Depois de edição com casting padrão, SPFW tem desfile com modelos curvy: “Moda é para todos, não só para as magrinhas”

Depois de edição com casting padrão, SPFW tem desfile com modelos curvy: “Moda é para todos, não só para as magrinhas”

É fato: nunca se falou tanto em diversidade. E também nunca houve tantas cobranças do público por representatividade de corpos na moda. A passos lentos, este cenário vem mudando: na última temporada de moda internacional, por exemplo, grifes consagradas como Michael Kors e Prabal Gurung e a novata Fenty, de Rihanna, trouxeram modelos fora dos padrões que estamos acostumadas para seus shows. De acordo com um balanço do site Fashion Spot, 1,2% do casting das fashion weeks de Londres, Milão, Paris e Nova York vestiam mais do que o costumeiro 36, um total de cerca de 30 modelos curvy ou plus size. Muito pouco se compararmos com o total de mulheres que usam manequins maiores, mas, ainda assim, um começo.

Aqui no Brasil, o cenário já foi bem mais animador. Nos tempos em que a Laborário Fantasma, de Emicida e Fióti, desfilava na São Paulo Fashion Week, presenciamos modelos plus size femininos e masculinos na passarela – vale dizer que homens gordos são ainda mais raros. Detalhe: vimos modelos gordas negras também, ainda mais excluídas das passarelas. Mas esse tempo de esperança, infelizmente, passou. Com a saída da etiqueta do line-up, a diversidade de corpos também se foi. Houve outros destaques, como a presença da top Fluvia Lacerda (foto abaixo) em um fashion show de Ronaldo Fraga. E, na última temporada, não vimos absolutamente nenhuma curvy ou plus size entre os 33 desfiles do evento. Um retrocesso triste para quem já havia conquistado alguns degraus.

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Fluvia Lacerda, modelo plus mais famosa do país e uma das mais conhecidas do mundo, só estreou na passarela da SPFW no ano passado

Na 46ª edição, que terminou nesta sexta-feira, um alento: no desfile que encerrou o evento, finalmente, tivemos a presença de duas modelos curvy no fashion show da Água de Coco. No seu último desfile, no final do ano passado, a etiqueta de beachwear já havia trazido uma top curvy, mas agora resolveu investir um pouquinho mais na diversidade de corpos. Uma das garotas curvilíneas era Muriel Segovia, 27 anos, que atua como modelo há seis. Feliz que só, comemorava a oportunidade inédita de estar na maior semana de moda do país:

– É um sonho. Nunca imaginei que, em algum momento da minha carreira, isso iria acontecer. Foi um choque. Estou extasiada – confessa a modelo de São Paulo ao blog Um Plus a Mais.

Quem também fez seu début na passarela foi Fernanda Machado, 28 anos. Para ela, estar nesta posição de destaque na fashion week é motivo de orgulho – por ela e pela “conquista” do segmento.

– Estou orgulhosa por mostrar que a moda é para todas, nao só para as magrinhas. A moda foi cruel por muito tempo conosco, o que gerou problemas de autoestima e distorção de imagem em muitas mulheres. Estou muito feliz de estar representando (as mulheres curvy e plus size). Quero cooperar para mudar essa visão que a moda tem.


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Momento épico com a minha musa @muri_segovia 💃🍾#spfwn46 #spfw #plussize

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Para Muriel, iniciativas como a da marca Água de Coco são mais um degrau em busca da representatividade real – que ainda parece distante da nossa realidade.

– É um passo. E melhor um passo do que nada. As outras marcas vão ver e querer se espelhar nisso – acredita. – Querendo ou não, o mercado está crescendo e abrindo portas para o nosso universo plus size. Outras marcas podem pensar: “Vamos testar o retorno?”. E vão ver que dá. Um dia, a gente chega lá.

Agua de Coco_N46_0007

Para Liana Thomaz, estilista da Água de Coco, os reflexos de apresentar desfile com diversidade de corpos vem das clientes – prova de que investir em modelos com corpos mais próximos aos da maioria das mulheres também dá retorno financeiro.

– As clientes estão adorando! Ficam com mais vontade de comprar, de ir na loja e ter vontade (de experimentar). Antes, ficavam um pouco retraídas, e agora não. Pessoas mais velhas, ou com mais peso não têm mais tanta vergonha – conta a criadora, direto do backstage da SPFW. – Acho que a pessoa tem que se gostar da maneira que é.

Se dá dinheiro, afinal, porque outras marcas não abrem as portas para modelos de manequins variados? As explicações são muitas. Para o blog Um Plus a Mais, no caso dos desfiles, tem a ver com a dificuldade que alguns estilistas ainda demonstram para vestir modelos maiores. Se todas as modelos vestem 36 e têm altura parecida, diminuem as provas de roupa antes e a produção das roupas segue o mesmo padrão. No caso das curvy ou plus size, há garotas com mais quadril ou mais peito, que tem mais ou menos barriga, o que demandaria mais trabalho. Mas, se avaliarmos o retorno financeiro e publicitário que um casting minimamente diverso traz, é um trabalho que tem tudo para compensar. Mas precisamos ser sinceros: há estilistas que, simplesmente, não querem fazer roupas de tamanhos maiores – seja pelo custo ou para manter a identidade de sua marca. Ou porque simplesmente não tem interesse nenhum em criar para manequins plus size – às vezes, por pressão da própria clientela, que não quer mulheres gordas usando a mesma roupa que elas. A modelo Fernanda Machado resume nossa análise:

– É preconceito! É dificil falar. Mas dou um conselho para os estilistas: invistam grandemente no segmento plus, porque damos muito dinheiro. O mercado é escasso e tem muita gente que precisa e gosta de moda de verdade. Que quer entrar em qualquer loja e ter sua numeração disponível para comprar.


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Representatividade na #spfw46 🙏 Foi mágico!

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Enquanto grandes grifes preferem não investir no segmento plus size, a nossa dica é: valorize e prefira as marcas independentes e autorais que se importam e se dedicam a fazer roupas com boas modelagens e informação de moda para nós. Por aqui, fazemos questão de sempre indicar criadores que estão atentos e preocupados com o mercado plus size. Se não querem nos vestir, também não vamos dar dinheiro para estas empresas, não é? Infelizmente, nem todas têm oportunidade e condições financeiras para comprar de marcas plus size, que, muitas vezes, têm preços mais elevados, e é justamente por isso que também cabe a nós cobrar do mercado, sempre que possível, oferecer opções para todos. É um trabalho de formiguinha, mas, aos poucos, a gente pode chegar lá.

Não custa lembrar: representividade não é caridade, é obrigação. E, quando se fala de diversidade de corpos, é o obstáculo mais difícil para a moda – e que encontra ainda muita resistência. Como jornalista e mulher gorda que acompanha o evento há anos, torço para que na próxima edição não tenhamos apenas modelos curvy, mas também modelos plus size (grade que começa no 46, mas que inclui também mulheres que vestem 52, 56, 60 ou mais). São conquistas graduais, sabemos, mas necessárias. Vamos, #modas! A gente acredita!

 

“Dietland”: por que assistir à série que fala sobre as (muitas) cobranças que as mulheres enfrentam

“Dietland”: por que assistir à série que fala sobre as (muitas) cobranças que as mulheres enfrentam

O Um Plus a Mais também está na versão impressa da Revista Donna,
sempre tratando de temas relacionados a diversidade.
A coluna abaixo será publicada na edição de 1º de setembro.

Eu sempre fico com o pé atrás quando me dizem: “Tu precisa assistir a esta série, é a melhor coisa dos últimos tempos”. Tenho preguiça do hype exacerbado – e já perdi o timing de ver produções incríveis como Stranger Things, à qual só me rendi depois de muito tempo lançada. Meu pavor só aumenta quando me dizem que se trata de uma série com personagens gordas. É batata: posso contar nos dedos de uma mão só as vezes que colocaram mulher gorda nas telas sem que a mocinha da vez demonstrasse problemas com o próprio peso. Às vezes, ela quer emagrecer (Bridget Jones), outras ela se “descobre” bonita no final (Sexy por Acidente), ou, claro, luta contra os altos e baixos da própria autoestima (This Is Us). Parece que peso é o único “problema” passível de enredo na vida de uma mulher gorda.

Quando vi o título da série da vez, Dietland, indicada pela minha amiga Vanessa Scalei, que assina a coluna sobre TV aqui de GaúchaZH, bateu aquela curiosidade, confesso. Mas a preguiça de talvez deparar com mais uma representação estereotipada me fez enrolar, enrolar… Até a última segunda-feira. Resolvi dar o play e dei de cara com Alicia Kettle (Joy Nash). Já nos primeiros minutos, ela revela que seu apelido é Plum (ameixa, em inglês). “Porque sou suculenta e arredondada”, explica. Logo, viria a reviravolta – e o porquê de Dietland ser, sim, a melhor coisa que vi nos últimos tempos. “Também conhecida como gorda. Eu posso dizer isso”, completou.

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Já nas primeiras cenas, Plum avisa que a versão dela que estamos conhecendo pertence ao passado. Ou seja, começa, claro, com a mulher gorda que sonha em perder peso. Aos 30 e poucos anos e com mais de 130kg, ela se submete a mais uma dieta rigorosíssima, um dos passos para a cirurgia de redução de estômago que pretendia fazer. Em certo momento, a protagonista mostra um vestido vermelho, vários manequins menores do que o dela – era o modelito que se enxergava vestindo no futuro, quando seria Alicia, “magra e feliz”, e não mais Plum. O tom da série começa a ficar claro quando, numa reunião de um grupo de emagrecimento, uma das participantes levanta, indignada com o teor dos discursos na roda de conversa. “Eu me sinto bem gorda, eu me amo. Vim aqui porque preciso de ajuda para emagrecer pois tenho problema na coluna, não porque odeio meu corpo”, dispara uma moça de roupa moderninha e cabelo colorido. Não, amigas, não se trata de mais uma série bobinha, definitivamente.

Joy Nash as Plum Kettle - Dietland _ Season 1, Episode 1 - Photo Credit: Patrick Harbron/AMC

Mais um pouquinho do enredo: no estilo ghost writer (uma escritora fantasma, sem assinatura), Plum responde todas as cartas enviadas a Kitty Montgomery (Julianna Margulies, na foto abaixo), editora de moda de uma revista. Pausa: sim, é a Alicia Florrick da ótima série The Good Wife, e ela está ainda mais maravilhosa aqui! Na caixa de entrada de Kitty – e, por tabela, de Plum -, chegam correspondências de garotas aflitas, que relatam desde problemas de autoestima até estupro e assédio. Gurias desesperadas, que refletem os relatos de casos bárbaros e horrorosos que vemos todos os dias nas redes sociais, na TV, nos jornais. É por causa dessas meninas que Plum é abordada por Verena Baptist, filha de uma guru das dietas – cujo objetivo é acabar com a herança de sofrimento causada pela mãe. Junte a isso um grupo de guerrilha feminista – que, na trama, caça estupradores e abusadores de mulheres. A tribo das justiceiras ganha um nome certeiro: Jennifer.

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A partir daí – porque tudo isso rola no primeiro episódio –, Plum entra de cabeça numa verdadeira revolução pessoal, que vai muito além do número na balança. Dietland é uma série mais do que atual: em tempos de #MeToo, discute como pouquíssimas outras produções a opressão que atinge as mulheres desde as pequenas situações do dia a dia. Do olhar intimidador no elevador ao medo de andar sozinha na rua. Da cobrança por usar um saltão à necessidade de ser magra. Coloca o telespectador na mesma ótica da personagem – e, independentemente do seu peso ou sexo, é impossível não se sensibilizar com a vida de Plum e das garotas dos emails. O seriado é uma representação das angústias e absurdos que as mulheres vêm denunciando, cada dia mais. E vale cada minutinho na frente da TV. Se você está sem programa para este fíndi, fica a dica: está disponível na Amazon Prime. Para quem gosta de ler, Dietland é inspirada no livro homônimo de Sarai Walker – e está na minha lista.

Assista ao trailer de Dietland

 

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#GordofobiaMédica: mulheres relatam casos assustadores de preconceito nos consultórios e pedem respeito e dignidade

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O Um Plus a Mais também está na versão impressa da Revista Donna,
sempre tratando de temas relacionados a diversidade.
A coluna abaixo será publicada na edição de 4 de agosto.

Quando o blog Um Plus a Mais e essa coluna nasceram, comecei falando de moda para mulheres gordas. Foi por causa do mundinho fashion – quase sempre ingrato com quem veste mais do que 46, vale dizer – que passei a me olhar no espelho de forma diferente. Perdi o medo de usar roupa mais ajustada ou curtinha, e hoje tenho que me controlar para não usar paetê no trabalho. Escolhi falar de moda GG porque é uma das áreas da vida que mais causam dor de cabeça para quem é plus size, e acredito, de verdade, que se vestir como você quer deveria ser um direito básico.

Mas, ainda mais básico – e necessário – do que encontrar uma roupa que te sirva, é direito à saúde. E é justamente esse o debate que ganhou força nas redes sociais na última semana: levantada pela ativista Flávia Durante, a #GordofobiaMédica revelou inúmeros casos de pessoas gordas que foram humilhadas em consultórios por aí. Quer mais? Há relatos, inclusive, de mulheres e homens que não foram diagnosticados corretamente porque a justificativa básica para qualquer doença seria a gordura. E, claro, o tratamento apontado por muitos médicos é simplesmente mandar emagrecer, independentemente do sintoma que você apresente.

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São relatos assustadores, mesmo, até para quem foi gorda a vida toda. Há uma mulher contando que foi chamada de rinoceronte pelo médico na mesa de parto. Outra diz que, após perder o bebê, ouviu da médica que fazia a curetagem que deveria se preocupar em emagrecer em vez de fazer filho. Mais: nos comentários de um post do Buzzfeed sobre o tema, uma leitora lembra a vez em que foi ao oftalmologista com a vista embaçada e ouviu do médico que deveria parar de comer lanches. Até visitas ao dermatologista renderam preconceito: uma mulher lembra o dia em que chegou ao consultório reclamando de problemas na pele e teve como resposta que era por conta do peso. Dias depois, outro profissional a diagnosticou com psoríase. Quando comecei a ler os depoimentos, lembrei também de uma situação que passei. Não chega nem perto da gravidade dos casos compartilhados, mas é inegável que me fez mal. Ao consultar com uma ginecologista, a primeira pergunta que ouvi quando sentei na cadeira é se pretendia emagrecer – ela sequer havia me examinado ou perguntado sobre o meu histórico clínico.

Veja alguns relatos compartilhados pela #GordofobiaMédica

“Eu tive algumas crises de vômito quando eu era criança. Ia no PS e MAIS DE UMA VEZ ouvi que era porque eu tinha “comido demais e o corpo não aguentava”. Mas era intoxicação mesmo, magro também tem”

“Fui fazer o exame de médico do Detran e a médica disse que eu deveria procurar ajuda psicológica, pois não era normal carregar o peso de duas pessoas normais em um só corpo! Além disso, esse tipo de gente incomoda no avião”

“No meu trabalho, um médico aleatoriamente me falou que preciso cuidar da cabeça porque gordas ficam loucas muito fácil, na frente da equipe toda!”

“Procurei um otorrino por causa de dores de garganta muito recorrentes. O médico me disse que todo mundo tem a garganta ruim mesmo, e que eu tava passando por isso porque era gorda. Na consulta de retorno, sem contexto algum, me falou para fazer dieta”

“É você ter um pelo encravado, que virou um furúnculo e, na sala da médica, ela olhar para você e dizer: “Para de comer besteira e tomar refrigerante que você não terá mais isso”. Detalhe, era minha primeira consulta e ela nem sabia qual a dieta que eu sigo e que não tomo refri”

“Teve uma vez que fui à ginecologista e disse que tinha cólicas. Ela disse que eu deveria emagrecer, e eu perguntei se era a causa da minha cólica. Ela não pediu exame nenhum além dos normais. Eu pesava, naquela época, 65 quilos, não estava nem perto de sobrepeso”

“A médica perguntou como estava meu colesterol, glicose, etc. Quando ela viu os resultados e constatou que eu não tinha problemas de saúde, disse que não se deve confiar em exames laboratoriais, porque nesse caso meu peso falava mais alto do que os resultados”

“Teve um neurologista que se negou a me atender (depois de passar no plano) dizendo que se alguém da minha idade se permitia chegar nesse estado, não queria melhorar e ele só tinha interesse em paciente que queria ficar bem (sic)”

“Ir à psicóloga e ouvir: “A ansiedade pelo menos te fez emagrecer, né? Olha aí que bom. Nem precisou se esforçar”. Depois de ficar um mês em crise e vomitando tudo que eu comia.

“Até hoje eu tenho pavor de ir em médico. É terrível você ir procurar ajuda de um médico e ele dizer que se eu emagrecer aquela doença vai sumir, sendo que uma coisa não tem nada a ver com a outra”

“Uma colega técnica lesionou o joelho no trabalho. Dor A-GU-DA. nunca teve dor no joelho antes. O cara mandou ela emagrecer. E disse para ela continuar trabalhando (SOU PEDIATRA E SABIA QUE ERA LESÃO). Ela foi em outro médico. Rompeu o ligamento. Por mau jeito”

Além de um tratamento desumano, para dizer o mínimo, esses supostos profissionais deixam de examinar e diagnosticar minimamente uma pessoa gorda porque só conseguem enxergar o exterior. Sequer pedem exames para analisar níveis de colesterol e já atestam que o peso é a causa de absolutamente qualquer problema que venham a ter, da unha encravada ao câncer. Negam o direito fundamental de tratar o paciente com dignidade e respeito, como atesta o próprio Código de Ética Médica no artigo 23: “Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto”.

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Sabe qual a consequência disso? Para além de diagnósticos errados ou levianos, faz com que as pessoas gordas tenham medo de encarar os consultórios médicos. Não querem sofrer humilhação de um profissional que, no final das contas, está sendo pago para lhe prestar um serviço de saúde. Deixam de se tratar por medo de sofrer em situações degradantes. Ou acham que é inútil recorrer aos doutores porque, afinal, o receituário pode vir com uma única suposta solução mágica para tudo: emagreça. Não estamos negando que o sobrepeso pode, sim, ser um fator de risco e até a causa de problemas de saúde, mas não é o único.

Não custa dizer que casos como esses, embora chocantes, provavelmente são a exceção e não a regra. Cabe a nós denunciarmos situações em que, por um motivo ou outro, não tenhamos sido atendidas com dignidade ao Conselho Federal de Medicina. Profissionais que não ajam como tal precisam, sim, ser punidos para que não repitam esse tipo de comportamento com outras pessoas. Saúde é um direito básico de todos nós, independentemente do número que a balança aponte.

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Mais de 170 mil pessoas pedem que Netflix cancele série que faz piada com pessoas gordas

Mais de 170 mil pessoas pedem que Netflix cancele série que faz piada com pessoas gordas

Não sei dizer para vocês quantas vezes recebi o link da nova série da Netflix, Insatiable. Junto com o trailer, a mensagem de amigos e colegas: “Guria, tu precisa ver isso! Olha o absurdo!”. Confesso que me deu uma certa preguiça de assistir, sabe?

Até que a polêmica começou a ganhar força. Me dei por vencida quando vi que mais de 170 mil pessoas já haviam assinado uma petição para que o serviço de streaming não colocasse a série no ar – a estreia está prevista para 10 de agosto. A treta deve ser séria.

Assista ao trailer de Insatiable

Quando dei o play no trailer de Insatiable, entendi de cara o motivo de tanta revolta – e, olha, é pior do que eu imaginava. Nos primeiros takes, a personagem Patty, uma adolescente gorda, aparece nos corredores do colégio cabisbaixa, enquanto ouve todo tipo de ofensa dos colegas. Sabe aquele típico roteiro de Sessão da Tarde que poderia ser a história de muitas de nós que enfrentamos bullying nesta fase? Pois bem, segue à risca todo o clichê.

Aí vem a reviravolta, como era de se esperar. Patty leva um soco no rosto – um claro ataque por conta de seu peso – e acaba quebrando o queixo. Precisa ficar com o rosto imobilizado durante as férias de verão. É, acertou quem pensou que ela não poderia abrir a boca. Ou seja, de boquinha fechada – aquela velha recomendação que todo mundo com sobrepeso ouve como solução mágica e fácil para emagrecer -, a personagem consegue perder muitos quilos. Volta das férias magrinha e turbinada. Virou a gostosa.

– Costurar a boca me fez perder bem mais do que as minhas férias de verão –, diz a personagem, assim que aparece em cena de vestido justinho e sorrisão provocador.

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Os equívocos seguem. Patty olha para todos os grupinhos – atletas, patricinhas, atrizes – e pensa que não quer integrar nenhum deles. Só quer vongança. Aí, entram na tela mensagens como “seja maquiavélica, seja ousada, seja impiedosa”.

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Por onde começar?

Em pleno 2018, o roteiro de Insatiable reproduz tudo aquilo que a gente via nos filmes há 20 anos: a menina gorda que emagrece, a vingança depois de dar a volta por cima… Nada de novo sob o sol. Mas os tempos mudaram, né mores? Hoje em dia, com tantas discussões sobre autoestima e body shaming, não faz sentido que um serviço que se diz tão prafrentex quando a Netflix endosse esse tipo de roteiro. Vendo o trailer, não há qualquer indício de um plot twist, sabe?

Diferente do filme Sexy por Acidente (relembre a coluna sobre o filme aqui!), por exemplo, em que a personagem de Amy Poehler percebe que poderia ser feliz com o corpo que tem – e que sua força e autoestima não tem a ver com o tamanho -, a Patty de Insatiable só fica feliz e conquista a admiração dos outros quando emagrece. Pior ainda do que isso? Ela consegue emagrecer por doença, por ter “fechado a boca” – um reforço daqueles no estereótipo de que essa é a solução simplinha dos nossos problemas.

E o que ela quer fazer quando emagrece? Não é viver a vida, se sentir linda, correr atrás dos seus objetivos. Ela quer vingança. Quer mostrar que, agora que é magra, virou poderosa. Percebem o quanto isso é nocivo?

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A virada na vida de Patty é, unicamente, para mostrar aos outros que se adequou aos padrões. Não é para ser mais feliz, é para pisar em quem falou merda. E a autoestima dela, será que é tão forte assim? Se fosse, precisaria mesmo se preocupar com o que as pessoas que a agrediram pensam?

Insatiable é um exemplo péssimo e um gatilho sem tamanho para gurias que estão na mesma situação que Patty no início da série – e que só enxergam saída no emagrecimento a qualquer custo. Mas, infelizmente, é também um reflexo do comportamento de muitos ex-gordos: quando emagrecem, só querem mostrar aos outros o quanto podem, o quanto agora são felizes e antes não. Aliás, o velho antes e depois, ao meu ver, demonstra aquela velha ideia de que antes você era infeliz e, agora que é magra, pode ostentar um sorrisão no rosto.

Pode ser que a série reserve alguma surpresa? Pode sim, não sabemos, já que ela ainda não estreou – e pode ser que nem estreie. Mas é fato: por enquanto, me parece uma escorregada daquelas da Netflix. Desnecessária, para dizer o mínimo.

Se você também não curtiu o roteiro de Insatiable, te convido a espiar a petição neste link.

Parte boa dessa história? Aos pouquinhos, o público está reagindo, sim, a casos de body shaming e preconceito. Vamo, time!

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Gorda nas telonas sim! Heroína plus size dos quadrinhos vai ganhar um filme

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A gente bem sabe que protagonista gorda é raridade na ficção, não é? Que não traga o tema “corpo” como foco central de sua trama, então, só aparece em ano bissexto. É por isso que é tão bacana compartilhar uma novidade como essa: a heroína plus size das HQs Faith “Zephyr” Herbert deve ganhar um filme em Hollywood. Siiim!

Segundo o site especializado Deadline, o longa será produzido pelos estúdios Sony, enquanto o roteiro ficará a cargo de Maria Melnik, roteirista da série Deusas Americanas. Ainda não há data prevista para lançamento.

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Criada em 1992 pelos quadrinistas Jim Shooter e David Lapham, Faith é protagonista de uma série publicada pela editora Valiant Comics. E olha só que demais: a personagem tem poderes telecinéticos e capacidade de voar (chorem nessa gorda voando, haters!). O que eu amei muito também? A supergirl é uma fã de cultura pop, e adora séries, filmes sci-fi e quadrinhos. Ah, e a Faith é jornalista. Quem também já quer ser amiga dela?

Agora, a dúvida: quem será que vai viver a heroína, hein? Pelos cabelos loiros – e, claro, pela escassez de atrizes gordas no mainstream -, meu palpite é Rebel Wilson. Gosto bastante dela, mas confesso que tenho um pouco de receio porque a Rebel já fez papéis que não mostram a mulher gorda como qualquer outra, sabe? Outra opção (maravilhosa!) seria a Melissa McCarthy, que está brilhando muito nas telonas. Mas seria incrível também ver outra atriz gorda ganhando espaço, né? Na torcida!

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