5 razões para assistir “Gostosas, Lindas e Sexies”, longa que estreia com quatro protagonistas plus size

5 razões para assistir “Gostosas, Lindas e Sexies”, longa que estreia com quatro protagonistas plus size

Se você costuma se render aos blockbusters americanos, pode até já ter deparado com uma ou outra atriz gordinha em papel de certo destaque – Rebel Wilson, de Como Ser Solteira, que o diga. E talvez esteja exatamente este o grande trunfo de Gostosas, Lindas e Sexies, longa brasileiro que acaba de entrar em cartaz e traz, como protagonistas, quatro mulheres plus size que fogem completamente ao padrão do que estamos (infelizmente) acostumados a ver de garotas GG nas telas.

Elas não são cheias de complexos – não mais do que outras mulheres, pelo menos -, não passam o tempo todo falando de peso e são bem-sucedidas. Aqui, ao contrário da gordinha solteirona da novela que era rejeitada ou passava as cenas pensando em comida, o quarteto a la Sex and the City é bem resolvido, desejado e cheio de autoestima.

Assista ao trailer:

Mas dar representatividade às mulheres gordas na telona, como era de se esperar, não foi tão simples assim. Em entrevista à Donna por telefone, Cacau Protásio (a Terezinha do seriado Vai Que Cola), que vive a empresária Ivone, conta que o apoio do diretor Ernani Nunes e do roteirista Marcelo Braga foi fundamental para Gostosas, Lindas e Sexies chegar aos cinemas:

— Tivemos a sorte de ter duas pessoas que acreditaram que existem outros tipos de mulheres [além das magras, referência aos responsáveis pela direção e produção). Não tivemos muitos patrocinadores. Nem todo mundo acredita e quer bancar — afirma. —  Mas tenho certeza que o filme vai agradar muita gente. Para nós (falando sobre as mulheres plus) vai ser muito bom. Na minha época, não tinha uma referência de mulher negra e gorda famosa.

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Cacau Protásio vive Ivone

Mesmo com alguns tropeços – como a rivalidade gordas x magras sendo alimentada, além de episódios que ferem preceitos do feminismo por colocar uma mulher contra a outra -, Gostosas, Lindas e Sexies é garantia de risadas despretensiosas e, claro, inspiração principalmente para quem cresceu sem se ver representada na TV. Mais um passo contra os esteriótipos e padrões!

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Quer saber outros pontos positivos do longa? A gente lista abaixo:

Manequim e peso é só um número pra elas – xô, obsessão! 

Talvez esse tenha sido o ponto que mais me chamou a atenção. Não há surtos por causa do corpo, olhares em frente ao espelho analisando a barriga e nem julgamento do corpo das amigas. Ser gorda ou curvilínea, para elas, é apenas uma característica – como ser loira, ou encaracolada, ou alta. O mais bacana? Elas usam o termo mulherão com tanto gosto!

Lyv Ziese, que vive Tânia

Lyv Ziese, que vive Tânia

Mostra gordas felizes e bem resolvidas

Quando perguntei para Cacau sobre o porque de nunca termos tido uma vilã gorda na TV, por exemplo, a resposta dela acendeu uma luzinha: porque quando um diretor pensa em uma personagem de 40 anos bem sucedida, por exemplo, nunca liga o papel a uma mulher gorda? Porque a atriz gorda sempre precisa viver uma personagem em que o corpo vira parte da trama da personagem? Porque uma gorda não pode ser feliz e realizada e um exemplo de mulher na ficção?

— As pessoas precisam acordar e deixar de ser preconceituosas. Todo mundo deveria ter a mesma possibilidade. A mulher gorda tem tudo igual a todo mundo — sentencia.

E aqui é mais um aspecto em que o filme se destaca: as personagens são todas bem sucedidas, e isso não tem nada a ver com ser gordas. A personagem de Cacau, por exemplo, quebra mais um esteriótipo: Ivone é proprietária de uma rede de salões de beleza. Quantas negras e gordas que se deram bem na vida você lembra de ter visto na ficção, hein?

O figurino é de babar!

Nada de esconder o corpo ou fugir de decotes, transparência e roupas justinhas. Elas usam tudo ao mesmo tempo agora, e de um jeito que a gente fica doida para ficar amiga das personagens e compartilhar o closet.

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Bia, personagem de Carolinie Figueiredo

Tem gorda de vestido curtinho, lingerie sexy, saia colada e, claro, muito brilho. Cacau, que aparece em uma das cenas com uma peça de paetês, conta que também amou o figurino, assinado por Nicole Nativa:

— Não tem porque ficar disfarçando o corpo. Se você é gorda, já sabe como é. Eu me sentia grande (de paetês), mas me sentia linda — conta.

thumbnail__AA_7432_fotoAlineArruda

 

Em GLS, gordas transam!

Sim, essa informação pode até chocar alguns preconceituosos de plantão, mas mulheres gordas transam como qualquer outra. A diferença é que gorda com tesão nunca aparece nas novelas e nos cinemas… até agora. A personagem de Mariana Xavier, Marilú, se destaca nesse quesito por lembrar a vibe viciada em sexo de Samantha, de SATC: a professora de inglês, inclusive, transa com um aluno durante a trama. Mas todas aqui tem vida sexual (bem ativa)! Bia, personagem de Carolinie Figueiredo, é uma jornalista que se divide entre o namorido (personagem de André Bankoff) e um affair com um fotógrafo argentino. Tânia (Lyv Ziese) pode até ter uma desilusão daquelas com o marido, mas acaba encontrando outras aventuras ao longo da trama (alerta quase spoiler!). Já Ivone, de Cacau Protásio, é mãe solteira de dois adolescentes e está em busca de um amor – a trama é meio torta para a personagem, mas a surpresa é boa.

—  Gordas tem vontades como qualquer outra mulher —  resume Cacau durante nosso papo.

Marilú, personagem de Mari Xavier

Marilú, personagem de Mari Xavier

 

É uma lição de autoestima

Só de ver as quatro personagens felizes e de bem com sua própria imagem, a gente (principalmente nós, gordinhas!) saímos do cinema com um sorriso no rosto. Mas tem uma cena do filme que me marcou, e que faz muito sentido quando a gente lembra daquelas situações da vida real em que você está feliz com o que vê no espelho, mas os outros querem te fazer acreditar que você está errada. Na trama, Bia é repórter de uma revista sobre alimentação saudável (porque, sim, gorda pode ser saudável, viu?). Ela enfrenta os deboches diários de duas colegas de trabalho – bem caricatas por sinal, e que fazem o papel da magra que debocha da gorda. Afora a rivalidade desnecessária gordas x magras, é uma conversa com a editora (uma mulher cinquentona, com tudo em cima, vivida por Eliane Giardini) que chama a atenção. A personagem inclusive chega a dizer a Bia que ela devia se inspirar nas reportagens que faz para perder uns quilinhos – e é quando ouve uma resposta daquelas:

—  Me sinto muito bem com o meu corpo, e isso nunca foi problema para mim —  dispara Bia.

 

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Por que precisamos falar sobre a gordofobia contra a Miss Canadá

Por que precisamos falar sobre a gordofobia contra a Miss Canadá

Siera Bearchell era uma das 85 belas mulheres que competiam pela faixa de Miss Universo na noite deste domingo (29). Estudante de Direito, empresária e atleta, a jovem de 23 anos já havia sido eleita a mulher mais bonita de seu país, o Canadá. Preenchia todos os requisitos para estar no concurso, realizado nas Filipinas, assim como as outras 84 concorrentes – tanto que passou por duas fases, e ficou entre as nove finalistas da noite. Ainda assim, a Miss Canadá foi vítima de gordofobia.

Durante a transmissão do concurso pela BandTV, dois apresentadores fizeram comentários que sintetizam o quanto os padrões de beleza ainda estão enraizados. Desde que a competição começou, o stylist Raphael Mendonça “estranhava” a presença da moça entre as concorrentes por ela ser “cheinha”.

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Vamos recapitular:

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O stylist declarou que Siera não tinha “corpo de miss”. Já o ator Cássio Reis, coapresentador do evento na Band, foi além: insinuou que a Miss Canadá estaria no concurso para “cumprir cotas”.

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Faz algum sentido para vocês? Porque, sinceramente, para mim não – e, felizmente, para boa parte de quem se manifestou contra pelas redes sociais.

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Raphael e Cássio reproduziram em cadeia nacional a cobrança que as mulheres sofrem diariamente para estar dentro dos padrões. Estereotiparam o que deveria ser o “corpo de miss” e julgaram inadequada uma candidata que cumpria todos os requisitos para estar dentro do Miss Universo.

Mais: chamaram de “cheinha” uma mulher que não deve ter mais do que 60 e poucos quilos, SE tiver. Sabe o quão nocivo é esse tipo de comentário? O quanto chamar uma mulher magra (sim, MAGRA) de cheinha alimenta preconceitos e incentiva padrões irreais? O quanto afunila ainda mais o conceito de beleza e faz uma mulher de 60 quilos entrar em paranoia por causa do peso? E o quanto isso pode influenciar a autoestima de tantas e tantas gurias que estão acompanhando?

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Pode não parecer – já que estamos falando de uma miss –, mas trata-se de um caso típico de gordofobia. É esse tipo de comentário que deixa as mulheres magras cada vez mais reféns da balança, já que qualquer centímetro a mais no abdômen a torna “cheinha” aos olhos da sociedade. E é também o que aumenta cada vez mais o abismo que existe entre mulheres curvilíneas, gordinhas, gordas e obesas.

Siera, de fato, tem um pouco mais de peito, bumbum e coxa do que as demais candidatas, e, ainda assim, é uma mulher linda, que merecia o título quanto qualquer outra candidata – porque ela passou por todas as eliminatórias. E, ainda que ela tivesse barriguinha (que não tem), celulite ou estrias, o que isso a impediria de ser eleita a mais bonita do mundo? Por que a mais bonita precisa ser uma mulher com o mesmo biotipo sempre? Já parou para pensar o que convencionamos ser corpo de Miss? Até quando a gente vai aplaudir essa idealização nada saudável do que é um corpo perfeito?


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Mas, infelizmente, passa longe de ser a primeira vez que Siera ouve esse tipo de comentário sobre seu corpo. Em seu Instagram, a Miss Canadá relembrou uma das primeiras ocasiões em que foi considerada “diferente” dentre as candidatas:

Como eu me sinto sendo tão maior que as outras concorrentes?’ Um jornalista acabou de me perguntar isso durante uma conferência. Eu quase fiquei sem palavras.

E a resposta dela foi apenas incrível – e, como diria minha vó, um “tapa de luva de pelica” na cara dos comentários gordofóbicos da noite deste domingo:

Eu pensei: ‘Como eu me sinto sendo eu mesma? Como eu me sinto por ser confiante comigo mesma? Como eu me sinto realizando meu sonho de representar o Canadá no palco do Miss Universo? Como eu me sinto sendo um exemplo para tantas jovens mulheres que têm dificuldades de encontrar alguém para admirar? Como eu me sinto redefinindo a beleza?’. Minha resposta: Me sinto ótima.

Para encerrar, Siera ainda falou sobre a polêmica com seu corpo com Ashley Graham, modelo considerada curvy que conquistou os holofotes – e é uma das musas aqui do Um Plus A Mais. Olha só:

“Você tem que descobrir o que você ama em você, e não o que podemos mudar em nós mesmas”.

A gente só tem uma coisa para te dizer, Siera:

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Chris Pratt revela que já foi considerado “gordo demais” para papel em Hollywood

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Nós, mulheres – e, principalmente, nós, mulheres gordas – já ouvimos vários tipos de comentários que ligam nosso físico a nossa capacidade. Não são poucas as histórias de gurias que foram rejeitadas em entrevistas de emprego porque não vestem um manequim pequeno, ou porque tem alguma característica física – não intelectual ou que afete seu profissionalismo e sua capacidade de exercer aquela função – que não “condiz” com a vaga, na avaliação (extremamente subjetiva e preconceituosa) do patrão. E também existem as piadinhas com as loiras, e aquela ideia de que a mulher bonita só está em um cargo de chefia porque é bonita e “passou no teste de sofá”. Machismos de cada dia, né?

E é por isso que me surpreendeu tanto uma declaração de Chris Pratt à próxima edição da revista Vanity Fair. Chris, ator hollywoodiano, sofreu na pele o que é estar “fora dos padrões” (muita aspas aqui!) durante os testes para um papel no longa O Homem Que Mudou o Jogo, de 2011.

“Essa foi a primeira vez que ouvi alguém dizer: “Nós não queremos você no elenco. Você está muito gordo”, contou.

E Chris estava longe de ser um ator iniciante. No currículo, estava o papel que o catapultou à carreira artística com o personagem Andy Dwyer da série Parks and Recreation – antes disso, já havia participado de séries como The O.C. e Everwood. Ou seja: todo mundo já sabia que Chris era um baita ator e que tinha capacidade de executar o papel. E o que ele fez?

“Eu decidi perder peso, como no Wrestling. Eu não podia pagar um treinador, então comecei a correr, fazer dieta e cortar o álcool”, relembra.

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Isso prova que os padrões de beleza não estão restritos às mulheres. Sim, não há sombra de dúvidas que nós sofremos muito mais com cobranças sobre o corpo. O mais triste é que isso vem desde a infância (quem também foi criança gordinha sabe!), te atinge em cheio na adolescência e afeta, inclusive, sua carreira em muitos casos. Desde sempre, somos condicionadas a surtar com cada celulite ou estria, viver de dieta para perder “aqueles três quilinhos”, reclamar que os peitos estão caídos ou que o derrière não está tão na nuca quanto a gente queria. E toda essa paranoia é, infelizmente, algo que está presente com muito mais força no universo feminino.

Mas não é só com a gente: gordofobia e preconceitos no geral com relação ao corpo também aparecem no cotidiano deles. E é por isso que eu acredito tanto que a gente tem que unir forças para não deixar esse tipo de situação ser algo normal. O que a gente precisa, de fato, é lutar para que o manequim que você veste não seja mais determinante de quem você é e do que é capaz.

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Mais do que isso: que, para ser galã ou mocinho na ficção (ou na vida), você não precisa ser o cara sarado. Para ser a heroína, a profissional bem-sucedida ou a garota que conquista o boy magia na telinha, não deveria ser pré-requisito que você vista 36. É assim, vendo todos os dias um mesmo tipo de pessoa ser a “vencedora”, que a gente cria essa ideia de que só o magro, o sarado, o tanquinho é bonito. É essa imagem que as crianças crescem assistindo – e é isso que a gente precisa combater. E se o herói fosse gordinho, qual o problema, sabe?

Um alento: embora Chris tenha emagrecido para papéis em filmes como Guardiões da Galáxia, o cara não é nada noiado em relação à aparência. A própria esposa do moço, Anna Faris, prefere a forma física anterior, como ele contou à GQ em 2014:

“Acho que a Anna está apostando que um dia vou voltar a ser gordo e ela vai dizer: ‘lembre-se, querido, sempre disse que preferia você dessa maneira’“, declarou.

“Eu posso dizer que as pessoas se motivaram com a minha transformação e que isso é muito bom. Mas todo mundo deve saber que quando essa coisa de astro do cinema acabar, eu talvez volte a ser o cara gordo. Eu amo os benefícios da atividade física e eu tenho uma criança agora. Se exercitando, você realmente consegue ter 20, 30 anos a mais na sua vida. Mas você também tem que viver, então, espero que eu consiga achar um bom balanço entre isso”.

Equilíbrio: falou tudo, Chris! Mas isso é assunto para um próximo post, tá?

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Modelos plus size desfilam na SPFW e comemoram: “As pessoas precisam saber que o gordo existe”

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De todos os desfiles que já acompanhei – de longe, pelo computador, ou nas temporadas cobrindo a SPFW para a Revista Donna –, nunca me senti tão parte daquele mundo como na noite deste segunda-feira. Já me emocionei com nomes como Isabela Capeto, Ronaldo Fraga e Lino Villaventura, desejei tudo o que Alexandre Herchcovitch criou e suspirei com o frescor da Cotton Project, mas nada se compara ao sentimento de ver alguém com um corpo parecido com o seu cruzando a passarela. E foi isso que aconteceu no desfile da LAB, que entra para a história da fashion week paulistana como o desfile mais cheio de representatividade REAL que tive o prazer de assistir.

Teve (muitos) negros, teve gorda e teve gordo. Aliás, teve mais de um. Teve gente que foge aos padrões da passarela e, no fim das contas, representa quem a gente vê nas ruas todos os dias. Teve gente de verdade, que consome tanta moda quanto qualquer outra pessoa – e só não consome mais, muitas vezes, porque as marcas lhes negam isso ao oferecer numeração até o 44.

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Na noite desta segunda, quem cruzou a passarela foi a modelo Bia Gremion: 19 anos, manequim 60, 140 kg. A maior modelo a atravessar do backstage ao pit de fotógrafos, e que me fez lacrimejar e borrar todo o delineador. Sim, isso mesmo: Bia foi a modelo mais gorda da história da SPFW, e tê-la lá é mais um passo para dar poder, voz e visibilidade a todas as gordas desse Brasil. E aos gordos também: junto com ela, estava Akeen Kimbo, modelo masculino plus size. Teve também a Ellen Oléria (foto à direita na montagem acima), dona de um vozeirão que a tornou campeã do The Voice – e um mulherão cheio de curvas.

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Poucas horas antes do desfile, cruzei com Bia e Akeen no backstage da SPFW. Eles me contaram que participaram de um casting cheio de “modelos padrão”. Ficaram tímidos, de cantinho: mal sabiam eles que seriam alguns dos protagonistas do desfile mais cheio de representatividade da semana de moda paulista.

“Além das perspectivas para a minha carreira, tenho perspectivas para as pessoas gordas circularem mais nesse meio. Pessoas gordas existem e elas consumem moda. Eu amo moda, ele (Akeen Kimbo, ao lado) ama moda, então a gente precisa circular nesses lugares sim”, me disse Bia.

“As pessoas precisam saber que o gordo existe. Em um país que mais de 60% das pessoas estão acima do peso, não dá para fazer marca só para magras. Tem que viabilizar a gente também”, completou Akeen.

Não pode ser mais verdade. Não faz sentido que as marcas fechem os olhos para a maioria da população, que veste e compra tanto quanto a minoria que usa até 44. Se não para ser justo e fazer roupa para todos os clientes, que seja pelo poder financeiro: será que elas sabem quanta grana estão perdendo?

Eu sou apaixonada por moda desde que conheço por gente, mas acho que a moda, de fato, nunca amou quem eu sou e o que represento. Nunca quis me vestir, nunca quis mostrar um corpo como o meu na passarela. Ignorou por muitos anos e renegou a araras escondidas as peças em que eu poderia caber. Insistente que sou, sempre rodei lojas e lojas pra talvez achar um vestidinho, que “era pra ser soltinho, mas em mim tá justo e como serviu, coloco uma jaquetinha por cima e resolvo”. Eu ouvi piadas de vendedoras, me espremi em roupas para tentar ser parte daquilo, chorei em muito provador. Mas, agora, foi a vez de chorar por ver na passarela uma guria gorda e linda ali, ao lado de gurias magras e lindas, ambas em pé de igualdade. Finalmente, me senti parte daquilo. E que seja apenas o primeiro de muitos desfiles com gordas, gordos e muitos modelos negros no casting, na passarela e na moda.

“É básico, é roupa, é moda. As pessoas gostam disso, é uma forma de se expressar. É um marco”, resume Bia – e não posso concordar mais.

Obrigada Emicida, obrigada Evandro Fióti, obrigada João Pimenta. Obrigada Laboratório Fantasma. Finalmente, obrigada, SPFW.

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A grife Lane Bryant usou uma tática genial para (tentar) mostrar às pessoas o quanto comentários, ofensas e xingamentos sobre o corpo são cruéis e podem afetar a autoestima. A tal gordofobia – que muita gente pensa que é mimimi e bobagem, mas que afeta a vida das pessoas de uma forma que não dá nem pra imaginar.

Pois foram justamente esses dizeres maldosos e carregados de preconceito, que estamos (infelizmente) acostumadas a ouvir na rua, nas redes sociais e até de pessoas do nosso convívio, que a marca pediu para que suas garotas-propaganda lessem no vídeo. Exemplos? Vê se você reconhece algo que já ouviu por aí:

Ninguém deve se sentir confortável vestindo tamanho 14 (equivalente a 48).

Você vê esses pneus?

Como você passou pela porta?

Você arruinou a Sports Illustrated [esse, direcionado a Ashley Graham, a primeira top curvilínea a posar para a edição especial de biquínis da revista].

Grande não é sempre bonito.

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Além de Ashley, estão ali algumas das nossas gordas-maravilhosas preferidas: Gabourey Sidibe, conhecida pelo filme Preciosa; Danielle Brooks, a engraçadíssima Taystee da série Orange is the New Black, e as tops Candice Huffine e Alessandra Garcia. E como elas rebatem esse ódio gratuito? Simples: sendo incríveis e exibindo como bem entendem seus corpos gordos & lindos, dançando e sorrindo sem medo. E não ficou demais?

Dá o play aqui!

O melhor desse vídeo? Muitas mulheres lindas e diferentes ressaltando – e autoafirmando – a própria beleza, sem pedir licença a ninguém.

Outro ponto que achei positivo: principalmente na internet (e até aqui, na caixa de comentários do blog), as pessoas destilam ódio como se não fosse outro ser humano que tá ali, lendo aquelas ofensas de alguém que nem conhece. Pare e pense: será que você diria a mesma coisa ao vivo? Ou será que faria o mesmo comentário do tipo “olha aquela gorda de saia justa, quem ela pensa que é” para uma pessoa que você conhece, ou uma amiga sua?

Mais um laaacre pra conta, Lane Bryant & gurias! <3

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