor da palavra não, Karl!) e resolveu entrar na modinha. Agora que o papo envolve grana não somos gordas demais, né?

Me dá muita pena ver uma grife de prestígio criada por uma mulher transgressora como Coco Chanel estar nas mãos de um cara tão preconceituoso. Um criativo de mão cheia, que teve inúmeros méritos? Claro, não discordo. Mas a gente sabe que, hoje, em 2018, não basta ser um gênio se você é babaca. Sinceramente, não sei se as gordas que você tanto menosprezou vão comprar assim tão fácil suas ideias, Karl. Que sirva de exemplo.

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E a diversidade de corpos, hein? NENHUMA modelo gorda cruzou a passarela nesta SPFW – e por que isso é preocupante

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Eu sempre fui gorda. Quando era pequena, fofinha, e depois a adolescente gordinha. Hoje, adulta (jovem adulta! haha), sou gorda mesmo. E, ainda assim, sempre gostei de moda. Lá pelos meus 13, 14 anos, gostava mais era de roupa mesmo. Só que, como é comum a 99,9% das gordas brasileiras, tinha dificuldade de achar coisas bacanas. Foi aí que, com a minha melhor amiga de infância, a Mari, comecei a desenhar e mandar fazer tudo o que vestia em uma costureira da cidade. Descobri toda a magia dos panos e das linhas, e também pesquisava na internet (discada!) referências para o que eu iria mandar fazer. E foi então que meu flerte com a moda, de fato, começou. Aos trancos e barrancos desde sempre, já que ela nunca foi muito gentil comigo: sempre fiquei meio à margem, mas, insistente que sou, continuei ali, firme e forte.

Conheci estilistas que estão entre os meus preferidos até hoje, como Alexander McQueen, Jeremy  Scott, Olivier Rousteing, Marc Jacobs, Alexandre Herchcovitch, Alessandro Michele… E conheci também marcas que, de fato, criavam e vendiam roupas para o meu tamanho, a maioria idealizada por gurias também gordas, independentes, que estavam na mesma situação “órfãs fashion” do que eu. Esse mercado, ainda bem, só faz crescer, ainda que esteja longe de chegar para camadas mais populares de mulheres gordas. E aí começou o boom do body positive, com gordas na propaganda de maquiagem, nas capas de revistas, em editoriais… Confesso para vocês, isso me deu esperanças de que as coisas estavam mudando, ainda que a passos de formiguinha.

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Quando a LAB – aka Laboratório Fantasma -, marca de Emicida e Fióti, estreou na São Paulo Fashion Week com modelos gordos como a maravilhosa Bia Gremion e o muso Akeen Kimbo, meu coraçãozinho fashionista se aqueceu. Conversei com eles no backstage, e me lavei chorando no desfile. Foi a primeira vez na minha vida que vi uma mulher com o corpo parecido com o meu na passarela (aliás, já comecei a lacrimejar aqui lembrando…). Acreditei que, de fato, eu ia começar a me ver representada na maior semana de moda do país. Aquele evento em que vou duas vezes por ano para cobrir todos os desfiles como repórter de moda do Donna, mas que nunca, nunquinha me enxergava de fato. Em que escrevia sobre roupas que não eram feitas para mim, vestidas por modelos que não eram como eu.

Na temporada seguinte, a LAB estava lá de novo, com modelo gorda – inclusive a rainha MC Carol na última edição. E teve também Fluvia Lacerda, maior modelo plus size brasileira, que só estreou na passarela do principal evento de moda do país ano passado, na passarela do Ronaldo Fraga. Dava para contar nos dedos o número de mulheres gordas que desfilaram? Dava, e sobrava dedo em uma mão só. Mas era um começo – e eu sou otimista. Acreditei.

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Bia e Akeen na SPFW

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Mas, nesta temporada, o barraco desabou. Foram trinta e três desfiles. Trinta e três oportunidades de ter pelo menos uma mulher ou um homem gordo na passarela. Nenhuma marca quis. Para ser justa, a única tentativa de sair do padrão foi da Água de Coco, que trouxe uma modelo curve – mas que vestia 42. Passa bem longe do 50 da minha etiqueta, que ainda é pequena se pensarmos que existem mulheres de tamanho 54, 60, 62, que também estão aí na rua consumindo e vivendo. E querendo ser representadas. Não custa lembrar: 53,8% dos brasileiros são, pelo menos, gordinhos, segundo o Ministério da Saúde.

E por que não tem gorda na passarela, hein? Sinceramente, não sei responder para vocês. Não sei os meios de produção, as filosofias, os meandros técnicos de cada uma destas trinta e três marcas. O que sei, trabalhando neste meio, é que é mais fácil criar para modelos padrão: você confecciona toda a sua coleção de passarela em tamanho 36, contrata um casting inteiro de meninas 36 e pronto, qualquer uma serve em qualquer roupa. Mas nem todas as clientes vestem 36, sabia? E o resto, fica como? Imaginando como ficaria aquela roupa em seu corpo tamanho 42, 44? E nem falo de mim, porque sei que a maioria das marcas que desfilaram não têm roupa para o meu corpo, mesmo que eu pudesse pagar por elas. E isso é excludente demais.

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MC Carol na SPFW

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Parece que voltamos a estaca zero, pelo menos quando se fala da maior semana de moda do Brasil. Na teoria, diversidade é lindo, né? Para ganhar likes no Instagram, só se for, porque, na prática, vejo pouquíssimas mudanças quando se fala de moda feita por grandes grifes. Continuamos sendo invisibilizadas. E, se antes contávamos pelo menos com a cota da gorda para ganhar manchete, agora nem isso. No que se refere a diversidade de corpos, essa temporada de moda foi triste demais. E não sei se a mudança está tão perto assim, sabe? Susana Barbosa, diretora de redação da Elle Brasil – para mim, a maior revista de moda do país, e que tem de fato tentado ser mais inclusiva -, diz que, sim, a diversidade de corpos é ainda o maior tabu para a moda:

“Quando a gente fala de diversidade, na questão racial, do cabelo, do gênero, está andando com mais velocidade, mas nos tamanhos é onde mora o grande problema da moda. Falo que esse é o maior tabu do setor. Já demos alguns passos, mas estamos longe do ideal”, falou a editora, em matéria do jornal Hoje em Dia, assinada pela minha colega querida de imprensa Flavia Ivo.

Sinceramente, estou desacreditada demais. E são questões como essa que me fazem querer dar mais e mais visibilidade a marcas independentes plus size, a mulheres gordas que fazem acontecer. Isso me faz ter vontade de incinerar todas as roupas que comprei em fast fashion que não vendem para gordas. Cansei de dar o meu dinheiro para quem não se importa comigo, sabe? Não sei qual é a solução mágica para mudarmos esse cenário, mas convoco vocês, manas gordas: a gente precisa cobrar, a gente precisa xingar, a gente precisa expor. Se não quer vender para a gente, tudo bem, mas não usem nosso corpo como marketing barato. Queremos mudança.

Eu torço, de verdade, para que na próxima temporada de moda o cenário seja outro. Quero acreditar. Mas, hoje, está difícil.

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