Por que Ashley Graham é uma das modelos plus mais incríveis da vez

Lembro como se fosse hoje (#idosinha) do dia em que cheguei na redação e a Mari Scholze, editora aqui da Revista à época, já me deu bom dia contando:

— Tu viu que maravilhosa a modelo plus que apareceu em um anúncio da Sports Illustrated?

De cara já ficamos apaixonadas por Ashley Graham, dona de um corpão e de uma aparente segurança de si que dá gosto de ver, sabe? Olha só:

swim

Uns meses depois, estava zapeando em sites de moda gringos quando vi que a moça acabara de desfilar para a penúltima edição Semana de Moda de Nova York, em setembro de 2015. Detalhe: com as peças de uma coleção de lingerie criada pela própria! Batizada de Black Orchid, a linha é pensada para as mulheres curvilíneas e traz itens como sutiãs rendados, calcinhas de cintura mais alta e espartilhos. O diferencial é que foge daqueles sutiãs sem graça que ainda vemos à exaustão quando se trata de tamanhos maiores – e, claro, já estou torcendo para que chegue logo por aqui.

Leia mais
:: Como as plus size desafiam os padrões e fazem a moda render-se à beleza em qualquer tamanho
:: As novas curvas da moda! Um editorial repleto de inspiração e estilo para as plus size

ashgiiiif

Pois bem: o nome da moçoila já entrou, quase que implicitamente, para o meu radar de “plus para ficar de olho” – e ainda estava longe dessa categoria mental virar tag aqui no blog. Qual não foi a minha surpresa quando, de novo, ela surgiu linda, e dessa vez na capa da Sports Illustrated? Um parênteses aqui: o alarde tem sentido, viu? A edição anual dedicada à moda praia da revista costuma não fugir do mesmo padrão, com as modelos magrinhas que a gente conhece muito bem. Mas quando esse tradicional reduto de corpos sarados-e-magros dá espaço pra uma curvilínea, a gente tem mais é que comemorar para que a exceção vire rotina. Entendo bem quem critica que a plus escolhida pela Sports tenha sido uma top com barriga “no lugar”, sem pneuzinho, sem braço gordinho. Há até quem diga que Ashley nem plus é – inclusive a própria, que não curte o “rótulo”, mas o fato é que abrir espaço nas páginas de uma swimsuit issue a uma modelo que foge ao habitual do que se vê ali, não há como não rolar aquela surpresa. Aliás, até a própria Ashley ficou chocada, como contou à revista People.

Eu achei que a Sports Illustrated estava assumindo um risco ao colocar uma garota do meu tamanho nas páginas. Mas me colocar na capa? Isso sim é épico!

E outro porém: para a indústria, a grade plus size já começa no 46. Justo? Tem sentido? Assunto para um próximo post (mas vocês já podem deixar seus pitacos sobre aqui nos comentários, viu?).

si-ashley-graham-600x800

Espia também
:: 5 frases que as plus size não aguentam mais ouvir
:: Os 10 mandamentos plus size

Quer mais? Ashley é uma das fundadoras de um coletivo de modelos plus batizado de ALDA, que incentiva as mulheres a amarem seu corpo independente do manequim. Quem vê a bela toda segura de si até pode pensar que foi sempre assim, mas, como a maioria de nós, ela levou um certo tempo para encarar o espelho e gostar do que via. Em uma palestra, a top de 28 anos contou que se achava muito feia, principalmente depois que chegou a Nova York e ganhou peso. Porém, uma hora veio o estalo:

Não acreditava muito nos primeiros meses, mas li em um livro que, se eu me olhasse no espelho todos os dias, dissesse isso e acreditasse de verdade, iria acontecer. Comecei a amar meu corpo, passei a me exercitar e a cuidar de mim. Nenhum homem, nenhum trabalho, nenhum amigo vai me dizer quem eu sou. Eu vou dizer a mim mesma quem eu sou.

ashhhh

Que incrível, né? E a inspiração não para! No ano passado, a nossa nova musa ainda esgotou os ingressos para sua palestra no projeto TED Talks. Com humor e autoconfiança, Ashley enche a gente de orgulho com uma mensagem sobre aceitação que merece ser vista tanto por quem tem manequim 36 quanto pelas que vestem 50. Em frente ao espelho, ela faz piada sobre partes do seu corpo que poderiam ser consideradas “falhas” por muita gente (“coxa grossa, você é tão sexy que não consegue parar de se esfregar uma na outra”) e ainda contou como conseguiu ficar tranquila com a imagem que via refletida.

Me senti livre quando percebi que nunca ia me encaixar no molde estreito que a sociedade queria que eu estivesse. Nunca vou ser perfeita o suficiente para uma indústria que define a perfeição de fora para dentro, e isso é bom.

o-ASHLEY-GRAHAM-570

Ainda não está convencida de que Ashley é maravilhosa – sim, por dentro e por fora? Tem mais:

Não há muitas mulheres que falem sobre as suas imperfeições, como eu, e fico feliz por poder ser a voz que lhes diz que é normal ter celulite. Pensem e falem positivamente sobre os seus corpos e de outras mulheres e nunca se compararem a alguém. Não há um tamanho certo ou errado. Todos temos constituições físicas diferentes e isso é uma coisa boa! Celebrem e aceitem as diferenças.

Para colar no espelho do banheiro e lembrar todo dia ao acordar, né? O vídeo completo você confere abaixo:

 

UPDATE!

O blog acaba de ganhar uma página no Facebook! Clica aqui para conhecer (e dar aquele like amigo! haha)

CARD